Domingo, Fevereiro 07, 2010

Quatro ou Quarenta e Oito Aninhos

É mais que óbvio e evidente que adoro salmão.

Quinta-feira, Janeiro 07, 2010

Sopro 47

A erosão do tempo nem sempre se manifesta. Acontece todavia que é a experiência do seu antónimo que está presente. Tão presente, nestes quotidianos vividos.


"Com efeito, o comportamento humano normal manifesta uma continuidade de emoções induzida por uma continuidade de pensamentos."

'O Sentimento de Si', António Damásio

Sexta-feira, Janeiro 01, 2010

you're welcome

Olá, 2010.

Quinta-feira, Dezembro 31, 2009

Mais um...

... ano que termina.

Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

O que é bom sempre continua

46. Passo a passo para mais um aninho. Todos os dias contam.

the star, edgar degas, 1876-77

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Considerações

Às vezes não é a cama ser grande, é o espaço vazio ser enorme.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

From this day on

Está formal e oficialmente confirmado: não sou capaz de tomar conta de mim sozinho. Tenho papel do médico e tudo.


"I know so many people who think they can do it alone
They isolate their heads and stay in their safety zone
But what can you tell them
What can you say that wont make them defensive
Hang on to your ego
Hang on but I know that you’re gonna lose the fight.
They come on like they’re peaceful
But inside they’re so uptight
They chip through the day and waste all their thoughts at night
But how can I say it
How can I come on when I know I’m guilt
Hang on to your ego
Hang on because I know that you’re gonna lose the fight
And how can I say it
How can I come on when I know I’m guilt
Hang on to your ego
Hang on
Hang on but I know that you’re gonna lose the fight
"

'Hang on to your ego', Frank Black

Sábado, Novembro 07, 2009

45

Nem tudo neste dia acontece em conformidade com a nossa plena satisfação. Porém, de algo não arredámos pé: impondo a nossa vontade estaremos, o que é o mais importante, juntos no decorrer deste aninho quarenta e cinco. Podemos ter sido ultrapassados, força das circunstâncias, num flanco; contudo, noutro, os nossos exércitos cilindraram toda e qualquer oposição.


"Em cada gesto perdido
Tu és igual a mim
Em cada ferida que sara
Escondida do mundo
Eu sou igual a ti


Fazes pinturas de guerra
Que eu não sei apagar
Pintas o sol da cor da terra
E a lua da cor do mar


Em cada grito da alma
Eu sou igual a ti
De cada vez que um olhar
Te alucina e te prende
Tu és igual a mim


Fazes pinturas de sonho
Pintas o sol na minha mão
E és uma mistura de vento e lama
Entre os luares perdidos no chão


Em cada noite sem rumo
Tu és igual a mim
De cada vez que procuro
Preciso de um abrigo
Eu sou igual a ti


Faço pinturas de guerra
Que eu não sei apagar
E pinto a lua da cor da terra
E o sol da cor do mar


Em cada grito afundado
Eu sou igual a ti
De cada vez que a tremura
Desata o desejo
Tu és igual a mim


Faço pinturas de sonhos
E pinto a lua na tua mão
Misturo o vento e a lama
Piso os luares perdidos no chão"


'Tatuagens', Mafalda Veiga & Jorge Palma

Terça-feira, Outubro 27, 2009

On a highway to hell...

... ainda que encerrado em quatro paredes. Recordo-me dos asilos e das penitenciárias de antanho. A diferença, porém, é que ao pensar da minha mente ninguém pode erguer barreiras. Só aí sou absolutamente livre. E, tal como um puto mal-educado, faço o que quero e o que me apetece a meu bel-prazer. Quem sabe se este não é um caminho que pode conduzir directa e firmemente ao inferno, num instante de piscar de olhos.

"Living easy, living free
Season ticket on a one-way ride
Asking nothing, leave me be
Taking everything in my stride
Don't need reason, dont need rhyme
Ain't nothing I would rather do
Going down, party time
My friends are gonna be there too

I'm on the highway to hell

No stop signs, speed limit
Nobody's gonna slow me down
Like a wheel, gonna spin it
Nobody's gonna mess me round
Hey satan, payed my dues
Playing in a rocking band
Hey momma, look at me
Im on my way to the promised land

I'm on the highway to hell
(don't stop me)

And I'm going down, all the way down
I'm on the highway to hell
"

'Highway to Hell', AC/DC

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Lived to tell...

Ora, não resolvi porra nenhuma.
É a vida... mas não pode ser.

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Just live to tell...

Amanhã discuto, talvez decidindo inclusivamente, uma parcela relevante da minha vida. Não que trema como varas verdes, contudo a apreensão é elevada. Só duas pessoas. Espero que uma terceira não esteja presente. Duas pessoas que de comum só um rótulo. Uma sabe muito mais do que a outra. Por experiência e por dedicação. Por deformação da própria prática profissional, por uma inteligência aguda e acutilante - enfim, o suficiente para me fazer sentir um jumento cerebral; particularmente quando ombreamos pelos trilhos do estado da arte, que é o da nossa; bastaria ter redigido arte, estado da já se torna redundante numa espiral que...
Junto à praia, é aí que a vou encontrar. Sinto, premonitoriamente, o suor a gotejar pela testa rumo ao restante rosto, encharcando-o como uma porção de terra então enlameada. Não levo discurso pré-concebido nem ideias suficientemente estruturadas. Tendo em conta perante quem, vou às escuras. Por outro lado, não consigo igualmente conceber de que forma se apresentará essa pessoa, sei apenas que muito mais à vontade.
Tudo o que consigo imaginar é uma mesa de café, não sei se antes ou depois de uma caminhada instrutiva, educativa, demonstrativa, sedutora e convidativa à análise empiraca; ou pode ser que essa pretensa caminhada nem nunca tenha lugar; fiquemos pela mesa de café sem extrapolar mais (ainda...). Contenho o nervoso miúdo para alumiar o raio do cigarro, quase que mais tenso que eu. Do outro lado não se esboçarão nuvens de fumo, uma parvoíce - isso de fumar, escuto no silêncio da minha mente ditosa e expedita em configurar cenários imaginários. O mar bem perto. Bem mais perto já esteve o Verão. Porém é ainda amena a temperatura, por vezes pregando-nos rasteiras que nos levam no engodo que nos reconduz ilusoriamente à estação veraneante. Será por aqui o trabalho a realizar, se a realizar. Sabemos bem disso, os dois. Ou pelo menos eu, aquela mente fulgurante pode ter entrevisto, não me espantaria, outros, novos cenários, para a realização do trabalho se, de facto, a realizar. Suponho que a vontade aponta para realizar, e de forma convicta exerce esse seu sentido. O fumo agora bamboleia, subindo rumo ao astro-rei, para lá do céu e da nossa pequenez. Com os pulmões carregados, hei-de tossir em queixume desse órgão auto-flagelado. A conversa, mais informal que outras em conjunto conversadas, já deverá ter tido o seu início. Assim se explica o cigarro aceso, defesa inconsciente ou do inconsciente provinda, acto que com toda a gesticulação própria a fumador permite criar manobra de diversão face ao real. Porém, decerto, pouco foi ainda dito ou, então, acabámos de penetrar assunto adentro, naquilo que de facto nos conduzira a esse peculiar encontro. Porém, tudo isto são congeminações. Congeminações não de uma mente delirante, mas de um alguém que relembra situações algo semelhantes; pelo que não faz futurologia, antecipa-o pelas suas práticas reiteradas do passado: uma mente que entrevê o futuro a expensas de uma construção da realidade.
Já me basta a ansiedade, característa dos neuróticos, causada por um breve desvelar do que irá acontecer. Não aprofundarei a conversa que ainda não teve lugar, pese embora pudesse indagar com um relativo grau de certeza sobre algumas temáticas e conceitos. De certo que nos deixaremos ir às nossas vidas com um adeus e um sorriso cordial. Se pelo menos pudesse garantir da minha parte que esse sorriso cordial expressaria sentimento verdadeiro e não hipocrisia escamoteada...
Seja lá como for que a resenha se esquisse, sairei garantidamente com mais certezas e menos dúvidas. Ainda que as dúvidas sejam promovidas pela angústia de quem não pode prosseguir... todavia, a situação inversa é igualmente provável; e mais que provável, possível. Indubitavelmente, sobreviverei. Resta saber se para contar... Resta saber se daqui sairei com um pouco menos de mim, amputado na alma, ou se ao invés terei estrutura para fazer crescer e cumular o meu próprio amor-próprio, passando a redundância. Seja como for, viverei para contar. Para contar como afinal Golias espezinhou David ou para contar como ficaram amigos e caminharam caminhos, aqui e ali, paralelos. Viverei para contar. Já chega.







"I have a tale to tell
Sometimes it gets so hard to hide it well
I was not ready for the fall
Too blind to see the writing on the wall

Chorus:
A man can tell a thousand lies
I've learned my lesson well
Hope I live to tell
The secret I have learned, 'till then
It will burn inside of me

I know where beauty lives
I've seen it once, I know the warm she gives
The light that you could never see
It shines inside, you can't take that from me

(chorus)
2nd Chorus:
The truth is never far behind
You kept it hidden well
If I live to tell
The secret I knew then
Will I ever have the chance again

If I ran away, I'd never have the strength
To go very far
How could they hear the beating of my heart
Will it grow cold
The secret that I hide, will I grow old
How would they hear
When would they learn
How would they know

(chorus)
(2nd chorus)
"

'Live and Tell', Madonna

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Quarenta e?

E quatro. Quarenta e quatro. Não, não me esqueci. Quarenta e quatro aninhos, como tu carinhosamente os denominas. E eu, de rosto encostado no teu ombro, fecho os olhos e sorrio placidamente.
Quarenta e quatro. São tempos que trazem de tudo, do mais extraordinário ao mais decepcionante dos acontecimentos de uma vida de todos os dias que partilhámos, partilhamos e, certamente, partilharemos. Claro que é muito mais fácil lidar com o extraordinário, que aqui ancoro numa acepção daquilo que comummente caracterizam como o acontecimento agradável, feliz, por vezes imaculado. Há também momentos de alguma neutralidade, e com isto não digo indiferença, com os quais é igualmente fácil de lidar. Depois, por fim, tudo aquilo que se deseja não vir a ter existência, mas a inevitabilidade da vida de todos os dias trá-lo consigo: obviamente, refiro-me à decepção, ao desagradável e ingrato, ao que é mau. A decepção, ao contrário dos demais, não é fácil, nada fácil e muitas vezes penoso de lidar com. Porque quanto maior é o sentimento de proximidade, mais duras se fazem sentir as faltas que cometemos, pois mais não seja é tudo menos isso que aguardamos do ente querido. Mas acontece, nessa inevitabilidade de ocorrências sequenciais e múltiplas da vida quotidiana. Todos nos podem decepcionar, contudo o ferro que verdadeiramente magoa é sempre aquele que, abrasivo, nos é apenso pelos que mais gostamos; para os outros podemos inclusivamente ser indiferentes, demonstrando-lhes que não importam tal como se poderiam querer insinuar. O ente querido importa. Pois que por isso a mais ténue das desilusões é dotada da capacidade de nos fazer sentir aferroados. Dói.
Creio que os entes queridos vivem no seu mundo e só depois no mundo de todos. E esquece-se, amiúde, que somos humanos. É difícil lembrarmo-nos de tal circunstância quando os entes queridos colocam o seu mundo numa esfera superior, numa esfera que, ainda que profana, se considera próxima do plano divino. Mas somos homens e mulheres. Todos nós. E erramos. E erramos outra vez. E outra. Então, a partir daí, remanescem tão somente duas lógicas, dois caminhos distinto, duas soluções, dois trajectos. Dependerão eles, sem dúvida, da força do elo que une os entes sobre os quais temos vindo a discursar. Se for frágil, então a ruptura surgirá num ponto ou momento mais ou menos adiante. Se for forte, então sofrerão, quiçá mesmo mais, mas terão coração suficiente para perdoar, para rectificar, para projectar reformas futuras que evitem o dilaceramento causado pela mágoa e angústia da desilusão.
Não sou fiel a predicados deterministas. Não há escolhas pré-estabelecidas. Há sim o livre arbítrio, a vontade de uns e outros. E essa vontade pode ser conduzida para que se navegue na mesma direcção ou, no extremo do seu oposto, que navegue para mares distintos. A primeira hipótese implica a decisão uníssona por parte das duas entidades, à segunda basta que um delas rompa com o estabelecido. É bem mais fácil navegar sozinho, porém muito menos gratificante já que o vazio se instala como companhia exclusa. Enquanto eu for eu e a demência não me transtornar ao ponto de me perder de mim, navegarei por opção e gosto o traçado mais difícil. Entenda-se: difícil. Porém, incomparavelmente superior em virtude, e porque não enormidade?, de um sentimento de realização que, justamente por ser o que é, se manifesta tanto no indivíduo como no colectivo que é o de duas vidas em engrenagem solidária. Parece difícil. Pode ser. Acredito que seja. Mas, tretas à parte, vale a pena. Só assim se vive; em solidão, está-se. A diferença é abissal. Muito mais que abissal.
Há quarenta e quatro aninhos escolhemos, e assim enveredámos, o nós. Conhecemos as experiências do extraordinário, do mais ou menos neutro, da decepção. Hoje estou radiante por isso. E radiante é dizer pouco, muito pouco. Nesta vida de nós entrelaçados fica a esperança de que a decepção surja rara. Nesta vida de nós entrelaçados fica a esperança de que o extraordinário brinde vitória. Nesta vida de nós entrelaçados fica a esperança que o mais ou menos neutro aconteça em serena felicidade. Há por aí uma estrelinha muito especial…

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Sangue quê?

Fui, sou e sempre serei replubicano convicto. É das poucas coisas que, de antemão tenho firme certeza, me acompanhará até ao fim dos meus dias.

Domingo, Setembro 27, 2009

Gato velho?

Não. Sim. Não. Onde ficamos então? Não. Não é novo. E não é dado a idades que pesem, demasiadamente, na linguagem. Dois não. Definitivamente, ganhou, e por aí nos estabeleceremos, o não. Não a um gato envelhecido por demais, assim que tardiamente.
Descende das rosas de Abril. Não o suficiente para presentear uma HK G3 com um botão, desses marca da revolução. O bastante, todavia, para as histórias de guerra contadas em família, umas mais (auto-)censuradas que outras mais joviais; ou só tristes, sem que assumam adjectivação (excessivamente?) drástica. Um por aí, algo incerto ou a dar para o indefinido. Nunca vivi num regime de ferro, nem por outro lado alguma vez me foi oferecido o destino numa plataforma 3,5G dum telemóvel duma qualquer marca. Não experenciei o viver antes da madrugada, mas não sou um filho pródigo, neste caso primogénito e lutador, da mesma (...por pouco, muito pouco, ditar-vos-ão algumas doutrinas). Por aí, numa indecisão do destino quiça, até, dos meus próprios progenitores a quem o acidente surgiu vindo de França esvoaçando nas asas de uma (risonha?) cegonha. Não me queixo. Nada de barreiras asfixiantes, nada de uma liberdade libertina. Penso mesmo que, sic, ainda bem.
A inexistência de pêlo branco em tipo caucasiano-latino comprova e justifica o não. Não velho. não o que baste a fim que a força das palavras, tanto como a dos anos, me verguem a quem, mesmo que alheio da minha realidade, as escute ou, porque não, que simplesmente por elas tropece. A única característica atípica, que falo ainda do pêlo, passa por uns e outros ruivos escamoteados numa parca barba mal semeada. Bom, não que o pêlo branco obrigue a que. Mas, no mínimo dos mínimos, indiciam. Escusam de fazer um apontamento estemporâneo a afirmar que não porque os cientistas isto e aquilo. Indiciam e pronto, ficamos assim assentes. Mas por cá ainda não se fazem ver, nem um.
Já, posicionando-nos noutra óptica, a bagagem acumulada acusa, não só o desgaste habitual do que se traz connosco, uma contagem cronológica significativa. As suas narrativas são outras, distintas da barba que ainda não vê pêlo branco mas que nem por isso é mais pueril e muito menos mais constrangida por esse tal relógio cronológico (redundância? mas claro que sim! A ideia é mesmo a de a trazer à coacção, ora essa...).
A vida está cheia de tropelias. Todos nós bem o sabemos. Não me diga que não, já que seria mentira na qual não dava, confesso, nem um tostão. Boas. Más. Assim-assim. Assim-assim parcticularmente quando, mais do que pela força das circustâncias, experimentamos o sentimento de ser apenas e tão somente assim-assim. Contudo, e no decorrer de um quotidiano algo apático, apagado e extinto de frenesim, tropecei, agora força das palavras, em quem sei ter tropeçado. Ainda que, primeiramente, embotido num sentimento de angústia derrotista, a verdade veio a verificar-se quase que, como direi?, contra-quotidiana. Contra-quotidiana(o)... posso permitir-me não ser quem sou e deixar por explicar? Certo, não há alternativas. Compreendam o contra-quotidiano como o vosso espírito vos ditar. Veio, a realidade a ser absolutamente desigual ao que me habituara. Aqui, num desses tropeços, o grande tropeço, encontro-me com o meu equilíbrio. Porque não? E assim, de verdade, o foi. E é. Para quem já me conheça sabe que sou de poucas afinifades com lugares comuns, dogmas, (destinos-)pré-destinados. Nada de novo, então, no que toca à minha estruturante emocional e psiquíca (e social, se bem me faço entender). O meu equilíbrio, ao fim de uma cerca de anos, cada qual dotado da sua ínfima especificidade, permitiu-se no que poderei asserir como estagnação benévola. Como estagnação benévola, pergunta-se com a finalidade de exaurir equívocos. Tão simples. Porém, tão complexo. Mas sempre, sempre simples. Não esgotarei o limite das palavras e dos seus significados para explicar esta pretensa parábola de entidades presumivelmente antónimas. Ficará para outro dia, outra qualquer oportunidade. Não hoje. Hoje... Adiante. Hoje faço apenas de moço de recados de um passado quase presente - e porque não mesmo presente? - que se prostou, por muito que assim não creia o foi, a meus pés, dádiva, dom à senhor Marcel Mauss (pois, sei que há de retribuir). Retribuo bem ou mal, esse apontamento não cabe a mim destrinçar, é história para outro post, para outro, sei lá!, blog. Sei que sim. E assim envelheci, jovem se quiserem. Quão jovem, esmifrem-se por. Sofri. Como os cães. Verdade. E redescobri o que enviesa o sofrimento em prazer, num tal prazer que acordamos a dar graças (ateu, não é?) a este e aquele, desde que grandes senhores. Idem, é o termo convocado. Certo. Mais que certo. Provavelmente, entenda-se de certeza, não sofri como alguns dos nossos. Porém, é certo que relativizamos. Sofrimento também. Aliás, desmintam-me, não há nenhum que ultrapasse o nosso? Mentira, há sempre. Porém, teremos de ter em conta que só nós somos capazes de contabilizar o sofrimento por afereição, adivinhem, a nós próprios. Escrevo, pese embora me desvie da mensagem... e dela não me quero desafeiçoar. Dos três (recordam-se: bom; mau; assim-assim), comi de tudo. E não cuspo. Nada, cuspir-me a custas de extinguir pedaços de mim? Não. Não, mais que resoluto. Tive a sorte de. Foi assim. Tropecei. Mais que certo não só eu. E agora é o que se vê. Gostas? Se não, pira-te e aprontadamente. Eu, posso dizer que tu também, saboreamos as coisas (boas, sem dúvida) com que a vida nos compraz. E as amargas, atreladas como moscas voltadas para farnel apetecível. Porque sorte? Solenemente respondo com a maior das simolicidades: até o teu mal me atrai, a fim de que o consiga minorar... Não dou lições de vida... se nem a mim sei dar, puto pouco novo. Puto e velho. A quem perguntais? O que quereis saber? Sou como o Sócrates, mas com uma profunda diferença: sei-me, apesar de mais de mil e mil anos mais velhos, ignorante. Jogo de retórica? Algum. Sei que sei mais. Mas também sei que, afinal, será que sei mais? Tanta coisa para dizer algo que hoje me vai na alma, e que tu ajudas a alimentar, mas cuja resposta, para não ficar entalada na garganta, remento para o próximo parágrafo. Só um ademais: não quero nem tenho pretensões a ter razão: se bem sabem, já morreu gente por isso; não mais hoje; auguro que não amanhã. Sou envergonhado, ou tímido - coisas absolutamente diferentes - mas pronto... Hoje o dia é... Vem aí o parágrafo que se segue (desculpem-me se vos envorgonhei ou se vos conduzi, de uma forma ou outra, ao engano). Aí está ele, meu amig(a)os.
Tanta merda porque não sou capaz, de uma forma sintética e breve, de dar os parabéns a mim próprio... Ai, menino! Tantas vezes auto-centrado outras tão... enfim. Mais outro para a conta. Nada de significativo. Porém com muitos significantes. Obstruindo caminho à ambiguidade, sabes bem do que falo. Até para o ano, próximo. E assim consecutivamente, espero, por bom tempo. Desbravo o mato dos portantos e porquês por um pouco, um pouco que seja: fazes-me feliz.
O tema pode ser um pouco infeliz ou, dirão uns tantos, bimbo como o raio. Importa-me pouco. Por norma também não sou fã, mas deixo-vos com os Anjos (e não, não sou um gato velho demais para [re]começar, meus amigos):


"Eu sou aquele que vive aceso no teu mundo
Eu sou aquele que te persegue num sono profundo
Serei um sonho, um pesadelo
Sou o passado recordado de um amor, um grande amor

Eu sou aquele que não esquece nem perdoa
Eu sou aquele que a tua ausência magoa
Sou uma noite nunca apagada
Eu já fui tudo e agora não sou nada

Eu estou aqui, aqui p'ra te dizer
Eu estou aqui, aqui p'ra te adorar
Eu estou aqui, aqui p'ra te dizer
Que como eu ninguém te amou

Eu sou aquele que te entrega a sua vida
Eu sou aquele herói de uma paixão perdida
Sou uma noite nunca apagada
Sou o final de uma história inacabada

Eu estou aqui, aqui p'ra te dizer
Eu estou aqui, aqui p'ra te adorar
Eu estou aqui, aqui p'ra te dizer
Amor (amor), amor (amor), amor, amor, amor
"

'Eu Estou Aqui', Anjos

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Obviedades

Quando se está triste não é triste soltar uma lágrima feliz.





pierrot

 
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