terça-feira, 24 de julho de 2007

«My Man...»

- 'Bora?
- F-15, F-17.





"I can't do it
I can't conceive
you're everything you're trying to make me believe
cause this show is too well designed
too well to be held with only me in mind
And how am I different?
How am I different?
How am I different?
I can't do it
so move along
do you really want to wait until I prove you wrong?
And don't tell me -let me guess"

'How Am I Different', Aimee Mann

sábado, 14 de julho de 2007

(re)verso...

- ... E o medo de falhar?
- De que outra forma vontade de conseguir realizar?

morning girl at bedside, 1884, edvard munch


"These practices together comprise what can be called the underlife of the institution, being to a social establishment what an underworld is to a city."

'Asylums', Erving Goffman

sábado, 7 de julho de 2007

Deza... seta (17)

- Olhas p'ra onde?
- P'rá Lua. Rainha lá em cima. Princesa ao lado.




"O centro comercial fechou
a Maria vai viver a vida mais longe
longe das ilusões
em cima das situações perigosas

O Tóino não morreu no mar
acabou de adquirir um castelo na Escócia (enfim)
não é bem na Escócia
é numa cave sombria em Gaia

O passado já lá está, raio duma sorte cinzenta
e o presente é uma réstia de esperança enquanto houver saúde
há que cuidar do aspecto, fazê-lo parecer natural
por mais que seja cruel, não há ninguém que ajude

Ninguém nos ensinou a usar
nada do que recolhemos pelo caminho
perto das ilusões
entre o amor e as razões perversas

O passado já lá está, raio duma sorte cinzenta
e o presente é uma réstia de esperança enquanto houver saúde
há que cuidar do aspecto, fazê-lo parecer natural
por mais que seja cruel, não há ninguém que ajude

O centro comercial fechou
"

'O Centro Comercial fechou', Jorge Palma


Crescem as ilusões que aprendemos a saber fazer brotar... na rotina, no quotidiano, longe dele, em tudo o que rodeia, se experencia, vive.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Terna melancolia

Sempre fui de escassa paciência nas questões de manutenção técnica do blog. É uma evidência que em nada me preocupa. Hoje, porém, tentei actualizar um pouco mais as linkagens, objectivo que perseguia faz bastante mas cuja não consumação se explica pela tal paciência; falta de. Contudo, foi suficiente para que prestasse atenção a duas curiosidades. Primeiro que faltam três dias para que conte um ano desde que mudei bagagens da weblog para aqui; segundo, este blog foi criado num dia 27, Janeiro de 2004 – bem mais velhinho do que num primeiro assomo de pensamento julgaria… afinal foram mais de setecentos posts deixados noutra ‘mala’, perdidos ou esquecidos, nunca mais recuperados senão num miserável backup guardado algures no(s) disco(s) rígido(s), ainda não inteiramente apagado pois que nem eu próprio o posso eliminar e nem o administrador da weblog se lembrou de o fazer mesmo ultrapassado em prazo de três meses entre postagens que são os mínimos ‘exigidos’ para não encerrarem o endereço de (uma) vez: ainda existe aquele na weblog, teimoso.

A velocidade de postagem é aqui bem mais vagarosa e pausada. De certo em proporção inversa à velocidade de vida, noutro ímpeto e com outra fome. Poderá dizer-se a cereja no topo do bolo, mas não; a cereja no topo do bolo será quando ambos forem memórias esvaídas e esfumadas por entre neurónios que não esquecem, quando este aqui na blogspot deixar de ter continuação: é o lugar comum dos blogues, nascem para a morte que, quanto muito, se pode ir adiando… e quando o placebo deixar de enganar o organismo coloca-se o derradeiro ponto final – não é ainda hora, estamos decididos.
Este ainda vive ou sobrevive sem carecer de máscara de oxigénio entubada à devida garrafa. O outro, defunto sem funeral… Resta a terna melancolia do que por lá ficou e que não pôde ser trazido para este novo albergue; sim, se pudesse reunia os dois sem prejuízo de nenhum. Afinal, o futuro é para onde agora, no presente impetuoso e esfaimado, nos dirigimos. Porque há trajectos, porque não foi fortuita nem alheiamente, arrecadando conceito ao acaso, que lhe chamámos trajectos. Trajectos, em solidariedade absoluta.

Nada mais acrescento, virei talvez oportuna e casuisticamente a fazê-lo. Há demasiados projectos que na escala das hierarquias ultrapassam a redacção num blog. Um blog, por mais estúpida e tola que pareça a asserção, um blog não passa disso mesmo: um blog; e um blog não se transcende. A noite vai longa, o dia irá ser de batalhas. Até mais logo.

© PmA


"Aquele que vós ontem vistes tão audacioso, não estranheis vê-lo também covarde no dia seguinte: ou a ira, ou a necessidade, ou a companhia, ou o vinho, ou o som de uma trombeta encheram-no de coragem; não é por isso um coração formado com discursos; essas circusntâncias fizeram-no vibrar; não nos surpreende vê-lo de um momento para o outro tornar-se diferente por outras circunstâncias contrárias."

'Essais, II', Montaigne


Ainda assim, há histórias que se escrevem nos céus a pó de estrelas e doutros tantos sedimentos cósmicos... Ainda assim, o intocável.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Peixanário

Ontem foi dia de visitar o Peixanário. Ver ou rever. A Amália e o Eusébio lá estavam, em busca de um sono perdido nos roncos dos visitantes; passaram por focas e castores, já ninguém respeita a condição de cada um, ora pobres lontras... O que mais se gostou foi do Peixe-Lua, que de tamanha destrinça face aos demais apenas recolhia apupos de tão feio ser; pois que o digam, eu cá adorei-o.

© PmA

[Já agora, contando que em todos os cantos do Oceanário a encontramos escrita e sendo a senhora que(m) é, cá 'enclavo' também algumas delas; palavras, claro:]

"Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar"

Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 9 de junho de 2007

Saudade genética...

Sorte tinham os antigos pois que para seu sustento alimentar apenas lhes bastava a prática da caça. Hoje para nos alimentarmos...

"Para ser digna de ter um marido bom caçador, uma mulher deve saber fabricar uma louça de qualidade para cozinhar e servir a sua caça. Mulheres incapazes de fazer louça seriam criaturas malditas."

in 'A Oleira Ciumenta', Claude Lévi-Strauss

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Parto... (gérmen ou abalada ou os dois)

De manhã, sol nascido, dormia. À tarde decidiu-se a ir passear o cão. Ia silencioso pelo terreno ajardinado, sabia-o ainda de cor, cada esquina, cada banco de madeira ou acimentado, cada pedra de calçada que irrompia de um passeio embutido à força; ajardinado, sim, um pedaço de terra relvado com arbustos selvagens que formatam o caminho empedernido delimitando-o com ares de natureza não é um jardim; terreno ajardinado, fiquemos assim. Aqui o cão o levava pela trela, por vezes parava, outras estugava o passo numa qualquer direcção, pouco importava qual: ali conhecia-as todas. E assim ia, como iria o demente errático de uma estória que tão bem sabemos, sabemos pela replicação com que nos mergulham quando estamos ainda nas primeiras infâncias e pela impostura que têm de serem chamadas de embalar. Um qualquer quotidiano, o cão pela trela; o dono com a trela; ambos, enfim, atrelados e quem ousaria dizer quem a quem? A relva desponta brilhante brincando com o brilho que treluz da estação; Primavera, não é? é pois, mas a pergunta de retórica era precisa. Tal como o cão. Retórica. Não existe. Ou existe mesmo?

Temos de saber estar onde estamos. Devíamos...

Ghost Dance at Pine Ridge

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Dez seis

O meu caro ‘amigo’ Billy reserva-se a algumas confidências acerca da ‘sua’ sweet little sixteen. Eu cá, luso e nada (re)conhecido como o mencionado ‘amigo meu’, obrigo-me por circunstância mais que variada (credo, que este parece discurso salazarista…), à despretensiosa e modesta intenção de quem parcas e loucas palavras lavra, contenho e circunscrevo o meu, digamos, cervo; a palavra, muitas das vezes exacerba e se nos exacerba mais do que a exacerbamos a ela...

Aos dezasseis… não me vou colar à lírica da música gnr’iana, puerilidade em demasia como facilmente seria sustentável. Mais além; ou aquém, coloquem vós a artilharia da vossa própria artilharia: mas não vos temo, não mais que a mim, a mim próprio – seja lá que pleonasmo aqui se aplique. Nobody’s home in a nobody’s world; sintético, mas tão sintético quanto escasso.

Que fique relembrado o melhor, desses dias há-os bastantes. Diria ainda bem ou felizmente, contudo escapo-me a esta afirmação simplista pois que, por maioria de razão, ocupam tão somente os campos de uma minoria. A grandeza, e aí reside o seu belo, é ser superior apenas pelo facto de que ganha aos demais por si própria; per si, adjuvada pela nossa vontade.

Brindai. Brindai sempre. Vezes sem conta. Dezasseis vezes ao seu expoente; ou mais.



© PmA



"The world
And the world turns around
The world and the world, yeah
The world drags me down
Oh, the heads that turn
Make my back burn
And those heads that turn
Make my back, make my back burn, yeah"

'She Sells Sanctuary', The Cult

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Police tickets...

cImperdível, claro. Estes já cá moram: em Setembro lá estaremos.


“I've called you so many times today
And I guess it's all true what your girlfriends say
That you don't ever want to see me again
And your brother's gonna kill me and he's six feet ten
I guess you'd call it cowardice
But I'm not prepared to go on like this

I can't, I can't
I can't stand losing
I can't stand losing you

I see you've sent my letters back
And my LP records and they're all scratched
I can't see the point in another day
When nobody listens to a word I say
You can call it lack of confidence
But to carry on living doesn't make no sense

I can't, I can't
I can't stand losing

I guess this is our last goodbye
And you don't care so I won't cry
But you'll be sorry when I'm dead
And all this guilt will be on your head
I guess you'd call it suicide
But I'm too full to swallow my pride

I can't, I can't
I can't stand losing
I can't stand losing you”

'Can't Stand Losing', The Police

domingo, 3 de junho de 2007

Sol, Sol e Lua...

Ontem primeiro dia de praia; há muito esperado, há muito adiado por temperaturas que nada pautavam pela constância. Soube bem. Apenas algumas horas, definitivamente boas horas. Hei-de querer muito, muito mais. Mais do que é bom, raras vezes apoquenta.

© IGG

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Pequerruchos...

Dia da Criança. Sejamo-la também todos algumas vezes. A sério.


"A criança tem direito à liberdade de expressão. Este direito compreende a liberdade de procurar, receber e expandir informações e ideias de toda a espécie, sem considerações de fronteiras, sob forma oral, escrita impressa ou artística ou por qualquer outro meio à escolha da criança."


Nº 1, Artigo 13, Parte I, 'A Convenção Sobre os Direitos da Criança'

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Sweet Fifhteen

Aos seus quinze anos dançava ele com Nini. Ou dançava ela só para ele. Ou ainda, talvez, um pouco das duas coisas. Aos quinze anos não dançava com quem fosse, menos ainda que dançassem só para mim. Assim foi. Ou assim pareceu ser.

Mais de quinze anos em cima. Tudo diferente. Diferente também a perspectiva de encarar a vida. Crescer? Desenvolvemo-nos, dizem. A idade da adolescência pueril foi-se, esvaída, faz muito.

Hoje o tempo conta-se de outra memória. Quinze anos é uma demasia, mesmo sabendo que aos quinze anos os achava poucos e queria mais para ser gente; gente graúda, gente miúda a querer ser gente graúda.
Hoje, adulto, quero igualmente mais. Muito mais. A diferença porém, subtil mas certamente arremetida pela idade actual. A diferença é que querendo mais quer-se mais ainda que passe devagar num devagar mais devagar. Uma ténue diferença… no fundo é sempre o mais que conta, é o mais que queremos sempre mais num mais pautado por uma exigência vincada na(lguma) experiência de quem sente ou começa já por sentir o peso dos anos e que, a todo o custo, quer ver evitado os patamares que se seguem – as idades que não voltam atrás e que vão marcando de forma expressa as rugas de expressão.

Quinze anos… Permite-me agora o estatuto, algum, de uma idade irremediável e incontornavelmente adulta compactar em parte o tempo vivido, sem carência de justificações que, essas, seriam pueris.
Quinze, então, é o que eu quero – o que nós queremos, se assim é partilhado. Não, não quero que passe tudo depressa demais. Quero ter memórias onde me ancorar sem que a veloz velocidade do tempo interfira em demasia.
São quinze, sim. Serão outros tantos, por mim podiam inclusivamente ser contados em séculos de tempo real. Quero quinze e mais quinze e outros tantos quinze. Todos. Não se trata de fome esganada, antes, convenha-se, tratar-se-á de um desejo fortemente iluminado. Quinze, onde a dança, também ela, conquistou o seu território. Queria e quero, quinze vezes quinzes, dançar nesta partilha de experiências de vidas vividas; vivenciadas. Com a rotina e a novidade de cada batuque do tempo, a cada novo batuque seu. Sim, quinze. Outros quinze. Outros quinze e outros tantos. Tantos enquanto o Sol continuar a acalentar-nos; tantos enquanto o sorriso do luar nos abraçar na mais contínua das ternuras. Dois a quinze. Não quero melhor. Não o há. Até já, o tempo há-de voltar a recordar-nos neste espaço intemporal que vivemos. Quinze muitos. Quinze, pelo dois… Há pozinhos mágicos, feitos de pedaços de estrelas; a esses ninguém lhes desencripta o segredo… o segredo é esse: não desvendável, ainda que apreciado amiúde com vontade e fúria inabaláveis.

nude on a yellow sofa, 1926, henri matisse

“She lives on love street
Lingers long on love street
She has a house and garden
I would like to see what happens
She has robes and she has monkeys
Lazy diamond studded flunkies
She has wisdom and knows what to do
She has me and she has you
She has wisdom and knows what to do
She has me and she has you
I see you live on love street
Theres this store where the creatures meet
I wonder what they do in there
Summer sunday and a year
I guess I like it fine, so far
She lives on love street
Lingers long on love street
She has a house and garden
I would like to see what happens
La, la, la, la, la, la, la, la, la, la, la, la, la, la
”

‘Love Street’, The Doors

sábado, 7 de abril de 2007

Sete vezes dois...

Parece que o modelo natural das coisas se altera. Temos de repensar a nossa ordem ecológica, mais quando os coelhos passam a pôr ovos. Agravando o facto, convenha-se, de coelhos da estirpe kappa andarem por alguns lados a largar ovos de estirpe gamma. Mas como nada disto poderá fazer sentido...

É como nas contas, quase nunca acerto - ou se acerto, acerto para o meu lado. Estará a natureza que nós conhecemos perversa? Não creio; e pelo menos nesta conta acertarei: sem dúvida que o resultado é catorze... catorze pequenos infinitos que glamorosamente brilham no tempo. O resto da conta não sei; parece ainda mais infinita, se é que é possível. Parecendo ou não parecendo, é o que quero. E ainda sei bem o que quero.

dog barking at the moon, joan miró


"Aconteceu...
e por me teres feito cego
recordo o sabor da tua pele
e o calor de uma tela
que pintámos sem pensar.
Ninguém perdeu,
e enquanto o ar foi cego
despidos de passados
talvez de lados errados
conseguiste-me encontrar.

Foi dança
foram corpos de aço
entre trastes de guitarras
que esqueceram amarras
e se amaram sem mostrar.
Foi fogo
que nos encontrou sozinhos
queimou a noite em volta
presos entre chama à solta
presos feitos para soltar...
"

'Fogo e Noite', Toranja


... porém prefiro Sol e Lua...

domingo, 1 de abril de 2007

Quando não é peta

Primeiro de Abril. Alguns, muitos, por tradição, são apegos à graçola, à mentira em tom de patranha que o costume cristalizou no correr dos tempos. Outros, talvez em menor número, vincam-se à verdade, afirmando-a como algo supremo – ‘boas razões’, diria quem conheço por leituras e por elas somente.

Sem a peta, coisa que ressoa com o título. Sem a peta, sim; e sim, porque sim: escuso-me a explicações por, contornos seus, tão escusadas serem. O primeiro de Abril de há alguns anos terá sido certamente um dia radioso, pleno daquele estado solarengo que tão poucas vezes surge a exibir-se: ainda que, sem paradoxo, não houvesse raiado um único raio de Sol; mas certamente que solarengo, de Sol firme e disposto por convicções que só a ele e a mais ninguém, ou quase, respeitam. O primeiro de Abril de há alguns anos foi certamente de Lua cheia, aberta numa áurea inexprimível pelos sentidos; assim se terá iniciado o dia, mesmo pouco antecedendo a que se improvisassem as suas duas primeiras badaladas: ainda que, sem paradoxo, não houvesse Lua visível ao olhar humano – mas havia-a assim e muito mais para a vida.

É raro, e algo desconcertante quem sabe, exaltar desta maneira um dia. Mas, sem paradoxo, porque não: porque não fazê-lo? Exaltar o que é sublime não é crime nem pecado – nem lei nem divindade por ordem alguma se aprouveriam em sancionar tal façanha; se me questionarem porquê, retorquirei breve porque sim… porque sim.
Se nada é perfeito, e menos ainda o mundo que todos nós vivenciamos quotidianamente, inquestionável é que este se torna melhor pela graça das graças que, escassas mas irreprimíveis, se gera; gera… gerando em parto consumado. E daí até que as estrelas, em pozinho cósmico, se decidam a enredar todo o tecido de uma história, de histórias de vida… bem, isso é segredo delas; e com elas permanecerá – sabendo que, apesar desse pudico segredo, também nós vamos sabendo… sabendo vivendo, acrescentaria eu.

Certo é, sabemo-lo, que a memória tende a ser curta. Porém, afirmando em locução de asserção inabalável, cá vou estando; cá vou estando nesta afirmação que diz em peremptória exclamação ‘não esqueci!’.

É a vida… Gosto dela. Sim, se um duque e uma oitava conseguem compor sublime sinfonia…



"In a garden in the house of love, sitting lonely on a plastic chair
The sun is cruel when he hides away, I need a sister - I'll just stay
A little girl, a little guy - in a little church or in a school
Little Jesus are you watching me, I'm so young - just eighteen
She, she, she, she Shine On
Shine On
Shine On
In a garden in a house of love, there's nothing real just a coat of arms
I'm not the pleasure that I used to be - so young - just eighteen
She, she, she, she Shine On
Shine On
Shine On
I don't know why I dream this way
The sky is purple and things are right every day
I don't know, it's just this world's so far away
But I won't fight, and I won't hate
Well not today
In a garden in the house of love
Sitting lonely on a plastic chair
The sun is cruel when he hides away
Shine On...
Shine On
Shine On
....and on...and on...
Shine
Shine On
Shine
Shine
Shine
"

'Shine On', Apoptygma Berzerk (or. House of Love)

sexta-feira, 16 de março de 2007

Certo é que...

... nem sempre a distância separa; por vezes limita-se a uma ausência cujo destino é curiosa e paradoxalmente a sua ausência: a ausência da ausência, se assim antes a desejarmos definir.

©

"O tempo não sabe nada, o tempo não tem razão
O tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção
Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós
Meu amor, o tempo somos nós
"

'Eternamente Tu', Jorge Palma

quarta-feira, 7 de março de 2007

Ao décimo terceiro...

Muitos são os mitos pagãos e herdados de uma moral judaico-cristã que apontam a má-sorte como parelha deste número. Por outro lado, muitos são igualmente os mitos pagãos e religiosos que lhe atribuem boa-sorte. É um número de opostos, como poucos gera controvérsia e tanto parlatório opinativo. Há uns anos, poucos se importariam de ter o tal 13 ao totobola; mas muitos se importariam em ser o 13º membro de uma mesa.
Enfim, um número importante. Tão e não menos que os restantes. Portanto, cá fica relembrado que o 13 não é esquecido; e talvez seja mesmo isso o que importa...


"Bad luck wind been blowing at my back
I was born to bring trouble to wherever
I'm at Got the number thirteen tattooed on my neck
When the ink starts to itch, then the black will turn to red

I was born in the soul of misery
Never had me a name
They just gave me the number when I was young

Got a long line of heartache
I carry it well The list of lives
I've broken reach from here to hell
Back luck been blowing at my back
I pray you don't look at me, I pray I don't look back

(...)"

'Thirteen', Johnny Cash

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Esterótipos?!

Mais um dia. Prestes a terminar. Emoldurado numa quadrícula demasiado estanque. Não que passe despercebido. Há mais dias. Há tantos mais dias a prosseguir num quotidiano preenchido; a preencher. Aí vêm...



dance in the city, 1883, pierre-auguste renoir

"Para o homem a sua namorada é literalmente a mulher mais bonita do mundo, superior a qualquer outra beleza."

'Sexo e Amor', Francesco Alberoni

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Simplicidade: 01

Pára. Ignora a velocidade alucinante da vida; das vidas. Acorda por instante o ser adormecido. Vive uma eternidade num momento. Os sentidos, todos, desintegram-se numa explosão unificadora. Descansa, despertarás novamente para o quotidiano envolvente, para a plenitude da existência.
Um ano passa. Um ano se ganha.

©

"Over the sea and far away
She's waiting like an iceberg
Waiting to change
But she's cold inside
She wants to be like the water

All the muscles tighten in her face
Buries her soul in one embrace
They're one and the same
Just like water

Then the fire fades away
But most of everyday
Is full of tired excuses
But it's to hard to say
I wish it were simple
But we give up easily
You're close enough to see that
You're the other side of the world to me

On comes the panic light
Holding on with fingers and feelings alike
But the time has come
To move along

Then the fire fades away
But most of everyday
Is full of tired excuses
But it's to hard to say
I wish it were simple
But we give up easily
You're close enough to see that
You're the other side of the world

Can you help me?
Can you let me go?
And can you still love me
When you can't see me anymore?

The fire fades away
Most of everyday
Is full of tired excuses
But it's too hard to say
I wish it were simple
But we give up easily
You're close enough to see that
You're the other side of the world
The other side of the world
You're the other side of the world
To me
"

'Other Side of the World', KT Tunstall

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Estádios...

A ausência é uma obscenidade. Há vezes em que ser-se obsceno é uma dádiva.


"As marcas do ausente no espaço recordam à pessoa presente que está sempre «com»."

François de Singly, 'Livres Juntos'

sábado, 13 de janeiro de 2007

Além Tejo I

E com uma infecção respiratória se compromete um radioso fim-de-semana alentejano. Fica para a próxima... próxima semana, espero.

"A dose deve ser tomada diariamente à mesma hora. Os comprimidos devem ser engolidos inteiros."

Folheto informativo, 'Klacid OD 500 mg'

domingo, 7 de janeiro de 2007

Tique décimo primeiro

Será que os segundos importam?
Os minutos correm; às horas não mais se atenta às parcas badaladas que as anunciam; os dias sobrepõem-se sem demora substituindo-se pela semana, semanas e, quando retomarmos à consciência, pelos meses.
A velocidade é alucinante, se estacarmos para admirar o envolvente. Se há uns segundos vivíamos a hora zero, reabrimos os olhos com onze meses de história. Poder-se-á falar de história? Ou esta não é mais do que um mecanismo iniciado – inventado? – bem antes dos nossos egos terem verificado a sua existência num pretenso porvir para sempre? A história continua, prossegue após se terem esgotado os nossos tempos naturais. É-nos exógena e intocável, pelo que, para precaver, devamos agarrarmo-nos aos exíguos momentos que dela podemos desfrutar numa tentativa de apropriação que os torne nossos.
Um ano, coisa redundante, conta doze meses. Estaca-se a fim de observar a velocidade das existências nestes mundos que construímos tanto quanto nos constroem: se onze meses foram então supra mencionados, então também o significado e o significante que outro ano se afirma prestes a iniciar. A velocidade é de facto alucinante; mas a memória não escorre para o vazio do esquecimento, antes encaixilha a velocidade sub-cruzeiro os momentos vividos na experiência passada, que augura futuro, do quotidiano que se realiza a cada novo instante.
Se a emoção não está desprendida da razão, então a razão cristaliza per si, no âmago do ser, as emoções que se viram descobertas, realizadas, incubadas num fenómeno de continuidade cúmplice.
Afinal, sempre posso terminar a escrita asseverando, convicção das convicções, que não esqueci.

oceanie: le ciel, 1946, henri matisse


"Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar


Pensa em mim, protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve para longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar
"

'Cada Lugar Teu', Mafalda Veiga

sábado, 6 de janeiro de 2007

Comunicante...

Quebrei o enguiço dos diálogos surdos. Agora não falo para as paredes.


“A razão calculista terminaria numa administração das coisas, seca, sem piedade e sem alma, que não teria valores que formassem e sustivessem uma comunidade”

Allan Bloom, ‘A Cultura Inculta’

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Sim, claro que sim

- De certeza?...
- Dúvidas não relampejam sequer em instantes de um segundo.

"Who can say where the road goes,
Where the day flows, only time?
And who can say if your love grows,
As your hearth chose, only time?

Who can say why your heart sights,
As your live flies, only time?
And who can say why your heart
cries when your love lies, only time?

Who can say when the roads meet,
That love might be, in your heart?
and who can say when the day sleeps,
and the night keeps all your heart?
Night keeps all your heart...

Who can say if your love groves,
As your heart chose, only time?
And who can say where the road goes
Where the day flows, only time?

Who knows? Only time
Who knows? Only time
"



'Only Time', Enya

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Divagando...

Gosto pouco de balanços, aliás nutro mesmo pouca simpatia pelos mesmos; só em circunstâncias excepcionais – abro aqui excepção a uma não excepção…

O ano de 2006… Olhando para Janeiro compreendo que desde logo se apresentou prometedor. Não em todos os aspectos, aliás nalguns ficou bem aquém, ainda que no essencial tenha cumprido e mais que cumprido. Se Janeiro ficou pautado por algumas desilusões como por momentos vincadamente desagradáveis, por outro foi gerando o que em Fevereiro se formataria, logo breve, em vínculo. Iniciou-se, o ano, numa tez acinzentada mas assente em esperanças de aurora radiosa; de tal maneira se cumpriu, ainda que para tal alguns troços do percurso hajam sido percorridos na sinuosidade de piso que escorrega por debaixo dos pés que outra coisa não querem que assento firme.
O segundo trimestre manteve-se percorrido com alguns desencontros, mas depressa encontrou recta sem geada possibilitando a aderência ao essencial. Já o terceiro cristalizou esse essencial, contudo augurando uma perda que seria significativa e que, por fim, se consumou no derradeiro período de três meses; mas igualmente o essencial… igualmente o essencial, que é o que mais importa.
Voltei a encontrar-me com o Algarve, visto por outros olhos que antes cansados dele o reencontraram brilhante. Trouxe-me ao conhecimento a ilha da Madeira, e na ilha da Madeira o (re)conhecimento de certezas que se fermentavam. Trouxe-me aos sentidos a metrópole de Milão experienciada sem dar azo a tais certezas, já que essas se haviam há muito consolidadas no implícito do quotidiano vivido.
A academia reentra nos projectos de vida e decorre mais esplendorosa que nunca, encontrando e encontrado por fim um dos dois curricula de maior interesse pessoal que vinha, demasiado plácido, perseguindo. Por aqui desabrocha de novo a ilusão em detrimento da desilusão.
Constitui-se ainda a Trajectos, que certamente despontará florida em 2007 se bem que já de alicerces indubitavelmente enraizados. Há ‘sociedades’, que pela sua formatação, roçam a perfeição de um futuro que, dia-a-dia, se constrói.

Foi decerto um ano de emoções e ilusões, capacitando com o concreto algumas das direcções do porvir. Ao pragmatismo céptico substitui-se-lhe a emoção-razão pragmática, bem mais leve, livre e gratificante que o seu antecessor excessivamente ‘frio’. Óbvio, soçobra-se nalgumas frentes sendo que porém se conquista noutras. E não sendo quantitativamente mensuráveis, são-no qualitativamente. E a aferição, sem necessidade de esmiuçar, veste o manto da convicta convicção do ganho obtido. Até o Natal, esse monstro papão desprovido de sentido desde os tempos mais tardios da infância, reganha não só signicante como significado; e terminou por se dobrar à vontade de quem quer. E, quase pelo Natal, não só a Trajectos como a perspectiva da permanência activa em Lisboa; por ora, convenha-se… – escuso-me a falar (de)mais do porvir.

Se 2006 tem sido essencialmente um ano de construção firme, 2007 descobre o rosto com a afirmação estável do acontecido; o melhor do acontecível… Resta aguardar serenamente que pontas ainda soltas se arrematem. E o sonho vive-se. Em conluio com Sol e Lua, géneros opostos que se atraem e complementam na unicidade de trejeitos cósmicos. O sonho vive-se, de olhos bem abertos, desmontado então o véu que cortinava uma visão turva daquilo que tradicionalmente denominamos realidade.

"Oiço todos os dias,
De manhãzinha,
Um bonito poema
Cantado por um melro
Madrugador.
Um poema de amor
Singelo e desprendido,
Que me deixa no ouvido
Envergonhado
A lição virginal
Do natural,
Que é sempre o mesmo, e sempre variado
"

'Lição', Miguel Torga

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Passo a Passo

Um gato na Marinha. Um sociólogo na terra do vidro, por excelência a é. Realidades que se julgavam intangíveis ou mesmo jamais imaginadas assumem os contornos do concreto. As cidades possibilitam-nos esta mobilidade; mobilidade de estar, de pensar, de agir. E eu encontro-me de novo entrosado com elas, com as cidades, em estreita comunhão e dependência. Lisboa é a maior, ainda que não em todas as acepções, e em Lisboa ainda a FCSH. Não serei um pária urbano, se bem que consentidamente me vá perdendo (encontrando?) num rol delas. No meu sangue corre já o betuminoso, o cimento, a armação em ferro, o suor do quotidiano vivido no presente, passado e futuro. Sina ou fado previamente determinados, dir-se-ia; à asserção oponho-me com a opção da escolha, de um percurso traçado com escolhas à direita e à esquerda e para além da direita e da esquerda. Ao destino, sobreponho o conceito de construído. Porque creio que nada se mantém desembaraçado da inelutável, interminável, contínua jornada da construção social da realidade e da construção da realidade social; seja na esfera pública como na privada. O investimento incontornavelmente exigido; e o curso mantém-se. Trajectos…


(capa à 6.ª ed., Italo Calvino, 'As Cidades Invisíveis')


“Prologue – Un vieux problème dans un monde nouveau”

in Loïc Wacquant, ‘Parias Urbains’