terça-feira, 30 de setembro de 2008

Achievement...

É um passo de cada vez. Assim se anda, assim se aprendeu a caminhar. Há passos em todas as dimensões das nossas vidas: maiores, mais pequenos ou em retrocesso. Dessas dimensões umas são mais valorizadas em detrimento de outras que, não deixando de ter a sua devida importância, secundarizamos nem que seja um pouco. Faltam-me ainda muitos passos, em todas elas. Todavia, muitos se viram já concretizados. E não foram (só) os de retrocesso. Logo a seguir a algumas dimensões matrizes, axiais, vem a académica. Também esta conheceu alguns passos invertidos. Presentemente via irem-se sucedendo daqueles grandes. Hoje conheceu o início do mais ambicioso.

Algumas mentes, que diria a roçarem o mentecapto, afirmam que temos demasiados doutores. Doutores com 'd' minúsculo. Creio que se equivocam. Mais, construo dessas mentes uma representação mental de 'velhos do Restelo': fatalistas de um fado triste, derrotistas e pretensas elites que cobiçam e invejam futuros radiantes, acima de tudo o mais criaturas amarguradas. O saber ocupa lugar, evidentemente que ocupa. Por cá temos muito onde o guardar, precioso pois que o pensam raro, ao saber. Não devemos recear o esclarecimento, ou pelo menos alguns dos seus raios despontantes que se desabrocham perante nós. Ele não se oferece. Ao invés, carece de conquista. Devia estar regulamentado a espontaneidade ao seu acesso. Mas temos os rankings, temos as políticas e práticas distintivas, consciências de segmentos de classe que se debatem por uma exclusividade grupal. O que devíamos ter, senhores 'velho do Restelo', era mais gente formada. Mais doutores com o tal 'd'; mais mestres; mais doutores por extenso.

Aos poucos talvez se atine. Nesse sentido já dei alguns passos de contributo. O dr, o quase mestre e, a partir de hoje, o doutorando. Saber ocupa lugar. Mas é uma valia, não é incómodo e não é veleidade e menos ainda propriedade exclusiva de e para apenas alguns.


"The rule of behavior that seems to be common to all situations and exclusive to them is the rule obliging participants to 'fit in'."

'Behavior in Public Spaces - Notes on the Social Organization of Gatherings', Erving Goffman

sábado, 27 de setembro de 2008

Três e três

"Lá num país cheio de flores"...

- De onde vens?
- Errado. Para onde vou...



©


"Ring the bells
Ring ring the bells
Wake the town
Everyone is sleeping
Shout at the crowd
Wake them up
This angers deeper than sleep

Got to keep awake to what is happening
I can't see a thing through my ambition,
I no longer feel my God is watching over me
Got to tell the world we've all been dreaming
This is not the end, a new beginning
I no longer feel my God is watching over me

Break, break the code
Concentrate
Let the doors swing open
See through all your walls
All your floors
Now you're in deeper than sleep

Got to keep awake to what is happening
I can't see a thing through my ambition,
I no longer feel my God is watching over me
Got to tell the world we've all been dreaming
This is not the end, a new beginning
I no longer feel my God is watching over me

When you let me fall
Grew my own wings
Now I'm as tall as the sky
When you let me drown
Grew gills and fins
Now I'm as deep as the sea
When you let me die
My spirits free
There's nothing challenging me
"

'Ring the Bells', James

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Tick Tock

A mulher é um show ambulante. Pena que pouco interaja com o público, rigidez que se deve a toda uma encenação coreográfica que acaba por lhe deixar pouca margem para o improviso. Todavia, goste-se ou não de Madonna, que é um show impressionante não há dúvida.

Quanto à companhia... bom, não poderia ter sido melhor.




Uma Isla Bonita bem executada a um ritmo Kusturica:


"(spoken:)
Como puede ser verdad
How could it be true?

Last night I dreamt of san Pedro
Just like I'd never gone, I knew the song
A young girl with eyes like the desert
It all seems like yesterday, not far away

Tropical the island breeze
All of nature wild and free
This is where I long to be
La isla bonita
And when the samba played
The sun would set so high
Ring through my ears and sting my eyes
Your spanish lullaby

The beautiful island

I fell in love with san Pedro
Warm wind carried on the sea, he called to me
Te dijo te amo
I prayed that the days would last
They went so fast

He told you, I love you

(chorus)

I want to be where the sun warms the sky
When its time for siesta you can watch them go by
Beautiful faces, no cares in this world
Where a girl loves a boy, and a boy loves a girl

Last night I dreamt of san Pedro
It all seems like yesterday, not far away

(chorus twice)

La la la la la la la
Te dijo te amo
La la la la la la la
El dijo que te ama

He told you, I love you

He said he loves you
"

'La Isla Bonita', Madonna

domingo, 7 de setembro de 2008

Vinte e onze

- Onde 'tás?
- Ao teu lado, já sabes...





"Não há nada absolutamente primário a interpretar, porque no fundo já tudo é interpretação"

'Um Diálogo Sobre os Prazeres do Sexo', Michel Foucault

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O relógio-tempo dos dois e meio

- Trintão.
- Somos.

the sun, 1912, edvard munch

"Dormia tão sossegada
Pernas tão tenras na cama
Eu fui-me chegando a ela
Quis partilhar uma chama

Dormia tão sossegada
Os dedos tão inocentes
Eu desejei-a tão forte
Os preconceitos ausentes

E a lua estava lá fora
Para além do firmamento
A fingir que não sorria
Desse espantoso momento

Dormia tão sossegada
Os lábios entreabertos
A calma em forma de sonho
Com os sentidos despertos

Ela ficou sossegada
Depois da minha visita
A desenhar os lençóis
Ficou ainda mais bonita

E a lua estava lá fora
Para além do firmamento
A fingir que não sorria
Desse espantoso momento

Nunca ninguém me tinha dito
Assim tão bem
Como alguém pode ser tão igual
Independentemente donde vimos,
Da cor da nossa pele,
Da nossa religião,
Do nosso dinheiro,
Da nossa moral

E a lua estava lá fora
Para além do firmamento
A fingir que não sorria
Desse espantoso momento
Desse espantoso momento
Desse espantoso momento.
"

'Dormia tão sossegada', Jorge Palma

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Imóvel

- Hoje temos...
- ... o nosso próprio escritório.

and so it started... again.


©

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Algures no Páteo Bagatela...

... mesmo que o italiano não fosse a língua mais forte, diziam que os pratos o eram.
- 94.
- 108.
Só o 29 hoje não havia, estava-lhe lá pré-existente: face a face.

©


Ah!, e começa assim:

"One central thesis of this book is that perhaps
we came back full circle: at the end of nearly a
century of modern planning, the problem of cities
remained much as they had been at the start.
"

'Cities of Tomorrow', Peter Hall

sábado, 7 de junho de 2008

Prioridades

- Hoje joga Portugal...
- Também. Mas mais importante, hoje o dia é nossso. Vinte e oito...

"O espaço público não é o que o se pensa... Estereótipo... Cada um o faz. Sintetizando, é um estereótipo inacabado, pois cada um faz o seu."

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Sleepless

Há dias em que de facto reparamos que o dia tem vinte e quatro horas. Sem tirar nem pôr.




"With a face like this I won't break any hearts
And thinking like that I won't make any friends

Screw that
Forget about that
I don't want to know about anything like that

I've got nothing to do, but hang around and get screwed up on you
I've got nothing to do, but hang around and get screwed up on you

Your beauty makes me feel alone
I look inside but no one's home

Screw that
Forget about that
I don't want to think about anything like that

I've got nothing to do, but hang around and get screwed up on you
I've got nothing to do, but hang around and get screwed up on you

But get screwed up on you
But get screwed up on you
"

'Screamager' Therapy?

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O ciúme da não presença

Esteve de partida, dizem. Está ausente ainda, confirmam esses que dizem. No rastreio, desmonto-lhes a cilada de linguagem, armadilhada só porque sim. Não está de partida e menos ainda ausente. Está. Está porque ancorada ao que fica, vincadamente incutida, marca indelével de não menos indelével doçura. Alheada apenas a figura física, o retrato imediatístico. O imediato não ultrapassa o engodo de um presente volátil que aguarda porto onde lançar âncora. Alheado, assim, tão somente o superficial, superficial que só por poucas vezes permite, e translucidamente, observar o cerne, ie, o substracto, a substância.

Mesmo agora estou contigo, porto tu que me és. Lanço ao mar as palavras desmontadas de quem a bonito se limita a conversa fácil. E o mar, ser indízivel e jamais enganável por jargões humanos, leva-as numa onda de retoma remetendo-as para marés perdidas. Sorrio. Estás como estiveste. Desde que te tenho que não mais deixaste de estar. Que diriam neste instante os que de arrogada sapiência, desmoronada à mais suave aragem do meu profundo pensamento, te viam longinquamente apartada? Tolos.

Hoje ficaste mais uma vez. Tal o foi todos os dias. Sistematizo a tua imagem numa heurística que o quotidiano oferece. Estamos. O teu sono – sonhos, crenças, valores, idiossincrasias, vontades – continua a ser o meu. E o sono mais não é que uma página de despertares, não melhores nem inferiores, mas cumulativamente complementares. Acordado, adormeço no teu abraço subliminar. Esfuma-se a aparência no arremate dos sentidos que, juntos, conjuram cumplicidade. De partida... Tolos.



©


"Esta ordem social é susceptível de, também ela, entrar em crise, sobretudo quando a sua estabilidade se opõe às mudanças do meio ambiente, de modo que à área de acção social e à área da ordem junta-se a da crise."

'O Retorno do Actor', Alain Touraine

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Ora, 2 e 3...

- Como disse?
- Vinte e sete.

the eternal idol, auguste rodin



"
[...]
I would fly to the moon and back if
You'll be
If you'll be my baby
Got a ticket for a world where we
Belong
So would you be my baby
[...]"

'To the Moon & back', Savage Garden

segunda-feira, 7 de abril de 2008

(quase) Capicua

- Aos 26.
- Aos 26, sim, conheci-te. Hoje quero mais, sim. Sim.




ainda que me repita:

"Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num dsfgds gsó

Eu Vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar
"

'Cada Lugar Teu', Mafalda Veiga

terça-feira, 1 de abril de 2008

Da ontogénese

- Creio existirem dias enfáticos.
- Então permite-me sonhar enquanto que, de olhos fechados, sopro; aos chamamentos...

girl on a bridge, edvard munch


"Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir.
Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir.
Numa outra brincadeira passam mesmo à beira sempre sem falar.
Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.

Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo: «O meu nome é Pedro e o teu qual é?»
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: «Sou a Cinderela».
Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela...

Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

Cinderela das histórias a avivar memórias, a deixar mistério
Já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério.

Ela, quando lá o viu, encharcado e frio, quase o abraçou.
Com a cara assim molhada ninguém deu por nada, ele até chorou...

Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

E agora, nos recreios, dão os seus passeios,
fazem muitosplanos.
E dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos.

E, num desses momentos, houve sentimentos a falar por si.
Ele pegou na mão dela: «Sabes Cinderela, eu gosto de ti...»

Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor
"

'Cinderela', Carlos Paião

segunda-feira, 17 de março de 2008

sexta-feira, 7 de março de 2008

... existe

- Sonhei.
- E tornámo-nos realidade.

purple robe, henri matisse


"O meu amor tem lábios de silêncio
E mão de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina

O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito

O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Separou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe
"

'O Meu Amor Existe', Jorge Palma

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Encostos...

Hoje, daqui a mais uns instantes, Palma no CCB.
Silêncio, que se canta música.



"Antes de teres aberto o bar
antes de teres mirado o rio
eu era alguémás costas de outro alguém
trouxeste mais contradições
trouxeste mais opiniões
e agora sou mais outro zé ninguém

finalmente só
finalmente a sós

quando eu já estava a sossegar
quando eu já estava a adormecer
vi-te dançar e a minha paz morreu
odeio a luz do teu olhar
quando não brilha só pra mim
pensei que fosses um brinquedo meu

finalmente só
finalmente a sós
"

'Finalmente a Sós', Jorge Palma

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Dos Enamorados...

No diz que diz, diz-se por aí que hoje, dia comemorativo de São Valentim, é ou se celebra, a fim de ser mais correcto, o dia dos namorados... Consta que tal celebração, não devida ao acaso, se deve nada mais nada menos à união dos casais enamorados. Talvez...

Hoje encontra-se padronizado pelos standarts das sociedades consideradas de consumo. O amor ao dinheiro, pretendem, vem numa desavença demasiado plácida subverter a ordem valorativa. Destituindo o investimento, em forma de troca financeira, aquilo que ao 'espírito' seria de legítima propriedade. Não concordo, discordância que todavia só justificada assume um rol de verdade.

Não me demito do sentimento, sentimento que deveria redigir, evitando a angústia da ambiguidade, em letra maiúscula. Fazê-lo, demitir-me de tamanha grandeza, significaria demitir-me da própria vida. E da vida, creio, não é hora ainda de me demitir. Por conseguinte...

Por conseguinte exijo-me a reparar o dano. Mais não seja, tendo em mente aqueles que desta tarefa são merecedores. Muitos. Por conseguinte, o amor existe e deve, aquém obrigações, ser celebrado. Por conseguinte, o amor não pode jamais ser remetido em exclusivo para data única e instituída. Por conseguinte, a "obrigação" voluntária de celebrar o sentimento por excelência deve ser praticada no quotidiano dos dias vividos.

Portanto, porque amo. Arremato aqui com ponto final. Por quem não esqueci, não esqueço e não esquecerei.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Olha que Dois!

Era uma vez – sempre gostei de estórias iniciadas com 'era uma vez' – um mais outro um. Na existência de um espaço de interrupção que os mantinha até então ainda apartados, evidenciavam a sua natureza isolada; à data o dois, pregados um mais um numa solidão dormente, não transpunha a miragem de um sonho que experienciasse comunhão, ora latente ora desperta, afinal desejada. Eram um mais um, um mais outro; coisa bem distinta de um com um, um com outro. Eram únicos, porém continuam tanto quanto continuarão a sê-lo. Únicos, contudo de maneira a que inevitavelmente sós. Não que fosse mau, todavia longe de ser bom... inacabados, talvez seja a expressão que melhor lhes assentasse; construções em demasia inacabadas...

Um dia quis o desígnio dos pozinhos mágicos das estrelas e demais fragmentos do cosmos que tal circunstância se revolucionasse. E alterou-se, numa transformação cumulativa. Um mais um constituíram-se no dois; um com outro, um com um. Assim, únicos sem que para tal isolados, moldaram as suas peças, esquematizaram uma vida conjunta onde dois seres individuais consubstanciam o sem paralelo da integridade. Seria pouco considerar tratar-se de relação simbiótica. Atravessavam-se, fundiam-se, conheceram-se dois como um integrado. Osmose, era o termo que me faltava nesta descrição de pureza e de partilha que comungada se alcança. Atingiram a imperfeição mais perfeita. Um e outro, juntos com; dois.

Crêem hoje, estória de fadas vista real, ser um um universal e já historicamente indivisível, irredutível às partes. É certo, o dois complementado neste um abrange o manancial das suas partículas individuais, das exclusividades características, dos traços particulares. Não obstante, sonham sonhos conjuntos, contam o futuro que ainda não chegou em linha escritas por duas mãos que sobrepostas se confundem numa e numa apenas. Dois num. Também o dois pode ser um, e assim ditam o passado e o presente que vão redigindo essas linhas do tempo por vir. São um com um, dois. São dois que existem num um. Trajectos como os contados fazem as estórias que os livros narram. Há estórias felizes. Escusa-se a pensar no fim. Apenas que há estórias felizes. Talvez, quem sabe, a sua herança venha a descrevê-las: pequenos menininhos e pequenas menininhas que a seu tempo irão igualmente buscar pela ternura do dois.

Enfim, hoje contam, um com um, dois.




“Nalguns casos, duas pessoas comunicam a sua disponibilidade para a relação sem sequer um contacto físico, sem uma palavra, mas através de um conjunto de estímulos subliminais.”

'Sexo e Amor', Francesco Alberoni

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Um pouco à Proust...

Ando à procura do mundo - da minha tese - perdido. O pior é que sei que ele lá está, que existe. O maior mal é que não o encontro ao certo. Entretanto, o tempo, esse, esvai-se...



"Pungent smells
They consumate my home
Beyond the black horizon
Trying to take control
See my girl
She shivers in her bones
The sun and zenith rising
Trying to take us all

There's a fire between us
So where is your god?
There's a fire between us
I can't get off the carousel

The sickening taste of homophobic jokes
Images of fascist folks
Beam me up 'cause I can't breathe

Spaceman
I always wanted you to go into space man.
Intergalactic christ

It's time to terminate this great white world
Morbid fascination
Television takes control
Decimation
Different races fall
Electronic information tampers with your soul

There's a fire between us
So where is your god?
There's a fire between us
I can't get off the carousel - I can't get of this world

The sickening taste of homophobic jokes
Images of fascist folks
Beam me up 'cause I can't breathe

Spaceman
I always wanted you to go into space man - Intergalactic christ
"

'Spaceman', Babylon Zoo

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Ao tac 23...

Há uns dias foi prendado com uma oferta surpresa. É maravilhoso sabermos que ainda nos conseguem surpreender e que, decerto, continuarão a consegui-lo. Faz bem recordar que os dias que importam não são só aqueles que temos por 'instituídos', mas sim que estes últimos, para além da sua essência pelo signo de que se constituem, exortam e exaltam os restantes dias dos nossos quotidianos vividos.
Por isso e por muito mais torna-se evidente a impossibilidade de esquecer. E quem, nestes moldes e no seu perfeito juizo, pretenderia entregar-se ao vazio de um imaterial vácuo de emoções?


©

"Molti mari e fiumi
attraversero
dentro la tua terra
mi ritroverai
turbini e tempeste
io cavalchero
volero tra il fulmini
per averti

Meravigliosa creatura sei sola al mondo
meravigliosa creatura paura di averti accanto
occhi di sole mi bruciano in mezzo al cuore
amore e vita meravigliosa

Luce dei miei occhi
brilla su di me
voglio mille lune
per accarezzarti
pendo dai tuoi sogni
veglio su di te
non svegliarti
non svegliarti
non svegliarti... ancora

Meravigliosa creatura
sei sola al mondo
meravigliosa paura d'averti accanto
occhi di sole mi tremano le parole
amore e vita meravigliosa

Meravigliosa creatura un bacio lento
meravigliosa paura d'averti accanto
all'improvviso tu scendi nel paradiso
muoio d'amore meraviglioso

Meravigliosa creatura
Meravigliosa
occhi di sole mi bruciano in mezzo al cuore
amore e vita meravigliosa"

'Meravigliosa Creatura', Gianna Nannini

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

2008

O novo ano trouxe chuva. É bom lavar o rosto. E, depois de enxuto, observar o de quão bom temos. Recupera a alma, (res)salvando-a.



"Step one you say we need to talk
He walks you say sit down it's just a talk
He smiles politely back at you
You stare politely right on through
Some sort of window to your right
As he goes left and you stay right
Between the lines of fear and blame
You begin to wonder why you came

Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

Let him know that you know best
Cause after all you do know best
Try to slip past his defense
Without granting innocence
Lay down a list of what is wrong
The things you've told him all along
And pray to God he hears you
And pray to God he hears you

Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

As he begins to raise his voice
You lower yours and grant him one last choice
Drive until you lose the road
Or break with the ones you've followed
He will do one of two things
He will admit to everything
Or he'll say he's just not the same
And you'll begin to wonder why you came

Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life [...]"

'How To Save a Life', The Fray

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Contagens

E assim se termina e encerra um ano. Começa outro. Continue-se; porque livres juntos.


"Toda a guerra é baseda no engano."

'A Arte da Guerra', Sun Tzu

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Dois patinhos

Desconheço a origem deste dito popular, que dois dois, um a seguir ao outro ou ao inverso, pois que este número capicua, se conheçam como sendo os 'dois patinhos'. O que é certo é que hoje arrecada sentido especial. Só dois, neste dia de vinte e dois; dia, por pertença, dos dois. Podemos trocar de lugar que pouco importa, seremos na mesma dois, os dois. Aos vinte e dois quero tanto quanto sempre os dois juntos, a ordem não é relevante já que nos saberemos sempre ler; semelhantes, porque apenas quase iguais nas diferenças que nos unem; semelhantes, porque inerentemente iguais noutra união que é a da partilha unificada que atravessa transversalmente todas as similitudes que evocam comunhão.

Vinte e dois, par orgulhosamente só na modéstia de quem não está nem estará em vivência isolada. Não é bom estar-se junto sem companhia alheia? Sim. E não. É bom estar-se só com e junto em. Como são delicadas mas tão fortes isoladas conjunções; com mundos de gentes, tanto quanto como na unicidade que, juntos, nos torna singulares.

©


“All that you touch
All that you see
All that you taste
All you feel.
All that you love
All that you hate
All you distrust
All you save.
All that you give
All that you deal
All that you buy,
beg, borrow or steal.
All you create
All you destroy
All that you do
All that you say.
All that you eat
And everyone you meet
All that you slight
And everyone you fight.
All that is now
All that is gone
All that's to come
and everything under the sun is in tune
but the sun is eclipsed by the moon.

«There is no dark side of the moon really. Matter of fact it's all dark.»”

'Eclipse', Pink Floyd

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Outros lugares...

Mais algumas horas apenas e parte-se. Rumo a outra cidade. Rumo, nesta ida, à Covilhã.
Horas de trabalho, investimento, mas também de lazer, pagode.
A primeira paragem é na cama; o restante do roteiro continua-se de seguida.
Até já...



"Well we know where we’re goin’
But we don’t know where we’ve been
And we know what were knowin’
But we cant say what we’ve seen
And were not little children
And we know what we want
And the future is certain
Give us time to work it out

We’re on a road to nowhere
Come on inside
Takin’ that ride to nowhere
We’ll take that ride

I’m feelin’ okay this mornin’
And you know,
We’re on the road to paradise
Here we go, here we go


[...]"


'Road to Nowhere', The Talking Heads

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Tão simples...

Quantas vezes nos esquecemos, guardadas para nós num mutismo ignorante, de verbalizar coisas simples e tão simples que, amiúde, as temos como garantidas? Mais do que devíamos, creio. É fácil não lembrar, mesmo quando não esquecemos; humanos demasiado humanos, diria um mestre... Mesmo assim, nada é garantido; nem mesmo o dia de amanhã. Não se trata de um fatalismo obstruso, antes, quiçá, de uma realidade provável.
Apetece-me sair desse casulo do silêncio, dizer-te sem meias palavras o espéctaculo com que a natureza te prendou; e, noutra medida, a mim também. És linda, sabias? Nunca a memória se encerra na omissão do facto que se constata, mas prende a mente a sua exteriorização que tão afiançada guarda para si. Quero também que não te permitas a tamanho olvidamento, que saibas pelo meu saber o quão bela te acho, o quão bela és aos melhos olhos, o quão real é a tua beleza. Podias sugerir que é o meu olhar, deformado por imperfeições a si inerentes quanto a outras tantas que do exterior desfocam a lucidez de quem vê, mas sabes que não. Que mesmo no meu silêncio são estes meus olhos que te comunicam, num esgar ou vislumbre contínuo, o que a boca, menos por desleixo do que pela tácita certeza do facto, teima em excesso não enunciar ou exprimir com a clareza de quem fala imune a ruídos comunicantes. A tua face que enleia os meus sentidos, com os teus olhos melados a mel pintados, os teus lábios que permitem escapar um sorriso embriagante, a tua testa incapaz de esconder outra belezas ocultas, essas orelhas que são o refúgio dos ouvidos que me escutam, o teu nariz que me toca gelado numa imensidão de brasas. O teu corpo, que tão bem corresponde aos predicados dessa natural beleza, toscamente por mim descrita, como à que se constrói em torno de todo o teu eu. Porque ficam tantas vezes, demasiadas, por declarar as palavras que mereces e que tão bem te descrevem? Temos medo da repetição, o receio de babar palavras que assim se tornariam, tolo receio, banais. Consequência, calamos em excesso aquilo que não se deixa babar pela banalidade, esquecemo-nos que estamos esquecidos de dizer. Rompo com o vício desse círculo, exalto-te: és linda, sabias? És mesmo. Princesa no teu reino, não me esqueci.
É tão simples. Tão simples dizer que. Diz-lhe.


"Oh I, I just died in your arms tonight
It must have been something you said
I just died in your arms tonight

I keep looking for something I can't get
Broken hearts lie all around me
And I don't see an easy way to get out of this
Her diary it sits on the bedside table
The curtains are closed, the cats in the cradle
Who would've thought that a boy like me could come to this

Oh I, I just died in your arms tonight
It must've been something you said
I just died in your arms tonight
Oh I, I just died in your arms tonight
It must've been some kind of kiss
I should've walked away
I should've walked away

Is there any just cause for feeling like this?
On the surface I'm a name on a list
I try to be discreet, but then blow it again
I've lost and found, it's my final mistake
She's loving by proxy, no give and all take
'cos I've been thrilled to fantasy one too many times

[...]"

'(I Just) Died In Your Arms', Cutting Crew

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

L'Année XXI

O dia nascera ainda era de noite. Não seja de estranhar, no nosso plano geográfico assim é sempre. Foquemos, porém, outros cuidados que não este. Germinava novo dia, sol cortinado pela noite. O Óscar, senhor mocho de carvão parido, contemplava no corredor, olho inevitavelmente arregalado. Do alto do chão, onde tem poiso e altar, percebia as movimentações inquietas polvilhadas, a condimento, por um frenesim a meio que encoberto. Sabido, este recente nascituro que alcançava o significado de tal circunstância; restava-lhe ainda, à circunstância, devida pompa. De pajem se passa a cavaleiro, assim ditam os olhos que também assim querem olhar. Montava garupa buscando pela essence de femme; perfume de mulher, traduzindo com eloquência mais que merecida: por ela, mulher princesa, do que pela essência construída mesmo que adequada. Encontrou igualmente o nosso cavaleiro correspondência dedicada àquele ser que amava com pureza acima de qualquer outro semelhante: aliás, aí residia, sabemo-lo, o segredo desse ente, a unicidade de ser único; única.

Às primeiras badaladas dos primeiros minutos do ano XXI reencontrou-se com a sua musa, com aquele especimen tão adorado; exclusivo, dissemo-lo. Sussurrou-lhe palavras doces que se viam legitimadas pelos gestos meigos que as acompanhavam, em sintonia harmoniosa de coisas e pessoas que se complementam; que crescem na incessante procura de, juntas, se completarem. Os homens dão um nome a este sentimento, encontram formas de o endeusar por ser seiva que escorre dos próprios deuses. Momentos que gotejavam felicidade ao mesmo ritmo que pálpebras pestanejam, dança idílica maravilhosamente semelhante ao cintilar dos astros que desta maneira trocam, em dádiva, as suas cumplicidades. E o cavaleiro é prendado por sorriso que faria corar de inveja aqueles que a lua tece, pela ternura que acalenta uma alma como a fogueira preenche com o seu calor os mais destemidos que se lançam à aventura ao largo de espaços abertos do desconhecido.

Abraçados, amavam-se e disso tinham consciência. As suas preces ao alto destinavam-se a agradecer essa divina oferenda que o cosmos a eles havia montado em magistral esquisso. O escuro do dia era para durar, restavam horas até que a aurora despontasse. Num leito ninho, mais alto que aqueles das aves de rapina das montanhas, não menos distinto que os do monte Olimpo, alimentavam a sua fábula vivida no real. Encostavam cabeças com ternura, enroscavam pernas e braços como se, ávidos, de dois quisessem que apenas um único ser, roçando a perfeição que tão negada é ao mundo empírico, resultasse em fusão dos seus esforços realizados sem esforço. Também a noite do dia os abraçou, num sono profundo e descansado, sabendo-se ali um com o outro.

Quem diz que as estórias são estórias, fábulas inconcretizáveis no mundo real dos adultos?




“Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar

Chegado da guerra, fiz tudo p'ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p'ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim

Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim
”

'Encosta-te a Mim', Jorge Palma

domingo, 7 de outubro de 2007

E aos vinte...

... temos a mania que somos crescidos, gente adulta que faz por si própria e não quer saber ouvir pois que diz que não precisa nem doutrem nem de opiniões estranheiras aos seus egos.
No seio desta surdina atabalhoada dos pequenos reis crescidos, eis que surgem aqueles que crêem ter ainda muito por aprender, que podem ser bravos e orgulhosos, mas também humildes e modestos. Também estes nos vinte. Porém, sem a necessidade de cobrar ao mundo, como os demais empertigados, obra que lhes devesse. Esses sabem viver, procuram a vida ao invés de esperar que seja esta a vi ter consigo. É por isso que hão-de contar muitos mais vintes e muitas menos frustações: amam-me a si próprios, não narcísicos mas apolos comedidos: sabem do sol e da sombra. É por isso que as estrelinhas continuam a poeirar com os seus resíduos cósmicos estórias de brilho irreprimível...


©


"Num dia frio de Inverno,
um grupo de porcos-espinhos tinha-se mantido unido
para se defender mutuamente do gelo
por meio do seu próprio calor. Mas ao mesmo tempo sentiram
os golpes dos seus picos o que os fez afastarem-se
uns dos outros. Quando a necessidade de se aquecerem
os aproximou de novo, o mesmo incoveniente ressurgiu,
de modo de bambaleavam entre os dois
sofrimentos."

'Parerga et paralipomena', Arthur Schopenhauer