quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Estádios...

A ausência é uma obscenidade. Há vezes em que ser-se obsceno é uma dádiva.


"As marcas do ausente no espaço recordam à pessoa presente que está sempre «com»."

François de Singly, 'Livres Juntos'

sábado, 13 de janeiro de 2007

Além Tejo I

E com uma infecção respiratória se compromete um radioso fim-de-semana alentejano. Fica para a próxima... próxima semana, espero.

"A dose deve ser tomada diariamente à mesma hora. Os comprimidos devem ser engolidos inteiros."

Folheto informativo, 'Klacid OD 500 mg'

domingo, 7 de janeiro de 2007

Tique décimo primeiro

Será que os segundos importam?
Os minutos correm; às horas não mais se atenta às parcas badaladas que as anunciam; os dias sobrepõem-se sem demora substituindo-se pela semana, semanas e, quando retomarmos à consciência, pelos meses.
A velocidade é alucinante, se estacarmos para admirar o envolvente. Se há uns segundos vivíamos a hora zero, reabrimos os olhos com onze meses de história. Poder-se-á falar de história? Ou esta não é mais do que um mecanismo iniciado – inventado? – bem antes dos nossos egos terem verificado a sua existência num pretenso porvir para sempre? A história continua, prossegue após se terem esgotado os nossos tempos naturais. É-nos exógena e intocável, pelo que, para precaver, devamos agarrarmo-nos aos exíguos momentos que dela podemos desfrutar numa tentativa de apropriação que os torne nossos.
Um ano, coisa redundante, conta doze meses. Estaca-se a fim de observar a velocidade das existências nestes mundos que construímos tanto quanto nos constroem: se onze meses foram então supra mencionados, então também o significado e o significante que outro ano se afirma prestes a iniciar. A velocidade é de facto alucinante; mas a memória não escorre para o vazio do esquecimento, antes encaixilha a velocidade sub-cruzeiro os momentos vividos na experiência passada, que augura futuro, do quotidiano que se realiza a cada novo instante.
Se a emoção não está desprendida da razão, então a razão cristaliza per si, no âmago do ser, as emoções que se viram descobertas, realizadas, incubadas num fenómeno de continuidade cúmplice.
Afinal, sempre posso terminar a escrita asseverando, convicção das convicções, que não esqueci.

oceanie: le ciel, 1946, henri matisse


"Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar


Pensa em mim, protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve para longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar
"

'Cada Lugar Teu', Mafalda Veiga

sábado, 6 de janeiro de 2007

Comunicante...

Quebrei o enguiço dos diálogos surdos. Agora não falo para as paredes.


A razão calculista terminaria numa administração das coisas, seca, sem piedade e sem alma, que não teria valores que formassem e sustivessem uma comunidade

Allan Bloom, ‘A Cultura Inculta

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Sim, claro que sim

- De certeza?...
- Dúvidas não relampejam sequer em instantes de um segundo.

"Who can say where the road goes,
Where the day flows, only time?
And who can say if your love grows,
As your hearth chose, only time?

Who can say why your heart sights,
As your live flies, only time?
And who can say why your heart
cries when your love lies, only time?

Who can say when the roads meet,
That love might be, in your heart?
and who can say when the day sleeps,
and the night keeps all your heart?
Night keeps all your heart...

Who can say if your love groves,
As your heart chose, only time?
And who can say where the road goes
Where the day flows, only time?

Who knows? Only time
Who knows? Only time
"



'Only Time', Enya