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segunda-feira, 28 de abril de 2014

sem que valha a pena parar para pensar

e de um dia para o outro tudo volta a ficar bem, de regresso à dita normalidade; falo da esfera do 'escritório', esclareça-se.

se sei o que é ironia?

Não interessa o que fazemos bem. Curioso que quando fazemos mal todos e mais alguns nos caem em cima. Infalível. Que raça de raça.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

azias pós além-tejo

Praticamente uma semana volvida desde o regresso de Évora. Não sei ainda, não consigo saber, nem me vejo capaz de formar opinião sobre o congresso em que também fui participante. Da minha prestação nada menciono, não gosto dessas coisas de autoavaliação; ou isso é o que agora sustento, sei lá. Sou talvez capaz de adiantar, embora com tímida convicção, que me constipou o estômago que, tadito, tarda em sossegar. Há pessoas de índole básica, ainda que de arguta inteligência, há pessoas que, enfim, já não me surpreendem com uma certa mesquinhez primária; e o tal estômago constipado revolve-se outra vez. Os congressos são feitos de pessoas. Não - lhe - consigo realmente formatar opiniões... talvez os dias futuros, numa acepção mais próxima, possam vestir-se com uma indumentária mais colorida; duvido, por aquilo que vou conseguindo antecipar. Tratou-se, isso sei-o, de um congresso marcante: resta percepcionar-lhe os sentidos - o, agora, mais difícil.

domingo, 4 de agosto de 2013

Da pobre à nobre escolha ou ser-se fiel ao eu

Há-o essencial e acessório. Nem sempre os distinguimos. Não porque não possamos. Simplesmente porque nos é conveniente baralhar um com o outro. Sabemos. Desejo o acessório. Vivo, todavia, para o essencial. É evidente que não sou imune ao jogo de baralhação. Contudo, como sustido, bem sabemos separar águas. Está-nos no sangue. Deixemo-nos da miserável desculpa, tão oportunista quanto nós lhe somos tolerantes. Saber, sabemos sempre. Basta de nós observar aquilo que nos é reflexo. Bem simples. Teimamos, atreitos à fome do de que é fácil, em complicar. Tu sabes. Desculpa...

sábado, 27 de julho de 2013

dos projectos

A um mês de aterrar em Turim. A expectativa é enorme. A paciência, essa, vai-se mantendo bem saudável. Já só um mês...

sábado, 22 de junho de 2013

terça-feira, 4 de junho de 2013

shuffle mode

Lavar os dentes às sete da manhã com os headphones do i-pod ainda no ouvido por noite não dormida e prestes a ir para o labor é demasiado metrossexual para mim.

sábado, 27 de abril de 2013

perché sì

Final de Agosto em Turim. Lazer e trabalho. Nos tempos que correm é amiúde mais ajuizado juntar ambos. Ainda falta, demora; até lá.
Escuso-me a questionar-te se vais. Era bom, era mau. Há quanto ando a evitar um clash profissional? Receio-o por mim, por ti, por nós? Por tudo isso. Porque somos implacáveis, ambos, quando imersos na nossa subcultura do métier. Coadunaríamos as distintas esferas, a pública e a privada, com a devida eloquência? Creio que só o fizemos uma vez; não ficou qualquer vontade para um remake. Se fores... se fores, é bem ignaro sustentá-lo mas enfim, talvez por esta vez fosse mais prudente cada um no seu hotel, no seu quarto, suprimindo quanto possível o encontro. Repartíamos Torino em quartieri previamente balizados: uma para mim, outra Torino para ti; a intersecção profissional seria espaço-tempo e território neutros. Quero-nos paralelos. Temo que se cairmos na fácil tentação destes momentos para a competição... destruímo-nos, não saberíamos parar e somos feitos de uma argamassa excessivamente inflexível e arrogante nalguns domínios muito próprios. Fracos, feios, impiedosos porque não sabemos perder; já soube, todavia não há armistício que possa garantir: sabes, cogito em desabafo, as pessoas mudam. Mudam e permanecem mais iguais, mais fieis a elas próprias. Noutras calendas silenciar-me-ia com um sorriso a vincar o rosto e deixava-te mais às tuas hostilidades afundar a minha frota; ou que assim o julgasses, fosse como fosse - porém, não é mais assim. Mudamos. E firmamo-nos mais iguais. Não vás...

terça-feira, 5 de março de 2013

no excuses, they say

- Já escrevias.
- Tenho que voltar à escola.


"My reflection, dirty mirror
There's no connection to myself
I'm your lover, I'm your zero
I'm the face in your dreams of glass
So save your prayers
For when we're really gonna need'em
Throw out your cares and fly
Wanna go for a ride?

She's the one for me
She's all I really need
Cause she's the one for me
Emptiness is loneliness, and loneliness is cleanliness
And cleanliness is godliness, and god is empty just like me
Intoxicated with the madness, I'm in love with my sadness
Bullshit fakers, enchanted kingdoms
The fashion victims chew their charcoal teeth
I never let on, that I was on a sinking ship
I never let on that I was down
You blame yourself, for what you can't ignore
You blame yourself for wanting more
She's the one for me
She's all I really need
She's the one for me
She's my one and only
"

'zero', smashing pumpkins

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

colaterais

Irritadiço e a descarregar a frustração em colegas que nada têm a ver. Mesmo que de forma encapotada e não mal-disposta é coisa que não se faz. Sabes mais do que isso. Shame on you mr. pma.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

espiral

Percorro a casa a fazer mil coisas sem nada realmente fazer. Não, não sei o que faço. Nem o que digo. O que penso. Estou só certo do que procuro e não encontro porque não está. Perdido. Não é a primeira vez. É normal. Já passa. Encontra-me.
 
"i've been under the gun
i've lost and i've won"
 
'under the gun', sisters of mercy
 
 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Fábula. Para graúdos.

Cheguei ofegante e atrasado. A rampa de betuminoso que conduz ao edifício que tanto queria alcançar parecia não ter fim, como nos filmes. Dentro do edifício, outro obstáculo. Dois lanços de escadas para trepar. Passei o computador para a mão esquerda e ajudei o trote com a mão direita a puxar contra mim o corrimão. Os restantes metros eram fáceis. Com todos repentinamente a voltar os seus olhares para mim, entrei na sala.
O músculo cardíaco bombeava sangue a uma velocidade vertiginosa. Porém, sentia que as gotas de adrenalina tinham deixado de pingar e iam, suavemente, deixando de fazer efeito. Começara o processo de recuperação do esforço a que me obrigara. Limitei-me a olhar de frente, fazendo-me por esquecer os rostos que em mim se fixavam com espanto e talvez também com uma atitude de quem pretende repreender. Depressa, contudo, se tornaram mais afáveis para comigo, talvez o meu cansaço tenha despoletado sentimentos opostos àqueles que gostariam de imprimir naquele instante. Seja lá como for.
Vi os teus olhos meigos, ainda que chispados devido a um atraso que vias injustificado e injustificável, cruzarem-se com os meus. Nem soergueste o queixo mais do que os milímetros estritamente necessários para me confrontar. Mantiveste-te profissional, fazendo regressar a tua atenção para com a jovem à tua frente. Profissional. Profissionalíssima. Jamais alguém entendeu que por breves instantes havias quebrado a conexão com a minha colega. Só quando os demais te interromperam é que te dignaste a prestar-me atenção. E não tinhas outra hipótese, eu agora estava ali e tinha todos os outros como testemunhas. Ah, afinal sempre conseguiu vir, colega – brindaste tu com mágoa e desalento, talvez mesmo com umas acendalhas de rancor, evitando sempre, e com um brilhante sucesso, que os demais desconfiassem do laço que nos vai unindo.
Observei a plateia de luxo à qual ia servindo um sorriso mesclado de saudação e de sincero pedido de desculpa pela chegada tão em cima da hora. Percebi, desde logo, que havia perdido a pole position para outros colegas, mas estava longe do meu pensamento resmungar. Aliás, como poderia? Ainda que tivesse manifestado qualquer desagrado sabia que me desintegrarias, primeiro com o teu olhar e de seguida com um discurso ameno, como é teu hábito, mas prenhe de considerações que me embaraçariam até às entranhas – e como tu, melhor do que ninguém, o sabes fazer. Colega, as minhas desculpas por este atraso indesculpável, lamento imenso, um imprevisto… e fiquei por aí, com as palavras a voarem perdidas e inacabadas no ar, até porque nem eu mesmo saberia inventar mais o que acrescentar. Nem valia a pena. Sorriste, sempre impecável com a postura correcta e dada à situação, e nesse sorriso ordenaste-me que me calasse e que tomasse um lugar sem delonga e tentando incomodar o menos possível todas as pessoas que estavam já sentadas nos seus lugares – e tudo isto sem precisares de proferir uma única palavra, imagine-se. Entre os desculpe e obrigado, lá abanquei num lugar miraculosamente vago junto à janela. Expirei o mais fundo que consegui, coisa que não fiz de forma ciente, e pedi ao meu coração que me desse tréguas, cavalgando um pouco menos depressa, e à minha garganta que não fosse tão ríspida comigo, seria o mais célere possível em atribuir-lhe a água por que tanto, e justamente, reclamava.
Agora com o netbook colocado em cima do tampo da mesa recordei-me que na noite pretérita te havia trocado pelo computador. Tentei evitar entrar em conflito comigo mesmo por causa desse acontecimento e por isso girei a cabeça em direcção ao vidro da janela que me apresentava uma paisagem bem distinta daquela que eu percorrera até estar finalmente no interior do edifício. Ia começando a inquietar-me com o sucedido na noite que passara quando a tua voz interrompeu, decidida, o meu raciocínio. Agradeci-te por essa façanha mais tarde, se bem que na realidade nunca to tenha dito. Sobranceira e cândida eras a única pessoa erguida na sala. Todos te olhavam, todos te escutavam, todos bebiam a tua fonética e os teus gestos, delicados como se ensaiados ao pormenor. Estavas bela. És. Finalmente sossegado, com o ritmo cardíaco novamente a funcionar como a mais bem cadenciada das máquinas, a garganta afinada ao detalhe e desprovido de qualquer vestígio de suor que o esforço impusera à minha testa, ao meu pescoço, às minhas mãos e onde mais ele se tivesse instalado. Apurava a audição, já não comprometida pela respiração ofegante e assíncrona de minutos atrás, e ordenava aos miolos que se concentrassem no motivo que me havia trazido ali; obtive cem por cento de sucesso. Todavia, permanecia com o maior dos cuidados, continuava a temer-te. Se tinhas boas razões para não estares de bem comigo, hoje havia-te dado ainda mais, as suficientes para que estivesses honestamente zangada comigo. Cerrei os olhos por uns instantes. Firmei os maxilares um no outro, foquei-me: não havia mundo para além daquela sala.
Apresentaste os intervenientes de maneira tão sóbria e simultaneamente tão dócil que isso te valeu uma valente ovação no final. Confesso, inclusive, que fiquei com uma pitada de ciúme, já sabes como sou. De seguida sentavas-te e escutavas como se te tivessem transportado para um recital de piano e cordas, imperturbável, serena e sempre com o teu sorriso jovial desenhado na face. Quase me distraías, mas também eu nestas circunstâncias sou imperturbável, se bem que nada airoso como tu consegues ser, antes o inverso: nota-se a tensão nas minhas têmporas, os olhos tremendamente sérios coadjuvados por um arqueamento forçado das sobrancelhas, o semblante empedernido como o de uma estátua talhada mais de um milhar de anos antes do nosso tempo. Somos tão diferentes. E tu és sempre mais bela. E eu, eu sou o pragmático, implacável com os erros, próprios ou alheios, o tipo sisudo que serve para aquilo sem que no entanto cative quem quer que seja no que remete para fora desse cenário. Como te cativei? Essa pergunta já rodou o meu cérebro milhões de vezes e nunca encontrei qualquer tipo de resposta satisfatória, nenhuma hipótese inabalável, nenhuma síntese digna de verdadeiramente o ser. Como? Considerado ao contrário, a resposta é tão óbvia que quase roça a suspeita; mas não, é inapelavelmente verdadeira. Ganhaste a minha confiança em segundos, obtiveste a minha simpatia sem que eu me questionasse: bastou-te seres tu. Contudo… e eu? Como agradei o teu olhar, olhar esse que se ancora a uma aguda inteligência e astúcia? Quando to pergunto, enleando ou em proposição directa, sorris e piscas os olhos um pouco mais depressa durante uns escassos segundos. Alguma vez me irás permitir saber? Isto é, saber dizendo-mo tu frontalmente e em palavras que eu consiga interpretar.
O tempo correu depressa, ou pareceu-me que sim. O nível de argumentação era muito bom, superior à média do que já experenciei em vivências lá fora, nalgumas das capitais do conhecimento da Europa. Dignificava a nossa condição, a nossa arte. Tinha ficado, por força das circunstâncias que eu próprio construí através do meu atraso despropositado, com a última posição. Nem por isso verguei ao peso da responsabilidade. Ergui-me e sentei-me com convicção, não cedendo nem exagerando no meu acto encenado. Tracei o meu sorriso profissional – gosto de o chamar assim, pois deposito toda a fé no facto de que mais nenhum dos sorrisos no meu lote de sorrisos é tão sui generis como este – e encarei todos de frente, destemido como um soldado que oferece o peito ao chumbo pela sua pátria, pelos seus valores, pelos seus ideais; e não tombei. Entretanto a tua voz preenchia graciosa o ar daquele espaço. Escutava-te atentamente, falavas de mim, de quem eu era – e sou – numas míseras quatro ou cinco frases não muito alongadas. Estou a ser injusto, sei que procedeste de igual para com os que me antecederam. Estávamos todos condicionados pelo tempo e não eras, nem podias ser, excepção. Evitei ao máximo olhar-te, e fui bem sucedido, enquanto me enquadravas no seio daquele cenário, não fosse a minha máscara dissipar-se e trair sentimentos mútuos, esforcei-me portanto por transparecer uma concentração real e credível face a todos os que assistiam. Iniciei e terminei com total ausência de sobressaltos. Talvez até com uma certa ausência de mim. Talvez, não. Indubitavelmente. O comportamento na presença daquele público em particular obrigava a que eu, escondendo, renunciasse a uma parte de mim; fi-lo sem pejo nem pudor.
Seguiu-se uma discussão que guiaste e que pecou tão somente pela razão de ter sido excessivamente célere quando se pedia por mais. Contudo, tínhamos um horário a cumprir. Se não fosse cumprido, com o mínimo de rigor, seria o bastante para instalar a entropia na ordem de trabalhos. Zelaste imaculadamente por esse cumprimento. No final, quando proferiste o discurso conclusivo, ofereceste-me um mimo absolutamente inesperado: citaste um trecho do meu trabalho, preterindo assim das palavras de outros que pelo estatuto em que estão envoltos deveriam ter sido a tua escolha. O meu sorriso profissional manteve-se fiel e as restantes expressões possíveis do meu rosto ou do meu corpo alinharam, também elas, no mesmíssimo sentido. Só bem mais tarde te soprei ao ouvido a minha gratidão. No corredor, já fora da sala quadriculada, fui assomado por pessoas que queriam o meu e-mail, que não tinham conseguido apanhar na íntegra durante a exposição, algumas falando num português estrangeiro a Portugal. Não tive oportunidade para ficar surpreso, logo me vi enfiado em conversas que se desenrolavam em pequenos grupos, onde uns falavam e a maioria se limitava a escutar numa posição de espectador manifestamente assumida. Enquanto também eu dava ao verbo, passaste por mim de rasante e apertaste-me a mão esquerda que logo abandonaste com uma festa delicada dos teus dedos. Tão rápida e tu tão senhora de ti que ninguém reparou: só nós o sabíamos. Porém, e por mais que muita que fosse a vontade, não me podia permitir a abandonar o local. Sabia igualmente que tinha outro encontro marcado para logo, logo, cujo assunto era e é demasiado sério para se deixar ao incerto abraço do acaso. Deixei de pensar até em ti, aquela ambiência absorvia-me por completo e em absoluto. O cérebro trabalhava com um objectivo excluso, o meu pensamento era redutor, imerso naquela realidade.
Abandonei o edifício cerca de cinco horas mais tarde. Não te voltara a ver, o que até então não me perturbava. Estava embriagado na minha própria euforia. Creio mesmo que terás reparado e que se não nos encontrámos mais vezes durante essas cinco horas terá sido inclusivamente por obra tua, evitando-me propositadamente. Transpus o portão de saída saudando o segurança e só olhei, e de soslaio, uma única vez para trás. Alguém chegava de táxi, deixando-o vago. Logo desisti de ir até à rotunda da Boavista a pé como prometera fazer para compensar o meu desleixo com o exercício físico, o que ocorre demasiadas vezes mesmo que de tal esteja perfeitamente ciente. Fiz sinal ao condutor. Anuiu, podia entrar. Para o aeroporto, se faz favor. O acelerador foi pisado e o veículo depressa se pôs a galgar primeiro metros e depois quilómetros. Para o aeroporto, pensei para comigo. Carregava a sensação de um vazio, à qual decidi não atribuir importância. Desejava desesperadamente o avião do meu voo, regressar a Lisboa. Tudo o mais era mero ruído residual em torno de mim. No check in perguntaram-me se não viajava com bagagem que quisesse despachar para o porão do aparelho. Asseri que não, agradecendo. Caminhei, todavia, inseguro para as portas de embarque. Exactamente como aquando do percurso inverso, coisa extremamente rara, o aparelho de detecção de metais optou por me dar tréguas e não buzinou à minha passagem. Parei no número trinta e três e recostei-me nas desconfortáveis cadeiras de aeroporto. Qualquer coisa mexia comigo, mas o pensamento teimava em manter-se redutor, tal qual seis ou sete horas antes. A sensação de desconforto transmutou-se de assomo para presença inquestionável, era demasiado premente. Revi parte do trajecto. Detive-me nas memórias do check in. Qualquer coisa sobre bagagem. Porra! Nem me despedi dela! Enfiei a cara nas mãos formatadas em concha, esfreguei os cabelos com força e pertinácia. Merda, merda, merda. Miolos de merda. Provi, contudo, de me acalmar: nada podia fazer agora que alterasse o rumo dos acontecimentos. Mais uma vez, o que precisava era da cabeça fria. Ergui-me de imediato num impulso, estaquei e reli os painéis de embarque. O voo dela seria só no dia de amanhã e não estava ainda contemplado na listagem. Quanto ao meu pouco restava, deixando-me com uma escassíssima margem de manobra. Pela primeira vez desde que saíra daquela sala, não fazia a menor ideia do que fazer, de como agir. Então agi da maneira em que, literalmente, sou perito: não agindo.
Prestes a embarcar, sobravam três ou quatro pessoas na linha, decidi-me a enviar uma sms. Três letras, um hífen, mais duas letras, um ponto final. Mal o relatório de mensagem entregue surgiu no visor, desliguei o telemóvel. Entrei no aparelho, dirigi-me ao meu assento, confirmei se o i-pod estava desligado, coloquei o cinto de segurança, tudo com um automatismo que noutras circunstâncias certamente despoletaria em mim sentimentos de náusea e de horror. Meia-hora de viagem, após a qual um inferno até ao dia seguinte ou, quiçá, até ao outro e ao outro e ao outro. Enterrei a cabeça no encosto. Fechei os olhos e implorei ao meu cérebro que se desligasse por uns minutos. Nem tinha dado conta do quanto estava exausto, intelectual e fisicamente. Voltei a olhar o Porto, agora pela janela e noutra perspectiva. Estava escuro, noite feita, e as luzes da metrópole da Invicta pouco mais permitiam do que alguns vislumbres do seu tecido. Volvidos vinte minutos e estaria a aterrar na Portela. Sem ti. Sem um beijo teu. No Porto ficara o que mais importa, a bagagem que verdadeiramente merece consideração. Até amanhã, sussurro bem baixinho e, desta feita, com o mais honesto e doce dos meus sorrisos. Até amanhã…


©

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Enfático

Como é bela, a Airosa Academia. Música da minha vida...

"Aquela era uma experiência há muito esquecida, do seu tempo de estudante: não só estar atrasado, mas sentir-se ignorante, incompetente e infeliz, com todas as outras pessoas misteriosamente sabedoras, como que coligadas contra ele." 

'Solar', Ian McEwan

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Captações a cores

E, num instante, o sol volta a brilhar. Nem tudo pode ser mau, como em sapiência assere a rapaziada que chamamos povo.
Agora com a pena aplicada ao acontecimento no Porto e com os miolos a pensar já em Barcelona. Cool 'n' no stressing.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

A oeste, na metrópole

Começo mesmo a ficar farto desta merda. Todavia não se interprete precipitadamente: só desisto quando reiteradamente me atropelarem o cadáver.


©


"I walk a lonely road
The only one that I have ever known
Don't know where it goes
But it's home to me and I walk alone

I walk this empty street
On the Boulevard of Broken Dreams
When the city sleeps
And I'm the only one and I walk alone

I walk alone
I walk alone
I walk alone
I walk a...

My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'til then I walk alone

Ah-ah, ah-ah, ah-ah, aaah-ah,
Ah-ah, ah-ah, ah-ah

I'm walking down the line
That divides me somewhere in my mind
On the border line
Of the edge and where I walk alone

Read between the lines
What's fucked up when everything's alright
Check my vital signs
To know I'm still alive and I walk alone

I walk alone
I walk alone
I walk alone
I walk a...

My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'til then I walk alone

Ah-ah, ah-ah, ah-ah, aaah-ah
Ah-ah, ah-ah

I walk alone
I walk a...

I walk this empty street
On the Boulevard of Broken Dreams
When the city sleeps
And I'm the only one and I walk a...

My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'til then I walk alone...
"

'Boulevard of Broken Dreams', Green Day

quarta-feira, 7 de março de 2012

Despertar-se-á? Sim.

Nada é fácil. Temos que lutar pelo que temos e pelo que não temos e que queremos. O que acontece quando se perde a vontade de lutar é o absurdo e o inominável. Quando se perde essa vontade de luta desistimos não só das externalidades mas principalmente de nós próprios. Não se trata de nenhuma pérola de sabedoria, antes do manual básico da vivência humana.
Amanhã é, só!,  dia  de  mais um(!) pequeno-almoço.
Até sempre. Salvé, Caesar. ;)
Ter-lhe-ei dito o quanto ficou mal e mais aquilo que por fazer restou? De certo. Até já.




"Take a look at my girlfriend
She's the only one I got
Not much of a girlfriend
Never seem to get a lot
Take a jumbo cross the water
Like to see America
See the girls in California
I´m hoping it´s going to come true
But there´s not a lot I can do
Could we have kippers for breakfast
Mummy dear, Mummy dear
They got to have ´em in Texas
Cos everyone's a millionaire
I´m a winner, I´m a sinner
Do you want my autograph
I´m a loser what a joker
I´m playing my jokes upon you
While there´s nothing better to do
Don´t you look at my girlfriend
She´s the only one I got
Not much of a girlfriend
Never seem to get a lot
Take a jumbo cross the water
Like to see America
See the girls in California
I´m hoping it´s going to come true
But there´s not a lot I can do.
"

segunda-feira, 6 de junho de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mioleira

Vão quase doze. Como é que quatorze horas por dia não são o suficiente para terminar um trabalho? Definitivamente, devo ter que fazer o download de um modelo nórdico para o meu cérebro; excepto o Islandês, dispenso a falência técnica dos meus amados neurónios.

PS: Relembrar jamais concorrer a um Pos-Doc.

sábado, 8 de maio de 2010

Entre o trabalho e a praia...

É pá, mas será que o bom tempo não se decide a ficar? Há muitas idas a Carcavelos por realizar e já estou farto de as fazer com o céu a tez cinzenta e com o frio a cortar por entre agasalhos.




"À la plage nous observons souvent les attitudes ou, quand nous n'y parcipons pas, les jeux des autres, déchiffrant ainsi les signes du plaisir qu'ils communiquent."

'Sur la Plage', Jean-Didier Urbain