quarta-feira, 27 de setembro de 2006

... and take a deep breath

Se até os gatos com todas - tantas - as suas vidas envelhecem...


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"Some are like water, some are like the heat
Some are a melody and some are the beat
Sooner or later they all will be gone
Why don’t they stay young

Its so hard to get old without a cause
I don’t want to perish like a fading horse
Youth is like diamonds in the sun
And diamonds are forever

So many adventures couldn’t happen today
So many songs we forgot to play
So many dreams are swinging out of the blue
We let them come true

Forever young, I want to be forever young
Do you really want to live forever, forever and ever?
"

'Forever Young', Alphaville


Prossiga-se...

domingo, 24 de setembro de 2006

Amarelo com chuva

Consta que principia também por estas terras o Outono; ou principiou ontem. A estação muda, o clima anuncia-se igualmente em mutação, aprumam-se as cores da época ou, ao menos, o seu preparo.

Outras mais mudanças se formatam. À indisciplina a regra, contando-a flexível e não pautada por uma rigidez a traço de régua e esquadro.

Outras mudanças não se operam. Melhor, operam-se endogenamente. Na busca da partilha cada vez mais profunda e estruturada entre entes em laço de mutualidade sem inquinamento mas absorta na naturalidade com que se põe e nasce o dia – contemplação activa complementando-se. Porque há coisas que não mudam – ou não se querem mudadas –, antes se transmutam tal qual a encruzilhada trilha para o centro, para o objectivo único e uno

Aguardam-se os majestosos mantos que trajem a nova estação. Aguarda-se por muito, muito mais. Que brilhe…

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“In a garden in the house of love,
sitting lonely on a plastic chair
The sun is cruel when he hides away,
I need a sister - I'll just stay

A little girl, a little guy
in a little church or in a school
Little Jesus are you watching me
I'm so young - just eighteen
She, she, she, she Shine On
Shine On
Shine On
In a garden in a house of love,
there's nothing real, just a coat of arms
I'm not the pleasure that I used to be
so young - just eighteen
She, she, she, she Shine On
Shine On
Shine On

I don't know why I dream this way
The sky is purple and things are right every day
I don't know, it's just this world's so far away
But I won't fight and I won't hate
Well not today
Shine On...
”

‘Shine On’, Apoptygma Berzerk (or. House of Love)

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Pausa (nos dias que correm)

Ontem, Palma no casino do Estoril. Duas horas recheadas daquele espectáculo que o Jorge Palma tão bem sabe criar e oferecer. Esteve muito bem…

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©

Hoje abala-se para terras da lezíria do Tejo. Presença de sol e lua apenas; complementando-se, completando-se.

“Se eu fosse compositor
Compunha em teu louvor
Um hino triunfal
Se eu fosse crítico de arte
Havia de declarar-te
Obra prima à escala mundial
Mas não passo de um homem vulgar
Que tem a sorte de saborear
Esse teu passo inseguro
e o paraíso no teu olhar
”

‘Dá-me Lume’, Jorge Palma


Bom fim de semana.

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Em chegada

Toda a espera tem um fim. Depois, talvez, o relógio recomeça.

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clock exploding, salvador dali


"I know 'cos I've seen it
It was great and I want it
There's no point in sitting
Going crazy on my own
Do you know what
I was put here in this world for
Could you tell meIn three words or more
It's the only way of getting out of here
It's the only way of getting out of here
Take a lesson
From the ones who have been there
"

'Modern Way', Kaiser Chiefs

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Próprio

Um olhar reduz ao nulo a distância entre olhos que se olham. Um olhar que apodera com ternura os olhos do outro, um olhar que entrega de igual os seus sem nada em troca pedir; dádiva quase perfeita ou perfeita na imperfeição do que é possível. Só assim pode ser.

Lábios que se tocam, trocam, tecem cumplicidades e trocam de dono. De outra forma impossível de suceder.

Dois corpos e dois corpos apenas que comutam proprietário, nunca deixando de serem eles mesmos. Como o inverso?

Isenção quanto desprendimento, nada pode ser mesquinho, tudo deve ser real; real porque verdadeiro. Também hoje não te esqueço; até sempre…

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kiss, gustav klimt


“Je suis ton pile
Toi mon face
Toi mon nombril
Et moi ta glace
Tu es l'envie et moi le geste
T'es le citron et moi le zeste
Je suis le thé, tu es la tasse
Toi la putain et moi la passe
Tu es la tombée moi l'épitaphe
Et toi le texte, moi le paragraphe
Tu es le lapsus et moi la gaffe
Toi l'élégance et moi la grâce
Tu es l'effet et moi la cause
Toi le divan moi la névrose
Toi l'épine moi la rose
Tu es la tristesse moi le poète
Tu es la Belle et moi la Bête
Tu es le corps et moi la tête
Tu es le corps. Hummm !
T'es le sérieux moi l'insouciance
Toi le flic moi la balance
Toi le gibier moi la potence
Toi l'ennui et moi la transe
Toi le très peu moi le beaucoup
Moi le sage et toi le fou
Tu es l'éclair et moi la poudre
Toi la paille et moi la poutre
Tu es le surmoi de mon ça
C'est toi qu'arrives des mois si ?
Tu es la mère et moi le doute
Tu es le néant et moi le tout
Tu es le chant de ma sirène
Toi tu es le sang et moi la veine
T'es le jamais de mon toujours
T'es mon amour t'es mon amour
”

'Le toi du moi', Carla Bruni

terça-feira, 25 de julho de 2006

Minúcias...

Partir rasga marcas indeléveis. Quem disse que chegar, ao regresso, não?

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©

“Heaven kicked you out
You wouldn't wear a tie
Staring at some pictures by yourself
At something that you want to have but will never get

Going nowhere
Going nowhere
Going nowhere
Going nowhere

You get drunk every night
You can't get drunk on life
Shouting at the world you'll never change
But it's what's inside you've got to rearrange

Going nowhere
Going nowhere
Going nowhere
Going nowhere

Heaven kicked you out
Heaven kicked you out
Making up for what you never had
Losing every single thing you've ever had

Going nowhere…
”

‘Nowhere’, Therapy?

domingo, 23 de julho de 2006

"Ride the tiger..."

Após umas férias, qualitativamente de luxo e sobre as quais decidi ainda não piar, a semana que se lhes seguiu trouxe consigo o tão esperado concerto de Pixies. Tão esperado para alguns… entenda-se que o Atlântico esteve muito aquém da sua lotação e os números foram uma surpresa por tão baixa receptividade ao agrupamento de Boston. Consta que houve outra banda com a pretensão, além da pretensa publicitação aos seus eus, de alimentar as expectativas face ao nome de cartaz que realmente importava. Vicious Five, lusos em palavreado anglo-saxónico, e não acrescento nada mais evitando assim denegrir a imagem dos ditos senhores.

Se o primeiro Super Bock/ Super Rock havia já trazido estes senhores tão sui generis da música americana, deste concerto fica a relembrança e algum acrescento aos ávidos ouvidos dos seus ‘militantes’ por, obviamente, ter sido consideravelmente mais longo – logo, evidente, mais músicas… O estilo sempre inconfundível, igual, iguais a si mesmos; quanto à forma escusam-se as destrinças entre os dois concertos a que assisti (infelizmente escapuliu-se-me, se não me falha a memória quanto à precisão na data, o de 1991). Interessa que o palco resistiu ao avultado peso do senhor Frank Black e que nem mesmo a figura de dona de casa – com os devidos direitos de autoria, a este ‘apupo’, reservados a um caro amigo aqui do dono do tasco – à antiga maculou a prestação no desempenho da arte, mestra, da sonoridade de Pixies; talvez tenha pecado o volume excessivamente elevado, facto que certamente se deve a uma audiência expectada três vezes superior – Sim, foi realmente muito espartana aquela audiência…

A companhia, seja-lhe dada a devida consideração, esteve ao nível do espectáculo. Em circunstâncias especiais terá estado mesmo bem acima.

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Radicalmente em inversão de tema, tenho vindo pouco aqui. Muito pouco. Mas agora as obrigações são algumas; e também a paciência, sempre a paciência…, escasseia. A ver vamos.

Encerro o post, bem insípido que o sei sem duvidar, com a letra do meu, ou dos meus…, tema de eleição destes senhores da tal cidade americana:


“Ride, ride, ride, ...
Stuck here out of gas
Out here on the Gaza Strip
From driving in too fast
Let's ride the Tiger down river Euphrates
Ride, ride, ride, ...
Dead sea make it float
One sip from the salty wine
Dead sea make you choke
Let's ride the Tiger down river Euphrates
”

‘River Euphrates’, Pixies

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Interregno

Por uns dias. Ou umas noites, sete. Parto. Destino férias de sonho no jardim do Atlântico. Longe, com o mais próximo bem perto…

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segunda-feira, 3 de julho de 2006

Anátema

De nós próprios.
De ser. De existir.
Da realidade cuja paridade nivela por defeito; ou dela, derivado, assim nivelamos.
Do nulo ser que se apresenta e representa a forma do asco. Do vazio.
Do vazio que não preenchemos porque jamais seremos hábeis para efectuar tal tarefa.
Da inutilidade mascarada que todavia não desaparece da transparência translúcida da imagem espelhada daquelas vidas que se levam.
Do desespero que somos nesta senda em que o não ser evocaria para um futuro a vir melhores memórias.
Do zero, mesmo que dele não queira descer.

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sexta-feira, 30 de junho de 2006

(re)Começo

Desde muito cedo, miúdo, aprendi que o caracol transporta a casa às costas; numa acepção abrangente tanto quanto totalizante do termo em si. Casa, não só o espaço que habitamos como também aquele em que experienciamos uma panóplia de vivências. Casa, no sentido residente que abarca tempos do passado ao presente que, por si, prevê as reentrâncias dum futuro, seja próximo ou direccionado a algo vincadamente mais remoto. Casa, moradia estável de presenças físicas e emoções, dos tumultos mas também das complacências confinadas ao trabalho do cérebro de cada um, de cada qual, em unicidade ou em partilha cúmplice. Esta casa não o é num entendimento extemporâneo, antes toda a bagagem que é transportada massivamente e que é constitutiva na premissa holística, logo irredutível às partes, da unicidade dos seres que ainda assim, na diferença, se assemelham pelas virtudes e vicissitudes da espécie que inapelavelmente comungam. A casa, definição estreitada, permite-se à transposição, à permuta; casa, lógica mais ampla, é igualmente pessoal e intransmissível, não sujeita ao mercado de troca mas objecto que, goste-se ou não, transportamos, tal caracol, às costas num encadeamento que se entrosa do princípio ao final de uma única exclusiva existência. Nesta derradeira definição já ninguém se pode permitir fugir dela, açambarcadora no monopólio do que somos e, assim implicado, seremos. Perspectiva demasiado positivista, determinada, mas perante esta não encontro outro facto senão o de me render à condição do que realmente é inalterável por natureza.
Se por um lado este recanto assume os termos de nova moradia, por outro implica o determinante de toda uma continuidade previamente gerada. Podemos certamente, como amiúde se constata, promover a troca de uma por outra; não podemos, na mesma medida, repudiar em rejeição aquela que nos acompanha pois que a somos e a construímos em silêncios ou no grito mais espampanante, sós ou em partilhas mais ou menos profundas, por vezes tão profundas que a (con)fundimos com a de outrem…
Sem que o objectivo seja a redundância troca-se de casa permanecendo nela, nela aquela da qual não nos podemos desembaraçar sem nos desembaraçarmos do que é próprio, sem nos desembaraçarmos do desprendimento do tudo tão pouco que somos.

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"I know so many people who think they can do it alone
They isolate their heads and stay in their safety zone
What can you tell them?
What can you say that will make them defensive?
Hang on to your ego
Hang on but I know that you're gonna lose the fight
They come on like they're peaceful but inside they're so
uptight
They trip through the day and waste all their thoughts at
night
Now how can I say it?
How can I come on when I know I'm guilty?
Yeah, hang on to your ego
Hang on but I know you're gonna lose the fight"

'Hang on to your ego', Frank Black