segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O que é bom sempre continua

46. Passo a passo para mais um aninho. Todos os dias contam.


the star, edgar degas, 1876-77

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

From this day on

Está formal e oficialmente confirmado: não sou capaz de tomar conta de mim sozinho. Tenho papel do médico e tudo.


"I know so many people who think they can do it alone
They isolate their heads and stay in their safety zone
But what can you tell them
What can you say that wont make them defensive
Hang on to your ego
Hang on but I know that you’re gonna lose the fight.
They come on like they’re peaceful
But inside they’re so uptight
They chip through the day and waste all their thoughts at night
But how can I say it
How can I come on when I know I’m guilt
Hang on to your ego
Hang on because I know that you’re gonna lose the fight
And how can I say it
How can I come on when I know I’m guilt
Hang on to your ego
Hang on
Hang on but I know that you’re gonna lose the fight
"

'Hang on to your ego', Frank Black

sábado, 7 de novembro de 2009

45

Nem tudo neste dia acontece em conformidade com a nossa plena satisfação. Porém, de algo não arredámos pé: impondo a nossa vontade estaremos, o que é o mais importante, juntos no decorrer deste aninho quarenta e cinco. Podemos ter sido ultrapassados, força das circunstâncias, num flanco; contudo, noutro, os nossos exércitos cilindraram toda e qualquer oposição.


"Em cada gesto perdido
Tu és igual a mim
Em cada ferida que sara
Escondida do mundo
Eu sou igual a ti


Fazes pinturas de guerra
Que eu não sei apagar
Pintas o sol da cor da terra
E a lua da cor do mar


Em cada grito da alma
Eu sou igual a ti
De cada vez que um olhar
Te alucina e te prende
Tu és igual a mim


Fazes pinturas de sonho
Pintas o sol na minha mão
E és uma mistura de vento e lama
Entre os luares perdidos no chão


Em cada noite sem rumo
Tu és igual a mim
De cada vez que procuro
Preciso de um abrigo
Eu sou igual a ti


Faço pinturas de guerra
Que eu não sei apagar
E pinto a lua da cor da terra
E o sol da cor do mar


Em cada grito afundado
Eu sou igual a ti
De cada vez que a tremura
Desata o desejo
Tu és igual a mim


Faço pinturas de sonhos
E pinto a lua na tua mão
Misturo o vento e a lama
Piso os luares perdidos no chão"


'Tatuagens', Mafalda Veiga & Jorge Palma

terça-feira, 27 de outubro de 2009

On a highway to hell...

... ainda que encerrado em quatro paredes. Recordo-me dos asilos e das penitenciárias de antanho. A diferença, porém, é que ao pensar da minha mente ninguém pode erguer barreiras. Só aí sou absolutamente livre. E, tal como um puto mal-educado, faço o que quero e o que me apetece a meu bel-prazer. Quem sabe se este não é um caminho que pode conduzir directa e firmemente ao inferno, num instante de piscar de olhos.

"Living easy, living free
Season ticket on a one-way ride
Asking nothing, leave me be
Taking everything in my stride
Don't need reason, dont need rhyme
Ain't nothing I would rather do
Going down, party time
My friends are gonna be there too

I'm on the highway to hell

No stop signs, speed limit
Nobody's gonna slow me down
Like a wheel, gonna spin it
Nobody's gonna mess me round
Hey satan, payed my dues
Playing in a rocking band
Hey momma, look at me
Im on my way to the promised land

I'm on the highway to hell
(don't stop me)

And I'm going down, all the way down
I'm on the highway to hell
"

'Highway to Hell', AC/DC

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Just live to tell...

Amanhã discuto, talvez decidindo inclusivamente, uma parcela relevante da minha vida. Não que trema como varas verdes, contudo a apreensão é elevada. Só duas pessoas. Espero que uma terceira não esteja presente. Duas pessoas que de comum só um rótulo. Uma sabe muito mais do que a outra. Por experiência e por dedicação. Por deformação da própria prática profissional, por uma inteligência aguda e acutilante - enfim, o suficiente para me fazer sentir um jumento cerebral; particularmente quando ombreamos pelos trilhos do estado da arte, que é o da nossa; bastaria ter redigido arte, estado da já se torna redundante numa espiral que...
Junto à praia, é aí que a vou encontrar. Sinto, premonitoriamente, o suor a gotejar pela testa rumo ao restante rosto, encharcando-o como uma porção de terra então enlameada. Não levo discurso pré-concebido nem ideias suficientemente estruturadas. Tendo em conta perante quem, vou às escuras. Por outro lado, não consigo igualmente conceber de que forma se apresentará essa pessoa, sei apenas que muito mais à vontade.
Tudo o que consigo imaginar é uma mesa de café, não sei se antes ou depois de uma caminhada instrutiva, educativa, demonstrativa, sedutora e convidativa à análise empiraca; ou pode ser que essa pretensa caminhada nem nunca tenha lugar; fiquemos pela mesa de café sem extrapolar mais (ainda...). Contenho o nervoso miúdo para alumiar o raio do cigarro, quase que mais tenso que eu. Do outro lado não se esboçarão nuvens de fumo, uma parvoíce - isso de fumar, escuto no silêncio da minha mente ditosa e expedita em configurar cenários imaginários. O mar bem perto. Bem mais perto já esteve o Verão. Porém é ainda amena a temperatura, por vezes pregando-nos rasteiras que nos levam no engodo que nos reconduz ilusoriamente à estação veraneante. Será por aqui o trabalho a realizar, se a realizar. Sabemos bem disso, os dois. Ou pelo menos eu, aquela mente fulgurante pode ter entrevisto, não me espantaria, outros, novos cenários, para a realização do trabalho se, de facto, a realizar. Suponho que a vontade aponta para realizar, e de forma convicta exerce esse seu sentido. O fumo agora bamboleia, subindo rumo ao astro-rei, para lá do céu e da nossa pequenez. Com os pulmões carregados, hei-de tossir em queixume desse órgão auto-flagelado. A conversa, mais informal que outras em conjunto conversadas, já deverá ter tido o seu início. Assim se explica o cigarro aceso, defesa inconsciente ou do inconsciente provinda, acto que com toda a gesticulação própria a fumador permite criar manobra de diversão face ao real. Porém, decerto, pouco foi ainda dito ou, então, acabámos de penetrar assunto adentro, naquilo que de facto nos conduzira a esse peculiar encontro. Porém, tudo isto são congeminações. Congeminações não de uma mente delirante, mas de um alguém que relembra situações algo semelhantes; pelo que não faz futurologia, antecipa-o pelas suas práticas reiteradas do passado: uma mente que entrevê o futuro a expensas de uma construção da realidade.
Já me basta a ansiedade, característa dos neuróticos, causada por um breve desvelar do que irá acontecer. Não aprofundarei a conversa que ainda não teve lugar, pese embora pudesse indagar com um relativo grau de certeza sobre algumas temáticas e conceitos. De certo que nos deixaremos ir às nossas vidas com um adeus e um sorriso cordial. Se pelo menos pudesse garantir da minha parte que esse sorriso cordial expressaria sentimento verdadeiro e não hipocrisia escamoteada...
Seja lá como for que a resenha se esquisse, sairei garantidamente com mais certezas e menos dúvidas. Ainda que as dúvidas sejam promovidas pela angústia de quem não pode prosseguir... todavia, a situação inversa é igualmente provável; e mais que provável, possível. Indubitavelmente, sobreviverei. Resta saber se para contar... Resta saber se daqui sairei com um pouco menos de mim, amputado na alma, ou se ao invés terei estrutura para fazer crescer e cumular o meu próprio amor-próprio, passando a redundância. Seja como for, viverei para contar. Para contar como afinal Golias espezinhou David ou para contar como ficaram amigos e caminharam caminhos, aqui e ali, paralelos. Viverei para contar. Já chega.







"I have a tale to tell
Sometimes it gets so hard to hide it well
I was not ready for the fall
Too blind to see the writing on the wall

Chorus:
A man can tell a thousand lies
I've learned my lesson well
Hope I live to tell
The secret I have learned, 'till then
It will burn inside of me

I know where beauty lives
I've seen it once, I know the warm she gives
The light that you could never see
It shines inside, you can't take that from me

(chorus)
2nd Chorus:
The truth is never far behind
You kept it hidden well
If I live to tell
The secret I knew then
Will I ever have the chance again

If I ran away, I'd never have the strength
To go very far
How could they hear the beating of my heart
Will it grow cold
The secret that I hide, will I grow old
How would they hear
When would they learn
How would they know

(chorus)
(2nd chorus)
"

'Live and Tell', Madonna

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Quarenta e?

E quatro. Quarenta e quatro. Não, não me esqueci. Quarenta e quatro aninhos, como tu carinhosamente os denominas. E eu, de rosto encostado no teu ombro, fecho os olhos e sorrio placidamente.
Quarenta e quatro. São tempos que trazem de tudo, do mais extraordinário ao mais decepcionante dos acontecimentos de uma vida de todos os dias que partilhámos, partilhamos e, certamente, partilharemos. Claro que é muito mais fácil lidar com o extraordinário, que aqui ancoro numa acepção daquilo que comummente caracterizam como o acontecimento agradável, feliz, por vezes imaculado. Há também momentos de alguma neutralidade, e com isto não digo indiferença, com os quais é igualmente fácil de lidar. Depois, por fim, tudo aquilo que se deseja não vir a ter existência, mas a inevitabilidade da vida de todos os dias trá-lo consigo: obviamente, refiro-me à decepção, ao desagradável e ingrato, ao que é mau. A decepção, ao contrário dos demais, não é fácil, nada fácil e muitas vezes penoso de lidar com. Porque quanto maior é o sentimento de proximidade, mais duras se fazem sentir as faltas que cometemos, pois mais não seja é tudo menos isso que aguardamos do ente querido. Mas acontece, nessa inevitabilidade de ocorrências sequenciais e múltiplas da vida quotidiana. Todos nos podem decepcionar, contudo o ferro que verdadeiramente magoa é sempre aquele que, abrasivo, nos é apenso pelos que mais gostamos; para os outros podemos inclusivamente ser indiferentes, demonstrando-lhes que não importam tal como se poderiam querer insinuar. O ente querido importa. Pois que por isso a mais ténue das desilusões é dotada da capacidade de nos fazer sentir aferroados. Dói.
Creio que os entes queridos vivem no seu mundo e só depois no mundo de todos. E esquece-se, amiúde, que somos humanos. É difícil lembrarmo-nos de tal circunstância quando os entes queridos colocam o seu mundo numa esfera superior, numa esfera que, ainda que profana, se considera próxima do plano divino. Mas somos homens e mulheres. Todos nós. E erramos. E erramos outra vez. E outra. Então, a partir daí, remanescem tão somente duas lógicas, dois caminhos distinto, duas soluções, dois trajectos. Dependerão eles, sem dúvida, da força do elo que une os entes sobre os quais temos vindo a discursar. Se for frágil, então a ruptura surgirá num ponto ou momento mais ou menos adiante. Se for forte, então sofrerão, quiçá mesmo mais, mas terão coração suficiente para perdoar, para rectificar, para projectar reformas futuras que evitem o dilaceramento causado pela mágoa e angústia da desilusão.
Não sou fiel a predicados deterministas. Não há escolhas pré-estabelecidas. Há sim o livre arbítrio, a vontade de uns e outros. E essa vontade pode ser conduzida para que se navegue na mesma direcção ou, no extremo do seu oposto, que navegue para mares distintos. A primeira hipótese implica a decisão uníssona por parte das duas entidades, à segunda basta que um delas rompa com o estabelecido. É bem mais fácil navegar sozinho, porém muito menos gratificante já que o vazio se instala como companhia exclusa. Enquanto eu for eu e a demência não me transtornar ao ponto de me perder de mim, navegarei por opção e gosto o traçado mais difícil. Entenda-se: difícil. Porém, incomparavelmente superior em virtude, e porque não enormidade?, de um sentimento de realização que, justamente por ser o que é, se manifesta tanto no indivíduo como no colectivo que é o de duas vidas em engrenagem solidária. Parece difícil. Pode ser. Acredito que seja. Mas, tretas à parte, vale a pena. Só assim se vive; em solidão, está-se. A diferença é abissal. Muito mais que abissal.
Há quarenta e quatro aninhos escolhemos, e assim enveredámos, o nós. Conhecemos as experiências do extraordinário, do mais ou menos neutro, da decepção. Hoje estou radiante por isso. E radiante é dizer pouco, muito pouco. Nesta vida de nós entrelaçados fica a esperança de que a decepção surja rara. Nesta vida de nós entrelaçados fica a esperança de que o extraordinário brinde vitória. Nesta vida de nós entrelaçados fica a esperança que o mais ou menos neutro aconteça em serena felicidade. Há por aí uma estrelinha muito especial…

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Sangue quê?

Fui, sou e sempre serei replubicano convicto. É das poucas coisas que, de antemão tenho firme certeza, me acompanhará até ao fim dos meus dias.

domingo, 27 de setembro de 2009

Gato velho?

Não. Sim. Não. Onde ficamos então? Não. Não é novo. E não é dado a idades que pesem, demasiadamente, na linguagem. Dois não. Definitivamente, ganhou, e por aí nos estabeleceremos, o não. Não a um gato envelhecido por demais, assim que tardiamente.
Descende das rosas de Abril. Não o suficiente para presentear uma HK G3 com um botão, desses marca da revolução. O bastante, todavia, para as histórias de guerra contadas em família, umas mais (auto-)censuradas que outras mais joviais; ou só tristes, sem que assumam adjectivação (excessivamente?) drástica. Um por aí, algo incerto ou a dar para o indefinido. Nunca vivi num regime de ferro, nem por outro lado alguma vez me foi oferecido o destino numa plataforma 3,5G dum telemóvel duma qualquer marca. Não experenciei o viver antes da madrugada, mas não sou um filho pródigo, neste caso primogénito e lutador, da mesma (...por pouco, muito pouco, ditar-vos-ão algumas doutrinas). Por aí, numa indecisão do destino quiça, até, dos meus próprios progenitores a quem o acidente surgiu vindo de França esvoaçando nas asas de uma (risonha?) cegonha. Não me queixo. Nada de barreiras asfixiantes, nada de uma liberdade libertina. Penso mesmo que, sic, ainda bem.
A inexistência de pêlo branco em tipo caucasiano-latino comprova e justifica o não. Não velho. não o que baste a fim que a força das palavras, tanto como a dos anos, me verguem a quem, mesmo que alheio da minha realidade, as escute ou, porque não, que simplesmente por elas tropece. A única característica atípica, que falo ainda do pêlo, passa por uns e outros ruivos escamoteados numa parca barba mal semeada. Bom, não que o pêlo branco obrigue a que. Mas, no mínimo dos mínimos, indiciam. Escusam de fazer um apontamento estemporâneo a afirmar que não porque os cientistas isto e aquilo. Indiciam e pronto, ficamos assim assentes. Mas por cá ainda não se fazem ver, nem um.
Já, posicionando-nos noutra óptica, a bagagem acumulada acusa, não só o desgaste habitual do que se traz connosco, uma contagem cronológica significativa. As suas narrativas são outras, distintas da barba que ainda não vê pêlo branco mas que nem por isso é mais pueril e muito menos mais constrangida por esse tal relógio cronológico (redundância? mas claro que sim! A ideia é mesmo a de a trazer à coacção, ora essa...).
A vida está cheia de tropelias. Todos nós bem o sabemos. Não me diga que não, já que seria mentira na qual não dava, confesso, nem um tostão. Boas. Más. Assim-assim. Assim-assim parcticularmente quando, mais do que pela força das circustâncias, experimentamos o sentimento de ser apenas e tão somente assim-assim. Contudo, e no decorrer de um quotidiano algo apático, apagado e extinto de frenesim, tropecei, agora força das palavras, em quem sei ter tropeçado. Ainda que, primeiramente, embotido num sentimento de angústia derrotista, a verdade veio a verificar-se quase que, como direi?, contra-quotidiana. Contra-quotidiana(o)... posso permitir-me não ser quem sou e deixar por explicar? Certo, não há alternativas. Compreendam o contra-quotidiano como o vosso espírito vos ditar. Veio, a realidade a ser absolutamente desigual ao que me habituara. Aqui, num desses tropeços, o grande tropeço, encontro-me com o meu equilíbrio. Porque não? E assim, de verdade, o foi. E é. Para quem já me conheça sabe que sou de poucas afinifades com lugares comuns, dogmas, (destinos-)pré-destinados. Nada de novo, então, no que toca à minha estruturante emocional e psiquíca (e social, se bem me faço entender). O meu equilíbrio, ao fim de uma cerca de anos, cada qual dotado da sua ínfima especificidade, permitiu-se no que poderei asserir como estagnação benévola. Como estagnação benévola, pergunta-se com a finalidade de exaurir equívocos. Tão simples. Porém, tão complexo. Mas sempre, sempre simples. Não esgotarei o limite das palavras e dos seus significados para explicar esta pretensa parábola de entidades presumivelmente antónimas. Ficará para outro dia, outra qualquer oportunidade. Não hoje. Hoje... Adiante. Hoje faço apenas de moço de recados de um passado quase presente - e porque não mesmo presente? - que se prostou, por muito que assim não creia o foi, a meus pés, dádiva, dom à senhor Marcel Mauss (pois, sei que há de retribuir). Retribuo bem ou mal, esse apontamento não cabe a mim destrinçar, é história para outro post, para outro, sei lá!, blog. Sei que sim. E assim envelheci, jovem se quiserem. Quão jovem, esmifrem-se por. Sofri. Como os cães. Verdade. E redescobri o que enviesa o sofrimento em prazer, num tal prazer que acordamos a dar graças (ateu, não é?) a este e aquele, desde que grandes senhores. Idem, é o termo convocado. Certo. Mais que certo. Provavelmente, entenda-se de certeza, não sofri como alguns dos nossos. Porém, é certo que relativizamos. Sofrimento também. Aliás, desmintam-me, não há nenhum que ultrapasse o nosso? Mentira, há sempre. Porém, teremos de ter em conta que só nós somos capazes de contabilizar o sofrimento por afereição, adivinhem, a nós próprios. Escrevo, pese embora me desvie da mensagem... e dela não me quero desafeiçoar. Dos três (recordam-se: bom; mau; assim-assim), comi de tudo. E não cuspo. Nada, cuspir-me a custas de extinguir pedaços de mim? Não. Não, mais que resoluto. Tive a sorte de. Foi assim. Tropecei. Mais que certo não só eu. E agora é o que se vê. Gostas? Se não, pira-te e aprontadamente. Eu, posso dizer que tu também, saboreamos as coisas (boas, sem dúvida) com que a vida nos compraz. E as amargas, atreladas como moscas voltadas para farnel apetecível. Porque sorte? Solenemente respondo com a maior das simolicidades: até o teu mal me atrai, a fim de que o consiga minorar... Não dou lições de vida... se nem a mim sei dar, puto pouco novo. Puto e velho. A quem perguntais? O que quereis saber? Sou como o Sócrates, mas com uma profunda diferença: sei-me, apesar de mais de mil e mil anos mais velhos, ignorante. Jogo de retórica? Algum. Sei que sei mais. Mas também sei que, afinal, será que sei mais? Tanta coisa para dizer algo que hoje me vai na alma, e que tu ajudas a alimentar, mas cuja resposta, para não ficar entalada na garganta, remento para o próximo parágrafo. Só um ademais: não quero nem tenho pretensões a ter razão: se bem sabem, já morreu gente por isso; não mais hoje; auguro que não amanhã. Sou envergonhado, ou tímido - coisas absolutamente diferentes - mas pronto... Hoje o dia é... Vem aí o parágrafo que se segue (desculpem-me se vos envorgonhei ou se vos conduzi, de uma forma ou outra, ao engano). Aí está ele, meu amig(a)os.
Tanta merda porque não sou capaz, de uma forma sintética e breve, de dar os parabéns a mim próprio... Ai, menino! Tantas vezes auto-centrado outras tão... enfim. Mais outro para a conta. Nada de significativo. Porém com muitos significantes. Obstruindo caminho à ambiguidade, sabes bem do que falo. Até para o ano, próximo. E assim consecutivamente, espero, por bom tempo. Desbravo o mato dos portantos e porquês por um pouco, um pouco que seja: fazes-me feliz.
O tema pode ser um pouco infeliz ou, dirão uns tantos, bimbo como o raio. Importa-me pouco. Por norma também não sou fã, mas deixo-vos com os Anjos (e não, não sou um gato velho demais para [re]começar, meus amigos):


"Eu sou aquele que vive aceso no teu mundo
Eu sou aquele que te persegue num sono profundo
Serei um sonho, um pesadelo
Sou o passado recordado de um amor, um grande amor

Eu sou aquele que não esquece nem perdoa
Eu sou aquele que a tua ausência magoa
Sou uma noite nunca apagada
Eu já fui tudo e agora não sou nada

Eu estou aqui, aqui p'ra te dizer
Eu estou aqui, aqui p'ra te adorar
Eu estou aqui, aqui p'ra te dizer
Que como eu ninguém te amou

Eu sou aquele que te entrega a sua vida
Eu sou aquele herói de uma paixão perdida
Sou uma noite nunca apagada
Sou o final de uma história inacabada

Eu estou aqui, aqui p'ra te dizer
Eu estou aqui, aqui p'ra te adorar
Eu estou aqui, aqui p'ra te dizer
Amor (amor), amor (amor), amor, amor, amor
"

'Eu Estou Aqui', Anjos

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Afinal...

... já não vou. Fico cá, ovelha tresmalhada que nem o cão se importa de deixar para trás. É assim. Sentidos proíbidos, talvez. Um dia será o trânsito todo a ser condicionado. Ou não.



Circunstancialismos

Amanhã, melhor, hoje, vou até à Marinha Grande. Buscam-se soluções estruturantes. Então lá vou, de peito inchado. Começa, contudo, a faltar-me fulgor para inspirar com suficiente profundidade a fim de manter essa postura. Nada que não se resolva. Afinal vou de peito inchado. Não pretendo regressar encurvado. Não é por isso que lá vou (?). Um pouco de paciência meu caro, um pouco de paciência. Portanto, segue e desanovia.


"Just another one champion sound
Me and Estelle about to get down
Who the hottest in the world right now.
Just touched down in London town.
Bet they give me a pound.
Tell them put the money in my hand right now.
Tell the promoter we need more seats,
We just sold out all the floor seats

Chorus (Estelle)
Take me on a trip, I’d like to go some day.
Take me to New York, I’d love to see LA.
I really want to come kick it with you.
You’ll be my American Boy.

He said Hey Sister.
It’s really really nice to meet ya.
I just met this 5 foot 7 guys who’s just my type.
I like the way he’s speaking his confidence is peaking.
Don’t like his baggy jeans but I’m like what’s underneath it.
And no I ain’t been to MIA
I heard that Cali never rains and New York heart awaits. First let’s see the west end.
I’ll show you to my bridrens.
I’m like this American Boy. American Boy

Chorus
Take me on a trip, I’d like to go some day
Take me to New York, I’d love to see LA.
I really want to come kick it with you.
You’ll be my American Boy

Can we get away this weekend.
Take me to Broadway.
Let’s go shopping baby then we’ll go to a Café.
Let’s go on the subway.
Take me to your hood.
I never been to Brooklyn and I’d like to see what’s good.
Dress in all your fancy clothes.
Sneaker’s looking Fresh to Def I’m lovin’ those Shell Toes.
Walkin’ that walk.
Talk that slick talk.
I’m likin’ this American Boy. American Boy.

Chorus
Take me on a trip, I’d like to go some day.
Take me to New York, I’d love to see LA.
I really want to come kick it with you.
You’ll be my American Boy

Let them know ……

Kanye West
Who killin em in the UK. Everybody gonna to say you K, reluctantly,
because most of this press don’t f@#k wit me.
Estelle once said to me, cool down down don’t act a fool now now.
I always act a fool ow ow.
Aint nothing new now now.
He crazy, I know what ya thinkin.
White Pino I know what you’re drinkin. Rap singer. Chain Blinger.
Holla at the next chick soon as you’re blinkin.
What’s you’re persona. About this American Brama. Am I shallow cuz all my clothes designer. Dressed smart like a London Bloke. Before he speak his suit bespoke.
And you thought he was cute before.
Look at this P Coat, Tell me he’s broke. And I know you’re not into all that.
I heard your lyrics I feel your spirit. But I still talk that cash. Coz a lot wags want to hear it. And I’m feelin like Mike at his Baddest. The Pips at they Gladys. And I know they love it. so to hell with all that rubbish

Estelle
Would you be my love, my love.
could be mine would you be my love my love, could be mine
Could you be my love, my love.
Would you be my American Boy. American Boy

Chorus
Take me on a trip, I’d like to go some day
Take me to Chicago, San Francisco Bay.
I really want to come kick it with you.
You’ll be my American Boy

Chorus"

'American Boy', Estelle feat. Kanye West

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

... e quarenta e três (43)

Sou indiferente a protocolos. Evidente, há excepções. Umas toleradas, outras dignas de registo realmente manifesto. Este vive em consonância com a segunda excepção enuncida.
Do alto de um último andar observo lua quase cheia enquanto torro pulmões a fumo de cigarro. Recordo a sombra do que já fui, recordo a sombra do que já fomos. Há muito que a sombra do que já fui se esvaiu, a sombra do que nós fomos permanece autêntica expondo a premência de ser (re)colocada na moldura do real com todas as cores. Claro, são sombras distintas. A minha, remetida para um passado mais longínquo; a nossa, com história já definida e ainda aquela por definir, de um passado mais recente. A nossa continuará a coabitar, e essa sim, com e a par do quadro policromático do real vivido. Os instantâneos guardam momentos, muitas vezes escondidos de devido enquadramento. Há instântaneos, procedidos e prossecutados de tal enquadramento, menos bons e outros admiráveis porque belos. Não há, nem de uma forma nem de outra, instantâneos extirpados da realidade vivida quotidiana. Também o quotidiano, constatámos e constatemos, descobre o mau, o assim-assim, o bom. Ou o que há de.
Não obstante estar desprovido de película, de imagem, de registo sonoro ou olfactivo, este dia é um instantâneo. Instantâneo de dias passados, instantâneo que indicia dias por vir como mesmo já o de amanhã que, suponho, será destituído de registo que faça de si história única com identidade própria. Porém, atenção às falácias. Essa unicidade, essa identidade exclusiva, é apenas um engodo ou uma distorção, pois que só se garante a veracidade do momento captado e retirado do real através do continuum que são as histórias, mesmo que histórias (relativamente) pequenas como as histórias de vida. O instantâneo vem comprovar tudo o que está oculto e que já foi; indo mais além, porque não, instigando ao que está por vir.
Somos comummente atreitos a posturas esquivas ao uso de palavras particularmente às que evocam sentimentos. De raiva e angústia. Quantas vezes são recalcadas, cada vez mais pertença dos ouvidos (pretensamente) atentos de técnicos de saúde mental? De amor e afecto, com o mórbido receio de nos expormos em excesso face ao outro? Renuncio sempre que posso a esta fácil tentação, a de obstruir sons ávidos de serem ditos e escutados. Vivemos em ambiguidade. Queixamo-nos amiúde de vivermos uma sociedade hiper-individualista, contudo não queremos renunciá-la a coesão asfixiante. Dois abismos sem que saibamos em concreto (nem em abstracto) onde o ponto de equilíbrio. Prefiro arriscar na minha aposta, que não sei bem onde cabe no seio destes dois opostos, e acreditar que o jogo pode ser ganho a expensas de avanços e retrocessos. Se quero ser sombra, mais ainda se veicula o meu querer no sentido da textura, da cor, dos sentidos todos sem excepção que quebrada embarace a norma.
Hoje é o nosso dia. Correcto. Como o de ontem foi. Não menos correcto. Como o de amanhã irá ser. Quem o contradirá? Hoje felizes. Ontem mais e também menos. Amanhã igualmente. A felicidade só é um percurso viável conhecido o seu antónimo, a infelicidade. O único absoluto que temos provém da religião. Não é comum a todos, e nos seus seguidores distinguindo-se ainda na forma e na filosofia das especificidades das crenças religiosas. Quanto a mim, o absoluto, esse absoluto, é inacessível ao espírito (compreensão) humano. Agnóstico, tanto quanto dizem. Não pretendo rotular. Todavia, perco-me. Retomemos a primeira frase do parágrafo. E assim, posto isto, posso assegurar-te dos meus sentimentos, já que deles estou assegurado faz muito. Os próximos dias poderão coibir-se de trazer novo instantâneo. Mas lá estarão, impedindo que o estaticismo de uma ocorrência eclipse o dia-a-dia. Não há buracos negros que subtraiam todo um vivido remanescendo tão somente sobras em armação postas. Não obstante, o que neste instantâneo comunico não deixa de ser verdade, uma verdade integrada no panorama global.
Para ti. Por nós. Que fique o quadro. Que prossigamos.

©


"A essência do erotismo, mesmo no seu sentido específico, é esclarecida pela existência de sentimentos que têm o nome de amor, sem que isso se deva ao acaso de um mal-entendido ou de um uso abusivo, e estendendo-se a inúmeros domínios situados para além de toda a sexualidade."

'Fragmento Sobre o Amor e Outros Textos', Georg Simmel

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

"Sweet dreams are made of this"

Ontem. Descansava merecido descanso após mal fadado projecto, arrastado há mais de uma semana, consumindo recursos de corpo e mente. Não rendido, ofereci-lhe apenas a minha exaustão cumulada de algum alívio pessoal, ainda que apático e indiferente. Ontem. Entreguei-me a um sono leve, ia a tarde por metade, que suspendeu o presente. Vivi regressão em sonho a dias de infância felizes vividos em Coimbra, em casa de tia-avó. Sala de estar e jantar logo que se entrava pela porta, Rainha Santa, como não podia deixar de ser, acomodada em estante à medida da porcelana; em frente a cozinha e à esquerda corredor conducente à escadaria das escadas dos quartos no primeiro andar e ao que chamavam loja, um espaço amplo de cinzento-cimento com um odor a bafio imperturbado e que acomodava a única casa de banho da casa, carregada de teias e suas aranhas que enchiam de medo o imaginário fecundo de uma criança; em cima, no andar dos quartos, ainda uma sala com televisão adquirida com exclusivo propósito de entreter os sobrinhos-netos sempre que a visitassem, invariavelmente nos meses de verão. Quase não conheço Coimbra com chuva, mas sim a do sol e calor que abraçavam corpo adocicando a alma. Nos quartos os colchões com a palha a furar por entre pano. As noites passadas na cozinha, onde sorvia o melhor café do mundo, apertando as quentes, sem que em demasia, malgas-chávenas entre mãos, inalando aquele odor que não esqueci e que se fez parte de mim. Mais tarde, ditou o sonho, a casa sozinha. E também eu, só. Só e com um somado de aniversários na pele. O presente foi suspenso, porém não anulado. Sozinho, com todas as características que me acompanham contemporaneamente, entrei casa a dentro. O dia era o de agora. Presente suspenso, contudo presente presente. Vagueei pelas divisões de outrora, iguais só que desprovidas da animação humana de antanho. Parei defronte das portas de entrada, também elas inalteradas. Abriam-se em par, o canhão da fechadura gigantesco para os parâmetros modernos, a chave de ferro fazendo-lhe justiça; transversal à altura destas, uma trave de madeira encaixava fazendo entrever tempos mais idos carentes de fechadura de chave e dos ferrolhos de ferro só depois, desconheço se muito ou pouco, aplicados metodicamente. Por fim deixei de estar só. As memórias acompanhavam-me, e por boa companhia se entenda. Até que às memórias o acrescento da respiração de outro alguém; não um alguém qualquer, um alguém para quem tudo aquilo era um universo desconhecido e estranho, mas particularmente um alguém que me apertava a mão, num entrelaçar de dedos, e assim se expunha como ente querido e muito desejado. Ao entrelaçá-los sorri e soube, desde logo, que também nesse alguém se desenhara um sorriso, um belo sorriso, o mais belo dos sorrisos. Em conjunto, então, calcorreámos todos os metros daquela casa. Creio que, como se perseverantes, lhe sentia os cheiros de antes, partilhados agora com cheiros presentes e, quem sabe, cheiros futuros igualmente ou mais agradáveis ainda.

Hoje o tédio apossou-se do dia. Decidi responder-lhe com umas leituras mas aqui, fora as técnicas que comigo trouxera e que só de olhar me causavam a mais profunda repulsa e até asco, as opções eram algo diminutas. Para meu arrependimento posterior, pus olhos em “O Meu Nome É Legião”. Logo após as primeiras páginas, e uma após outra, o fastio crescia tamanha era a seca a que me estava a sujeitar. Nunca fui de amizades com as obras do autor, enquanto escritor que da pessoa nada conheço, e esta parecia particularmente propensa para que mantivesse a minha inolvidável ou pela menos resoluta (má) opinião. Confesso que li tão somente meia centena de páginas, confesso igualmente que não sei se tenho estômago para papar mais outras tantas e menos ainda para caminhar até ao final. Estando já enfadado, poderia tal facto ocorrer como se de suicídio por tédio em dose cavalar se tratasse. Vale que hoje, o dia de hoje, está preso por fios de minutos. Em breve será hoje o dia de amanhã – e por aí fora até que ninguém mais se importe em contar os dias em termos histórico-contínuos, ou que simplesmente deixe de haver quem o pudesse. Tamanhas são as interferências desse quase não-sentimento, o tal de tédio, que o meu cérebro congelou embrutecido sem lhe ocorrer ter ainda meia estante de livros em sentido oposto àquela a que me dedicara a espreitar. Pouco importa. Encerrei o livro para me dedicar a deliciar-me com o sonho que, estando eu em estado de semi-vigília ou semi-onírico, como vos aprouver, que viera visitar-me ontem. Esgacei os lábios, que assim descobriam a cremalheira por maioria de razão a mais das vezes atrás deles dissimulada. Já tenho um passado, não só aquele que recordei; vou tendo um presente, que se escapa como areia das mãos, vivido melhor ou pior quotidianamente; vou ter, por isso espero e ambiciono, um futuro… um futuro a que um dia, suprimindo potenciais surpresas desagradáveis, chamarei passado. Observando com cuidado, nunca caminhei solitário e menos ainda em solidão. Mais, caminho acompanhado como nunca antes. Caminharei, seguramente, embora só os dias do por vir o possam ditar com exactidão, acompanhado numa quase perfeição desenhada a traços que se reproduzem da comunhão com o outrem mais que querido e mais que desejado.


Mosteiro de Santa Clara-a-Velha


Findo com uma frase que poderá ser peculiar, se mal entendida. Aliás, como tantas outras… Mas não a (me?) explicarei.

Possuidor desse conhecimento, o homem é o animal que não tem crias acidentalmente e sabe o que anda a fazer.

História das Más Ideias’, Eduardo Gil Bera

sábado, 22 de agosto de 2009

Rendez-Vous avec Lisbonne

Cheguei ontem. Hoje já estive num aniversário. As férias terminaram num ápice. De volta ao espaço urbano e ao seu estudo; não só, obviamente. Agora, antes de mais, há algumas burocracias que carecem de conclusão célere. Depois o trabalho, em duas frentes distintas mas sem perder de vista o objectivo principal, virá reclamar mais do meu tempo. Muito mais. Espero conseguir conciliá-las sem demasiada fricção, a essas duas frentes. O cronómetro foi (re)accionado e o tempo não espera, nem por mim nem por ninguém; provavelmente, nem por ele próprio.
Abracei Lisboa, ou ela a mim, confiando-lhe que por si me iria mantendo, andando a viver o meu quotidiano; e o de outros. É sempre bom rever esta cidade simultaneamente serena e caótica; entrópica, diria. Está em paz comigo; ou eu com ela.




"Mas é precisamente disso que eu preciso, doutor. Pressão. Se relaxasse agora, acabaria desfeito em cacos. Voaria numa centena de direcções difrerentes, e nunca mais seria capaz de me recompor."

'O Livro das Ilusões', Paul Auster

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Vacances, enfin

É hora de deixar a vida urbana em paz, ou pelo menos o estudo da mesma. Sem ralações, sem preocupações pendentes ou de última hora. O cansaço assomou há muito. Também ele, como eu, carece de digno descanso das fadigas quotidianas. É precisamente essa a intenção, romper com os passos mais ou menos previsíveis de uma rotina encafuada no quotidiano do costume. Mais tarde será, sem dúvida, retomado esse viver do dia-a-dia do qual, por inverso que pareça, não desdenho com rancor selvagem.
Assim ainda hoje abalarei para outras terras, rumo a paragens mais distantes. Levo pasta dos dentes e calções de banho. Não levo um terror exacerbado à gripe A ou H1N1, como preferirem chamar ao bicho-vírus que alarma mundo e meio. Levo de igual maneira o que mais gosto, ou o contrário, irrelevante saber por que ordem: se é que a há. Os afectos na algibeira do coração nunca são esquecidos, sendo que só uma parte deles ficará em standby nas lusas terras; ainda assim, vão no pensamento. Mais sorte têm os restantes que cumulam pensar e estar, numa comunhão baptizada por estrelinhas, pozinhos cósmicos mágicos e lua com todas as suas fases.
Escreveria até já, porém ficar-me-ia a soar a publicidade gratuita a uma operadora telefónica; até as coisas mais simples são mercantilizáveis, pelo que todo o tento na língua, neste caso na ponta dos dedos, é pouco. Porém, vou feliz e mais feliz espero retornar. Então, até ao meu regresso. Divirtam-se.



"Giant steps are what you take
walking on the moon
I hope my legs don't break
walking on the moon

we could walk forever
walking on the moon
we could live together
walking on, walking on the moon

Walking back from you house
walking on the moon
walking back from you house
walking on the moon

feet they hardly touch the ground
walking on the moon
my feet don't hardly make no sound
walking on, walking on the moon

Some may say
I'm wishing my days away
no way
and if it's the price I pay
some say
tomorrow's another day
you stay
I may as well pay

Giant steps are what you take
walking on the moon
I hope my legs don't break
walking on the moon
we could walk forever
walking on the moon

we could live together
walking on, walking on the moon
Some may say
I'm wishing my days away
no way
and if it's the price I pay
some say
tomorrow's another day
you stay
I may as well pay
Keep it up, keep it up
"

'Walking on the Moon', Police

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

3 e ½

Podíamos medir a distância de duas formas. A primeira dizia que contava mais de cem quilómetros. A outra corria à velocidade do pensamento, em nano-segundos. Afinal longe ou perto, ali mesmo ao lado? A segunda hipótese será portadora de maior credibilidade. O que que de mais terno guardamos em nós anula a contabilidade espaço-tempo. É coisa única. Chegou para ficar sem descontinuidades nem descontínuos. Gatos que ronronam gratificados pelo subliminar. Pode ser cego mas nada tem de ignorante, antes o inverso. Amor.

©



"Love is blindness
I don't want to see
Won't you wrap the night
Around me
Take my heart
Love is blindness

In a parked car
In a crowded street
You see your love
Made complete
Thread is ripping
The knot is slipping
Love is blindness

Love is clockworks
And cold steel
Fingers too numb to feel
Squeeze the handle
Blow out the candle
Love is blindness

Love is blindness
I don't want to see
Won't you wrap the night
Around me
Oh my love
Blindness

A little death
Without mourning
No call
And no warning
Baby... a dangerous idea
That almost make sense

Love is drowning
In a deep well
All the secrets
And no one to tell
Take the money
Honey
Blindness
"

'Love is Blindness', U2

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O sabor...

...amargo dos triglicéridos elevados.

"te puedes vender,
cualquier oferta es buena
si quieres poder
qué fácil es,
abrir tanto la boca para opinar
y si te piensas echar atrás
tienes muchas huellas que borrar

déjame, que yo no tengo la culpa de verte caer
si yo no tengo la culpa de verte caer

pierdes la fe,
cualquier esperanza es vana
y no sé qué creer;
pepepepepero olvídame que nadie te ha llamado
y ya estás otra vez

déjame, que yo no tengo la culpa de verte caer
si yo no tengo la culpa de ver que...

entre dos tierras estás
y no dejas aire que respirar
entre dos tierras estás
y no dejas aire que respirar

déjalo ya,
no seas membrillo y
permite pasar
y si no piensas echar atrás
tienes mucho barro que tragar
déjame, que yo no tengo la culpa de verte caer
si yo no tengo la culpa de ver que...

entre dos tierras estás
y no dejas aire que respirar
entre dos tierras estás
y no dejas aire que respirar

déjame, que yo no tengo la culpa de verte caer
si yo no tengo la culpa de ver que...

entre dos tierras estás
y no dejas aire que respirar
entre dos tierras estás
y no dejas aire que respirar"

'Entre Dos Tierras', Héroes Del Silencio

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Cohen

Já quase deixava passar em branco este espectáculo. Mais de duas horas a ouvir a voz de um artista que é um senhor. Fantástico pelas músicas oferecidas, fantástico pelas mensagens que nas pausas endossava ao público. Um senhor.



Começou assim:

"Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Oh let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love

Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
"

'Dance Me To The End Of Love', Leonard Cohen

É só fumaça (?)

Sonhos. Todos os temos. Só alguns se concretizam. Alguns podem, inclusive, ser antagónicos. Não compatíveis, excluindo-se portanto mutuamente. Outras vezes pode ser apenas difícil fazê-los caminhar conjuntamente, porém com a possíbilidade de realização de ambos. Só descobrimos a sua tipologia quando os factos se estacarem à nossa frente, cristalinos. Desvenda-se então se o trilho se esgaça, estilhaçando a hipótese cumulativa, ou se os anjos zelam por nós desvelando um percurso paralelo, ou seja, com atributos de simultaneidade.
Se bem que saiba, sem hesitar, por qual sonho optaria no caso de. Nem por isso deixa de ser menos pesaroso ver abalar o outro, não deixa de ser menos pesaroso que o passado, algum passado, se fragmente em pequenos e quase infinitos nadas conjugados com o vazio do seu - sonho - futuro. Contudo, firmemente, sem hesitar. No caso de.

parte de capa à 21.ª edição de 'Vigiar e Punir', Michel Foucault



"(...) another notable German thinker, Jürgen Habermas, writing at the time when the society of producers was nearing the end of its days and so benefiting from the added advantage of hindsight, presented the 'commodization of capital and labour' as the major function, indeed the raison d'être, of the capitalist state (...): that is, culminate in buying and selling transactions."

'Consuming Life', Zygmunt Bauman (p. 7)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Timings

O tempo voa. O tempo escasseia. Os deadlines que pareciam ser de semanas, e assim tornados seguros, afinal são já para serem cumpridos amanhã ou depois. Haviam de ter sido cumpridos hoje. Aquela história de que o amanhã nunca vem só existe em conformidade com as conveniências do tempo.
Somos escravos dos nossos corpos, embargados pelos grilhões da nossa circunscrita capacidade neuronal. Faz-se o que se pode no seio desta barafunda abstrusa. Damos o nosso melhor ao largo deste universo de impostos. O nosso melhor.


"Are you aching for the blade
That's ok
We're insured
Are you aching for the grave
That's ok
We're insured

We're getting away with it
All messed up
Getting away with it
All messed up
That's the living

Daniel's saving grace
She's out in deep water
Hope he's a good swimmer

Daniel plays his ace
Deep inside his temple
He knows how to surf her

We're getting away with it
All messed up
Getting away with it
All messed up
That's the living

Daniel drinks his weight
Drinks like Richard Burton
Dance like John Travolta, now

Daniel's saving grace
He was all but drowning
Now they live like dolphins

Getting away with it
All messed up
Getting away with it
All messed up
That's the living
Getting away with it
Getting away with it
Getting away with it
That's the living
That's the living"

'Getting Away With It', James

quinta-feira, 23 de julho de 2009

"Que doce..." ou "To be..."

Dois posts. Dois que... Estou a adocicar a pilula - repito o texto lá de cima, áspero de imaginação. Hei-de engoli-la bem mais... austera?... nem sei bem... O mundo mostra-se bem diferente. Quem somos todos, indiferentes a outros e ademais... bahhh... 'd*-se. Muitas das vezes nem se vive mal... o inverso, mesmo. Bahhh...
Message ended. Dot. Vou voltar ao meu velho eu. Dot. Com 'ego' e 'alvo inibido'. Dot. Como sapientemente a seu tempo Freu escreveu "Quanto mais virtuoso é um homem, mais severo e desconfiado se torna em relação a si próprio, de tal modo que quem mais se aproxima da santidade mais se acusa dos piores pecados." Dot. Onde, então, poderemos nós próprios brilhar? Dot. Dot final. Fico a pensar no seu mal-estar - ou estando? - daquilo que assegura ser civilização. Dot. Agora é mesmo o 'dot' final. Dot.




You should have stayed at home... an' not only yesterday.

Absolutamente não

Não. Não pode ser. Não estarei. Não estaremos. Porém, de coração, que sejas bem... tu sabes... e eu também... sabemos os dois. Fica assim. A imagem é pesada. As letras, em palavras, admito, em nada ajudam. Está na palma da tua mão, das vossas mãos. Não irei. Já nos adorámos, recordas-te? Todavia, uma lembrança não move mundos. Talvez o teu. Espero, destituindo-se qualquer agoiro, que talvez o teu. Hedóneo, dar-me-ia esperança também. Schiu. Agora és tu. Não estou. Mas calo-me. Oiço as tuas promessas de felicidade. Que as cumpras.

Trompet, 1984, Jean-Michel Basquiat



O vento navega-te na pele. Nem sou eu que o digo. Daquele que quer saber a cor do céu. Tolices...

Não é não.

Desculpa. Mas assim é. Assim terá de ser...
Ponho uma imagem apócrifa. A letra, então essa, será dominadora; porém nada que te deseje...
Somos todos tão sentimentais? Freud diria que os instintos e a civilização... Não importa. Não me importa permanecerá a questão. Sem resposta, como eu gosto...

Christ, Dali



"I changed the World
I changed the World
I wan't to change the World

This ain't the way
I spend my mornings, baby
Come stai?

You've been with him,
And you've come back my lady
Hei, what's he like?
I just sit and watch the ocean
With myself even I do my own cookin'
You ca laugh there, you're forgiven, but
I'm no longer frightened to be livin'

Senza una donna
No more pain
and no sorrow
Senza una donna
I'll make it through tomorrow
Senza una donna
Givin me torture and bliss
Without a woman
Better like this

There is no way
That you can buy me, baby
Don't make fun
You got a dig, a little deeper, lady
In your heart
Yeah, if you have one
Here's my heart, feel the power
Look at me, I'm a flower
You can laugh, you're forgiven, but
I'm no longer frightened to be livin

'Chorus:...

Oooh, I stay here and watch the ocean
Don't know why, I keep on talkin'
You may laugh, you're forgiven, but
I'm no longer frightened, maybe

to be livin'Senza una donna...
Without a woman...
Senza una donna...
Without a woman...
Vieni qui!
Come on in
Senza una donna

I don't know what might follw
Senza una donna
Oh, maybe from tomorrow!
Senza una donna
Givin' me torture and bliss "

'Senza Una Donna' Zucchero & Paul Young

terça-feira, 21 de julho de 2009

Where to?

Hoje - ontem, tanto faz - fui tirar o passaporte. Vou sair, fugir daqui. Vou emigrar!


"You have a winning way, so keep it
Your future
You are an angel heading for the land of sunshine
And fortune is smiling upon you

Prepare for a series of comfortable miracles
From fasting to feasting
And life to you is a dashing bold adventure
So sing and rejoice
And look for the dream that keeps coming back
Your future
Pat yourself on the back and give yourself a handshake
Cuz everything is not yet lost

Does life seem worthwhile to you?
Does life seem worthwhile to you?

Here's how to order!

Yes, hmm hmm, now for the next question
Does emotional music have quite an effect on you?
Do you feel sometimes like age is against you?
Sing and rejoice and sing and rejoice
Yes, hmm hmm, that's interesting.
But tell me, do you often sing or whistle just for fun?
Do you feel sometimes like age is against you?
I, I can help - I can help you - I can help you - help yourself!

Does life seem worthwhile to you?
Does life seem worthwhile to you?

Here’s how to order!

Varicose
Comatose
Senile
"

'Land of Sunshine', Faith no More

domingo, 19 de julho de 2009

Contra os ponteiros

O dia a terminar. Objectivos ainda por cumprir. Há que... Se em Roma ser romano, em Esparta ser espartano.


despair, 1894, edvard munch



"Certas coisas de que não se quer abdicar, porque proporcionam prazer, não são ego mas sim objecto; por outro lado, certas causas de sofrimento que se pretende expulsar revelam-se, contudo, inseparáveis do ego por terem uma origem interna."

'O Mal-Estar na Civilização', Sigmund Freud

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Será para amanhã?


Não. Desta feita não é para amanhã. É para executar sem (grandes) indecisões, pragmático e peremptório. Já basta de deixar ao indefinido espaço de manobra, do qual depois me é cobrado o excedente. Adiar por este ou aquele motivo deixou de ser mote de (in)acção. Assumidos de bom grado compromissos vários, há então que cumpri-los e não ser aquele português tipicamente desenrasca do logo se vê. Cada hora conta, cada minuto poderá ser importante. As eventualidades do acaso (que não é o mesmo que fado, destino) serão as únicas a atrasar-me, fora isso serei implacável. Firme na certeza de que o fruto cultivado será colhido. Firme porque sim. Por mim. Por nós. Porque assim se quer em formas moldadas por uma intrínseca incontornabilidade. Se sabemos que podemos, porquê arriscar perdas que seriam infinitamente prejeduciais à nossa sanidade mental? Tolices. Há que fazer e não, justamente e só, pensar em fazer.

Icarus, Henri-Matisse


"É p'ra amanha
Bem podias fazer hoje
Porque amanha sei que voltas a adiar
E tu bem sabes como o tempo foge
Mas nada fazes para o agarrar

Foi mais um dia e tu nada fizeste
Um dia a mais tu pensas que nao faz mal
Vem outro dia e tudo se repete
E vais deixando ficar tudo igual

É p'ra amanha
Bem podias viver hoje
Porque amanha quem sabe se vais ca estar
Ai tu bem sabes como a vida foge
Mesmo que penses que esta p'ra durar

Foi mais um dia e tu nada viveste
Deixas passar os dias sempre iguais
Quando pensares no tempo que perdeste
Entao tu queres mas é tarde demais

É p'ra amanha
Deixa la nao facas hoje
Porque amanha tudo se ha-de arranjar
Ai tu bem sabes que o trabalho foge
Mesmo de quem diz que quer trabalhar

Eu sei que tu andas a procurar
Esse lugar que acerte bem contigo
Do que aparece nao consegues gostar
E do que gostas ja esta preenchido
"

'É p'ra Amanhã', António Variações

quarta-feira, 15 de julho de 2009

"What is it? It's it."

Hoje estive a ouvir umas músicas.



"Can you feel it, see it, hear it today?
If you cant, then it doesn't matter anyway
You will never understand it cuz it happens too fast
And it feels so good, it's like walking on glass

It's so cool, its so hip, it's alright
It's so groovy, it's outta sight
You can touch it, smell it, taste it so sweet
But it makes no difference cuz it knocks you off your feet

You want it all but you cant have it

It's cryin, bleedin, lying on the floor
So you lay down on it and you do it some more
You've got to share it, so you dare it
Then you bare it and you tear it

You want it all but you cant have it
It's in your face but you can't grab it

It's alive, afraid, a lie, a sin
It's magic, it's tragic, it's a loss, it's a win
It's dark, it's moist, it's a bitter pain
It's sad it happened and it's a shame

You want it all but you can't have it
It's in your face but you can't grab it

What is it?
It's it
What is it?

It's it
What is it?
It's it"

'Epic', Faith No More

terça-feira, 7 de julho de 2009

Quadragésima primeira ternura

Foi igualmente numa terça-feira. Primeiro o salmão nos pratos a acicatar-nos o apetite. Depois a conversa mansa de uma ternura partilhada. O sono que surgia, contrariando as noites brancas. Os afagos surgiram, tímidos. Mais tímidos ainda os primeiros beijos na tua face embevecida. Lua e estrelas brilharam sôfregas ao ritmo da nossa partitura que fazia despertar um amor contido mas que se via abençoado.
Hoje, outra terça-feira, Lua e estrelas não brilharão mais contidas nem envergonhadas. Galoparão os seus raios de luz em nossa direcção, reiterando o mistério que nos envolve e que só nós conhecemos ou entrevemos com um sorriso rasgado. É como um ritual, que mantém acesa a chama do mito. Sabes, em todo o mito há uma ponta de verdade. E esta cerimónia que nos exalta nunca é esquecida. Porque esquecer(mo-nos)não consta do nosso dicionário.
Nessa terça-feira, a outra, como nesta, o amor chamou-nos pelo nome. E uniu o que não devia estar apartado num afastamento que se viu, por fim, findado. A harmonia de uma harpa celestial prossegue na sua investidura de trajectos, nossos, determinados a uma eloquência bem-fadada.



"You thought that it could never happen
To all the people that you became,
Your body lost in legend, the beast so very tame.
But here, right here,
Between the birthmark and the stain,
Between the ocean and your open vein,
Between the snowman and the rain,
Once again, once again,
Love calls you by your name.

The women in your scrapbook
Whom you still praise and blame,
You say they chained you to your fingernails
And you climb the halls of fame.
Oh but here, right here,
Between the peanuts and the cage,
Between the darkness and the stage,
Between the hour and the age,
Once again, once again,
Love calls you by your name.

Shouldering your loneliness
Like a gun that you will not learn to aim,
You stumble into this movie house,
Then you climb, you climb into the frame.
Yes, and here, right here
Between the moonlight and the lane,
Between the tunnel and the train,
Between the victim and his stain,
Once again, once again,
Love calls you by your name.

I leave the lady meditating
On the very love which i,
I do not wish to claim,
I journey down the hundred steps,
But the street is still the very same.
And here, right here,
Between the dancer and his cane,
Between the sailboat and the drain,
Between the newsreel and your tiny pain,
Once again, once again,
Love calls you by your name.

Where are you, Judy, where are you, Anne?
Where are the paths your heroes came?
Wondering out loud as the bandage pulls away,
Was I, was I only limping, was I really lame?
Oh here, come over here,
Between the windmill and the grain,
Between the sundial and the chain,
Between the traitor and her pain,
Once again, once again,
Love calls you by your name
"

'Love Calls You by Your Name', Leonard Cohen

domingo, 7 de junho de 2009

Para ela - whisper #40...

Lembras-te? Tirei-a para ti.
Nunca se esquece...


©



"She
May be the face I can't forget
The trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay
She
May be the song that summer sings
May be the chill that autumn brings
May be a hundred different things
Within the measure of a day

She
May be the beauty or the beast
May be the famine or the feast
May turn each day into a heaven or a hell
She may be the mirror of my dreams
The smile reflected in a stream
She may not be what she may seem
Inside her shell

She
Who always seems so happy in a crowd
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry
She
May be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows of the past
That I'll remember till the day I die

She
May be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough in ready years
Me
I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is

She
She, oh she
"

'She', Elvis Costello

quinta-feira, 7 de maio de 2009

39 com carinho. Todo.

Se calhar no princípio era assim:

"[Rogers]
I know it's late
I know you're weary
I know your plans don't include me
Still here we are
Both of us lonely

Longing for shelter from all that we see
Why should we worry?
No one will care, girl
Look at the stars now, so far away

We've got tonight
Who needs tomorrow?
We've got tonight, babe, why don't you stay?

[Easton]
Deep in my soul
I've been so lonely
All of my hopes fading away
I've longed for love
Like everyone else does
I know I'll keep searching after today

[Rogers]
So there it is, girl
We've got it all now
[Easton]
And here we are, babe
What do you say?

[both]
We've got tonight
Who needs tomorrow?
We've got tonight, babe, why don't we stay?

[Rogers]
I know it's late and I know you're weary
I know your plans don't include me
[Easton]
Still here we are
[both]
Both of us lonely, both of us lonely

[Rogers]
We've got tonight
[Easton]
Who needs tomorrow?
[Rogers]
Let's make it last
[Easton]
Let's find a way
[both]
Turn out the light, come take my hand now
We've got tonight, babe, why don't we stay?
We've got tonight, babe, why don't we stay"

'We've Got Tonight', Kenny Rogers (duet with Sheena Easton)


Mas a realidade, porém, talvez fosse já outra, mais trabalhada apesar de escondida num cantinho que aguardava ser encontrado. Na verdade as estrelas, e outra maralha cósmica, não estavam assim tão longínquas e até inclusive já haviam escrito mais do que sabíamos ou poderíamos desconfiar. Hoje também presente o amanhã. E algures em Londres assumimos o compromisso que a neve, à saída, apadrinhou com a sua queda macia, representante de uma pureza que o momento tão bem ilustrava e que a memória guardará, orgulhosa, no humanamente possível para sempre. Esqueci-me que estava frio e o ar gélido deixou de queimar os meus pulmões a cada golfada de ar que os invadia. O belo não se queda pela estética; pertence de igual maneira à esfera dos sentimentos que se nutrem para além das incontáveis tertúlias dos sentidos materiais. Quase perfeito... Tens fôlego para soprar trinta e nove vezes? O meu, ainda que parco, saberá soprar muitas e muitas mais. Vezes. Dias. Meses. Anos...

All Hallows Church, London

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terça-feira, 7 de abril de 2009

Trente-huit

Parece que o universo sempre soube haverem laços de ternura e amor entre sol e lua...
Afinal, o navio com os seus tripulantes não navega por mares de escuridão: há sempre algo que ilumina e esclarece.




"L'agapè ne questionne pas, puisqu'elle croit tout",

'L'Amour et la Justice comme compétences', p. 231, Luc Boltanski




quarta-feira, 1 de abril de 2009

A terceira vela

Navego numa embarcação, mas não ao sabor do sentido quase único dos ventos. Não sei para onde rumo, mas deixo-me ser encaminhado porque confio. Percebo apenas estar no ventre de uma nau de três mastros, ou se assim nos apetecer, de três velas. Fora construída com a mais nobre das madeiras e com elas se foi aconchegando ao longo do seu devir. Esbelta. Esbelta, não, palavra que transmite com deficiência o grau de beleza que atinge. Fulminante aos sentidos, talvez assim o devesse ter asserido logo desde o início. Não era difícil amá-la, e eu disso sou testemunha ‘pro bono’ que ninguém incapacitará senão a própria vontade da muitíssima esbelta nau das três velas.

Vim dela a saber mais tarde. Muito mais tarde. Porém, conhecia-a quando definia ainda a construção do terceiro mastro. Terei sido o mais privilegiado? Não sei. Mas sei que o sinto, tamanho é o deste privilégio.
Com duas velas ainda, já sabia bem como navegar por estes sete mares que, no fundo, são este nosso mundo da empiria e, porque não, do transcendente. Quase a amei desde que a vi, a esta afoita nau. Quase. O tempo fez-me esperar um pouco mais, mas proveu-me do melhor dos presentes: não só então eu a amava como ela a mim. Passei a navegar consigo, pelos seus trajectos que traçava conforme… bem, navegava, afirmei, de modo simultaneamente simples e complexo. Não mais a deixei. E vi, orgulhosa de si, a terceira vela erguer-se. Altiva, neste mundo às vezes tão medíocre.

Amanhã não sei para onde vou. Mas sei com quem vou. Afinal, qual destas premissas a mais importante?



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Eram uma e quarenta.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Pois que o creio (e assim o quero...)

Não há destinos pré-redigidos em letras ásperas.



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"I believe it's meant to be, darling
I watch when you are sleeping, you belong to me
Do you feel the same, am I only dreaming
Or is this burning an eternal flame?"

'Eternal Flame', The Bangles

sábado, 14 de março de 2009

O quê?

Nada. Este blog parece asfixiar-se a ele próprio. Isso não estava nos direitos de autor! Nem, postule-se, nos meus direitos!...

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"também podemos prever o desconhecido, o estranho, o sem precedentes nas suas estruturas sociais."

Alvin Toffler, 'O Choque do Futuro'

sábado, 7 de março de 2009

Permite-me assinalar?

Nem uma dor de dentes prolongada e maçadora me impede de saber o que sei; e o que não havia de esquecer.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

[a gerência arroga-se do direito de não dirimir títulos]

Ele tinha olhos verdes. Ela, azuis. Ou de outras cores. Sei sim que, juntas, destoavam. Criavam elipses mais que imperfeitas no espaço-tempo. Ou na concepção que dele temos, se é que. Ofereciam-se únicos neste incompasso abstruso, ousando impôr-se aos ditames que são aqueles que o distino dirige ou erige. Pautauvam-se pela insubordinação às regras. Sim, redundantemente desregrados. Era assim que se faziam. Mais, assim era o modo como se impunham. Quebravam regras e normatividades aplicáveis à temporalidade. Eram felizes, ditavam de acordo com diapasão próprio. A sintonia, a sinfonia!, era-lhes própria. Única e inesquecível. Garantidos que o futuro lhes pertencia, previamente (re)construído.
Padeceram.
O destino ironiza. Qual destino? Esse, pois. O que negas constantemente nos teus ditos (pré)doutorais. O que acolhes ao conforto do colo quando ele se faz à partitura do teu contentamento. És tão esperto. Pensas-te tão esperto. És tão vulgar... Não saberás, não percebes que te entolas no (quotidiano) ordinário?
Os headphones berram aos teus ouvidos. Que sacramento, o descanso dos demais; dos especiais. As colunas silenciadas imploram-te por uma vida que lhes tomaste de um assomo. Fazes de Deus. Pensas em Nietzsche. Mas quão longe, sabe-lo, estás desse personagem. Brincas com os conceitos feitos. Deus está morto. Deus é o Homem. Deus é cada homem. Eu, indivíduo, sou o meu Deus. Por amor de Deus, onde estás tu Deus, interrogas por fim com as calças quase mijadas. Conheces muitos como tu: ateus, quando caem os raios; férvidos crentes, mal se distribuem as benesses do ser metafísico. Quão banal... Espamo do (quotidiano) ordinário.
Os caracóis que não tens, cortados a tesoura e outros demais instrumentos, encobrem o que, de facto, és: o mesmo puto ainda que vezes qualquer coisa em idade. Idade... A idade é um elemento identitário que parece pretenderes endrominar com o teu paleio fingido de sabido mas mais antigo que as bruxas de todos os antigamentes. Finges esvair-te em sangue de alma. Não soubeste crescer, indagariam, cruelmente, mentes que em nada ficariam a dever ao conceito da implacabilidade. Sou grande. Asseres, tal qual vaca que, com a cauda, escorraça parasitas impróprios. Como um soba, arrogas-te na tua fímbria de convicções e certezas, reinando tão sábio quanto autoritário; e estúpido. Assim, um dia ainda escrevo um livro. Que sábio. Que estúpido. Não sabes ser? Apenas - será exigir demais? - ser? Buscas alguma pretensa imortalidade. Não, sabes que não. Mas uma progénie que te continuasse já não o negarias. Onde deixarias tu a tua semente? Quem a pretenderia, para dela também fazer sua prole? Tremes perante estas questões. São mais saber do que aquele que tu te dizes portador, não é verdade? Encontrei. Encontraram-me. Encontrámo-nos. Não imaculados, que isso já não existe. E não me venham com a treta da conversa fácil de virgindades: é muito mais que isso, a mácula. Corro, como os antigos das religiões de pau (que afinal são a nossa...), à pedrada quem quiser apresentar como dignos esses argumentos. São uns falsos. Todos falsos. Nem sequer, ai se o soubessem, procuram por virgindade alheia, mas antes pela sua perdida por demérito num acaso que permitiram com clara e evidente facilidade. Termos mais olhos que barriga não é uma expressão vã, ao invés profícua de significados (e significantes).
Houve um lapso de tempo. Ou dessa maneira nos querem fazer crer os nossos pré-conceitos. Fui fumar um cigarro. Enquanto isso a minha parca linearidade perante o que discursava ia, pouco e pouco, desvanecendo-se. Não foi, contudo, absolutamente surripiada a este meu real. Até quase concluo (que raio de conclusão?). Permito-me interpor armas: a conclusão aguardará. Decisão peremptória, mais decisiva que a de um inquisidor que busca por queimar lenha.
Encaro o irónico e o ridículo do contexto. Daquilo que me rodeia. De onde, mais a mais, me encontro fisicamente: confortável, ao comando de um Vaio (publicidade inerente à vaidade identitária) que teclo a bel-prazer. Já não é novo, mas não ancião como eu que me digo e quero na flor da idade (será assim tão mentira?). Porra, exclamo no puro (haja algo!) silêncio da noite, se bem que mais silencioso que um tímido caracol encafuado na sua carapaça. Percebo, pois já o havia percebido, ver-me num T2 que por amor partilho. Amor, sim. E que partilho, nem tanto. Comigo o partilham isso sim, de boa vontade e de fé incomensurável e veementemente inabalável. Para ele pouco contribuo, exceptuando o excesso de espaço que lhe vou conquistando a troco de nada, pois que a troco de nada teria de ser!, impondo a minha presença como fatalidade indelével. Percebo-o, mais não fosse, pelo rol de livros que espalho e acumulo no espaço a que chamamos, no plural, sim, escritório. Benevolente, cuspiriam línguas ignorantes, quem me alberga. Pois bem, mentiriam. Se pouco há de boa vontade neste mundo entrópico que vivemos posso bem asserir que bastante me coube: coíbo-me da afirmação que constatasse o merecimento, ou não, da situação, perdoem-me as aspas, “negociada”. A música berra, constante e síncrona, aos meus ouvidos. Diz-me, ao menos que estou vivo. Ridículo. Posso teclar como uma anémona, mas sincronizo racionalmente as músicas que autorizo entrarem pelos meus ouvidos. Bem ou mal, faço-o. Faço-o, ignore-se o altruísmo da hipótese de escolha, porque assim bem o entendo. Dito, por assim dizer. Ditador, talvez, por assim o fazer. Porém, é como ocorre inalteravelmente.
Podia sintetizar todo este discurso numa bela e grandiosa palavra (merda?), mas não o farei. Permitam-me, ao tardar da hora, que apenas sugira sinceramente que é impossível sintetizar algo que não é sintetizável. Uma pista: trata-se, de outra forma não poderia ser, de um sentimento. Abstraindo-me, a belo propósito de (não) o identificar, deixo ao paciente leitor que a descodifique. E não, não é uma merda, como coloquei em parêntesis: esse foi um grunhido de alma, nada mais. Um grunhido de alma. Se tiver que o julgar, fá-lo-ei mais daqui a nada. Haverá imberbes que não tenham ainda desconfiado da essência desse sentimento? Paciência. A vida, perdoem-me o calão, não ´tá fácil. Se não o sabem já, escusam de colocar próteses dentárias que, per si, respondessem à questão, diga-se, quimérica. Não responderei por vós. Sabem, a questão da “livre escolha”, que no fundo significa que todos sabem de si e ninguém sabe de merda alguma. Deus... E eu que já ultrapassara esta trapalhada... Se bem que, vendo as... Bom... o que é terminar? É, na minha mente, deixar algo semi-acabado para que alguém prossiga. Num continuar cujo fim nem o horizonte pode afiançar. Sou só e não só. Eu e não apenas, e justamente isso, não só eu. Se me questionarem se me orgulho disso... orgulho-me de toda uma vida, uns momentos bem mais que outros como seria, digamos, expectável. Termino ao olhar do espelho. E esse espelho sou eu, não se permitam confusões demasiado extrapoladoras. Por isso mesmo hoje deixo-vos sem imagens, sem as mui inteligentes 'quotes' que são hábito. Te digo, te amo. Afirmar mais seria sôfrego, senão impossível. Terminar...
Sou um pária urbano, filho de duas mães: aquela cujo apelido me acompanha e aquela que me viu, de igual maneira crescer, até me tornar homem, Lisboa. A tipologia da morada pouco importa, mas sim a identidade a que me atribuo (sem o retorno do exterior). Sou eu e sou quem quero que sou. Que valha, até agora pelo menos. Os meus pais... aquele que geneticamente me predispôs e aquele que nunca conheci... Hoje não há imagens, hoje não há motes que disparem a vossa imaginação. Encerro assim cru. Feito eu, que de cru nada tenho. Sou um puto homem mimado. Só quero acordar, confortável, ao teu lado. Será exigir demais? Conhecendo a vida sei que sim, nem por isso anseio por menos. Saberei ao menos a quem soprar os meus beijos? Sei. Essa foi fácil. Poderiam pregar-me rasteiras maiores. Lembram-se da história do imaculado ou da mácula? Já não há, disse-o, sem isso. Minto ou digo verdade. Como ser sociólogo desconheço aprofundadamente a realidade. Ou parte dela... Ingenuidade vs Cienticifismo não são doxas que agora se apresentem... Sei que ninguém é imaculado. Por razão de ser a mágoa acomapanha-nos (deixámo-nos daquelas tretas da virgindade, certo?). Sabemos que não é a exclusa companhia com quem percorremos trajectos. Sabem, pensando um pouco até somos virgens de nós próprios para connosco. Algo que nos acompanha. E que só deixamos por vezes. Não se trata de algo tão estático como nos querem fazer compreender. Termino: Não serás tu a primeira?
Não respondo, mas permaneço naquela expectactiva de quem não quer ser defraudado. Se cumprires, serei também eu o teu primeiro. Não digam que não importa, quando todos estamos inseridos no garante de que a primeira vez... Sonhem. Eu sonho. E se a primeira vez tivesse sido aquele jantar em que ias, salto alto, acompanhada por um vestido vermelho que asseguras nunca ter abraçado essa cor? O que importa? Somos os primeiros nem que seja duma décima vez... os primeiros porque... porque sim!
Fim. Finito. Aqui encerro. Apenas espaço para algumas escassas palavras:
Nada dura até ao eterno... Porém o que se sabe do que as estrelas, e os seus pozinhos magicos ditam? Para sempre podem ser dois dias. Pode ser, de igual forma, o mundo.
Fim. O que basta é o que basta. E todos precisamos, sofregamente, de alguém.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

São Rosas

Ele deu-lhe um beijo.
Ela por igual.
Todos os dias são todos diferentes, assumiram.

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"A fidelidade é sempre fruto da vontade e de uma escolha voluntária. Contudo, essa escolha não deve ser pensada como uma renúncia."

'Lições de Amor', Francesco Alberoni

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Responder às provocações?

Pois então querem saber o que consta escrito na página 161, quinta frase completa, do primeiro livro que me vier à mão. Cá fica. Mas não do primeiro, que estou a terminar de devorar, 'Lições de Amor', Francesco Alberoni, pois que não cumpria as premissas. Foi então deste e é o que diz:


"Edwards chamou-lhe «valor esperado», pois as pessoas escolhem de acordo com as suas expectativas e valores."

'Consumo, Logo Existo', Mário Beja Santos


Como ninguém cumpre as regras à risca, vou permitir-me não evocar ninguém em particular para participar neste desafio. Quem por aqui passar e com ele der de caras, responda se lhe aprouver. Então, até já.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Once upon a time ou a 36 velocidades

Há tempos idos, quando o ano ainda se escrevia com número invertido, «ia um cavaleiro pela estrada fora, estrada ingreme e arenosa, montado no seu cavalo de linhagem pura que a custo fazia o percurso»... Bom, retomando. Há tempos idos, dizia eu, quando o ano ainda se escrevia com nove invertido, houve um concílio entre Lua, estrelas e pozinhos cósmicos. Reunidas estas três entidades, tomaram uma decisão que consumaram em pacto. Assim foi escrita no céu estrelado, a pozinhos cósmicos, uma história como as de antigamente, daquelas em que todos viviam felizes para sempre. Uniram em matrimónio celestial os entes escolhidos. Hoje já quase ninguém acredita no felizes para sempre, mas muitos há ainda que desejam acreditar. Ninguém é perfeito; o Mundo não é perfeito. Todavia, existem imperfeições que roçam a perfeição. São essas que hoje exaltamos. E, shhh, nada mais acrescentamos por ora, permitamos ao invés que as vidas vividas falem por si.

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"O homem que não é senão um homem deixou de ser homem", A. Finkielkraut citado por François de Singly, 'Uns Com os Outros. Quando o Individualismo Cria Laços'