Hoje, por fim, foi o último dia com lentes prismáticas. Já ofereci as minhas boas-vindas às de recorte regular. Satisfeito, sim.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
sábado, 14 de julho de 2012
lost & found
Para ti.
"If you walk away, walk away
I walk away, walk away
I will follow
I will follow"
"If you walk away, walk away
I walk away, walk away
I will follow
I will follow"
domingo, 8 de julho de 2012
fragmentos
- Quando voltas?
- Talvez nunca tenha existido.
"O desejo de ordem é ao mesmo tempo desejo de morte, porque a vida é perpétua violação da ordem."
'a valsa do adeus', milan kundera
sexta-feira, 6 de julho de 2012
entre a emoção e a razão
Sétimo piso, o ‘chefe’ a aguardar.
Melhor, seria eu a aguardar por ele. Como de costume estava com alguém no seu
gabinete. Não lhe ouvira a voz, mas fora informado que estava reunido com
alguém, alguém esse de que não guardo a mais pálida recordação. Sentado no
sofá, olhei em redor. Tudo igual por ali, pelo menos parecia-me. Extrapolei,
considerando que o normal é que tudo se mantivesse igual por toda a Lisboa.
Sabia-me a exagerar, contudo essa sensação montada a partir de uma
generalização dúbia e grosseira era do meu agrado, pelo que a deixei tal qual instalar-se
a seu conforto no meu pensamento. Enquanto mantinha o olhar, agora algo perdido e em devaneio, a
cruzar o espaço que me enleava, martelava os dedos da mão direita num caderno
de notas, curiosamente adquirido aquando da deslocação à cidade do Porto: há
quem lhes chame, a estes fenómenos, sinais, predilecções de um destino que nos
ultrapassa; outros preferem dizê-los signos, cujos significados e significantes
devem ser criteriosamente analisados, decompostos e categorizados; eu opto por
denominá-los por acaso, conceito que tomo de empréstimo a Boudon e que me ficou
caro desde os tempos em que frequentava o curso de licenciatura. Reparei no
ruído provindo do contacto entre as extremidades dos meus dedos e a capa do caderno,
correlacionando de imediato este batucar com o estado de ansiedade que se
apoderara da minha vontade. Nada de anormal quando estamos incertos se o ‘chefe’
manifestará aprovação face ao trabalho, ainda que muito parcial, entregue ou
se, pelo inverso, discorrerá sobre as mais minuciosas incorrecções com que se
deparara ou até mesmo se bradará que o que fora entregue nada mais era do que
um leque de banalidades superficiais, de trivialidades mal trabalhadas e
desajeitadamente recolhidas num processo em que nada se ganhara, antes tendo-se
perdido tempo precioso acrescido por um desperdício de qualidades que me vai
reconhecendo em uma ou outra ocasião. Sorri por dentro, como se costuma dizer –
Como será que o nosso organismo pode sorrir por dentro? Não será uma tolice,
uma patranha da pior espécie, inventada por poetas populares inebriados pelo torpor
letárgico provocado pelo consumo de irresponsáveis medidas de álcool entre
tascas sombrias e casas de pasto de duvidosa integridade? Em resposta a este
raciocínio, voltei a sorrir por dentro, desta feita forçando a racionalidade a
partilhar a sua sobranceria com o espírito folclórico. Afinal sorrir por dentro
é belo, para além de que soa bem. Sorrir por dentro, como se alma manifestasse
o seu júbilo sem que o corpo, por gestos seus, a denunciasse.
Entretanto, da sala do emérito ‘chefe’
escutavam-se, ainda que muito ao fundo, duas vozes cujo tom se elevara e que
pareciam engajadas numa dança ritual de quem se despede e que canta até outro
dia que por hoje finda-se o tempo. Por outras palavras, a reunião estava
concluída e agora cumpria-se a etiqueta das boas regras. Não tardaria muito até
que ouvisse as palavras do senhor emérito, cumprimentando-me, convidando-me a
entrar e desculpando-se pelo atraso que teima em persistir em quase todos os
nossos encontros. Antes, dirigi as minhas cogitações na tua direcção. Sentia
uma irresistível tentação de procurar ao senhor emérito algumas informações
tuas, particularmente dos tempos em que ainda não te conhecia, porém sustive-me
já que estava convicto de que tal façanha poderia ser do teu completo
desagrado. Estranho, foste tu primeiro a buscar informações sobre mim de forma sub-reptícia,
esclareça-se, investigaste o meu passado na esfera do trabalho, o que eu havia
produzido ou aquilo que por inabilidade me havia redondamente esquecido de
produzir, e disseste-mo descarada e abertamente na cara, frente-a-frente, finalizando
com um espero que não se importe, caso se importe, então as minhas desculpas,
até me escutares a dizer-te não se preocupe, não tem qualquer importância, com
um sorriso tão estúpido quanto tolo cinzelado no rosto, irremediavelmente desarmado
pelo tão simples facto da tua presença. E ali estava eu a debater-me com uma
crise ética, a digladiar-me com princípios morais, a esgrimir considerações
sobre atitudes correctas e aquelas outras que nem por isso. As pessoas são
estranhas. Não podemos confiar nelas, se bem que são as únicas em quem podemos
confiar. Hábil e estranho paradoxo, contudo nada de inverdade em si. É assim
mesmo, a estranha – mas tão deliciosa – condição humana; logo Arendt se assomou
aos meus considerandos em silêncio, que mulher bestial deverá ter sido, para
mais numa época em que muitas portas estavam ainda teimosamente enferrujadas face
à pertença de género no feminino, se bem que tal situação decorresse já em pleno século XX…
faleceu antes de teres sido dada à luz, concluí sem no entanto saber o porquê
ou a relação desse facto com os acontecimentos que eu e tu vivemos
presentemente no nosso presente. Ergui a face para a porta acompanhado com os
globos oculares os movimentos muito mais pragmáticos daquele homem que admiro
acima de quase todos, estejam ainda a rodar pela terra ou tenham sido alimento
de vermes há vários séculos passados, e que amistosa e amigavelmente me
convidava a entrar, visivelmente entediado, contudo coisa que sabia não
dever-se nem à minha presença nem aos motivos da minha visita. Estava mais do
que decidido: não lhe perguntaria nada sobre ti, nem mesmo se estivesse no seu
poder uma fórmula de desvendar os mais misteriosos segredos de uma vida inteira
– estava a deixar-me arrastar pela minha vertente dramática, que tanto adora
fazer uso da sua pseudo-prodigiosa imaginação, quando o que necessitava era de
concentração e da minha máscara de actor no meu métier. Entrei no gabinete,
deixando-te à porta sem a menor das hesitações, apertámos as mãos e finalmente
poderíamos opinar sobre aquela parcela de um trabalho a e por concluir.
Pouco seria o tempo à nossa
disposição, numa questão de quinze a vinte minutos teríamos que estar numa sala
de outro edifício: um para introduzir um conferencista basco de renome, outro,
eu, para assistir à palestra. Ainda assim, nesta míngua de tempo, ousaste
tentar aflorar o meu pensamento. No entanto, sem piedade nem remorso, extirpei
esse assomo da minha existência ali naquele momento. És teimosa, sabes? Bela,
cândida e plácida; tenaz, decidida e vigorosa, sempre com o véu das primeiras a
cobrir estas últimas. És mesmo bem teimosa, sabes? Já to disse. Não te
desculpaste com lugares comuns do tipo é o meu feitio. Assumiste e retorquiste:
somos os dois, embora de maneiras bastante distintas. Tens razão. És tão
teimosa. Mea culpa, também o sou. Sorriste e beijaste-me, puxando-me com os
teus braços provocando o toque mimoso dos nossos corpos ainda vestidos. Foi um
beijo de verdade, não foi um beijo de tréguas. És teimosa, mas tens dificuldade
em mentir e até o teu corpo se ressente quando o fazes, comunicando na sua
linguagem que algo incómodo o atravessa. Não mentias, não. Foi um beijo de
verdade. E os teus braços, algo magros, como os meus, capturaram o meu torso
para que também os nossos corpos, à sua maneira, se beijassem. Não tinha muito a
acrescentar, aliás nenhuma crítica de monta, o que aliás me deixou enormemente
satisfeito. Queria apenas sugerir que enriquecesse o trabalho com isto e aquilo
e mais aqueloutro, sugestões brilhantes, admita-se, dignas de um homem ao qual
reconheço valor e mérito muito para além da mera escala profissional – sinto-me
orgulhoso por me ter aceite no seu círculo, jamais se dirigindo a mim com
prepotência ou complacência, tratando-me como um igual cuja falta maior seria a
escassez de experiência e não o potencial formal. Anui, evidentemente. Sugeri,
inclusive, que se poderia ir mais longe, que seria possível executar-se um
maior desdobramento no que propunha. Acenou afirmativamente. Por esta hora
devia estar a apresentar o basco; ele, não eu – eu iria ser um espectador.
Deixáramos para trás o edifício onde se tinha previsto o nosso encontro.
Interpelávamo-nos agora estacados no interior de um outro a aguardar, com a pouca paciência a
que podíamos apelar, pela chegada do elevador. Nem eu nem ele estávamos dispostos
a galgar os degraus até ao quarto andar de mote próprio se podíamos muito bem
esperar que uma máquina o fizesse sem o menor esforço. Posto isto, para
concluir, o que tem não está nada mau, está bom e interessante; agora é
continuar e ir angariando progressos – disse-me, informando-me que estava
concluída a conversa do motivo que em primeira instância me conduzira à sua
presença, naquele espaço tão específico e singular, tão prenhe de significados.
Saíamos do elevador em direcção à sala reservada à conferência onde o actor
principal já aguardava pelo seu colega de carreira, que o introduziria aos
presentes. Reconheci poucas faces e depois de uma informal e mútua pancada nas
costas ou no ombro, a comunicar um até já, dirigi-me a uma cadeira vazia e
ocupei o lugar situado algures na segunda ou terceira fila, falha-me a memória;
na segunda, estou certo disso.
O ‘chefe’ abandonou a sala. Compromissos
inadiáveis exigiam a sua presença. Já lho disse, anda a abusar; se entrou a
cem, saiu a trezentos. O senhor basco, é verdade. Um slide show incontável,
mesmo que eu me tivesse dado ao trabalho de os contar desde o primeiro.
Contudo, não lhe estou a fazer justiça. Profissionalíssimo muito além do que a
profissão lho exigia – e nós, já agora, que assistíamos com a atenção que fez
por merecer. De quando a quando baixava os queixos de forma a que o meu campo
de visão abrangesse os marcadores do meu relógio afincadamente preso ao pulso.
Parecia-me invariavelmente, ilusão de um tempo dito psicológico, que os ponteiros
se encontravam na mesma posição, preguiçosos em querer trabalhar, mais
preguiçosos do que eu, o que não é dizer pouco. Já sei, se me ouvisses dizer
isto censuravas-me com o olhar e ficarias meia hora a dissertar sobre o que é a
preguiça, o que devia e não devia fazer, como exagerava e em simultâneo não
exagerava. Calar-te-ia com um beijo. Não resultaria. Logo voltarias à carga, fizesse
eu o que fizesse, dissesse o que dissesse. Tens o teu timing interno que respeitas
escrupulosamente, só findarias quando a tua vontade determinasse que desejava
ficar por ali, mais do que satisfeita e saciada. Teimosa, sabes? Nem assim
deixaria de te dar esse beijo, porque sim. Teimosos os ponteiros. De nada
valeria acelerá-los artificialmente, o tempo é-nos exterior e está-se
marimbando para o que o meu relógio diz ou deixa de dizer; o meu e o de todos
os outros. Em tom coloquial confidenciei para mim próprio: tens que te aguentar
à bomboca. Pelo menos a temática era interessante e o facto de ser falada em castelhano
sempre quebrava um pouco com o ritmo pardacento de um dia inteiro, como o são
quase todos os dias regulares, a escutar e a verbalizar palavras e frases no
nosso português; não me entendam mal, aprecio muito e tenho todo o respeito pela
nossa língua materna. Nisto voltavas a mim e eu a esforçar-me por ouvir o
senhor vindo propositadamente da metrópole de Barcelona. Era a minha vez de
teimar e disse-te que ali não era o teu lugar. Curiosamente acabei por
constatar que até seria, contudo acabei por ficar morbidamente feliz por ali
não te encontrares – de não te encontrares a sério, fisicamente, e não como
produto da minha mente –, evitando-se assim que o nosso mundo profissional nos
colocasse numa posição com a qual não me quero debater. Devagar, a passo de
caracol engripado, a conferência avançou para o almejado término. O ‘chefe’
regressou, pontual que nem um britânico, cabia-lhe ainda a tarefa de moderar o
debate que se seguiria ao que fora comunicado. A minha satisfação tornou-se
irreprimível assim que ele atravessou aquelas portas. No máximo mais trinta
minutos, quarenta, dado que o senhor basco permanecia imerso nas suas palavras.
Duas horas e quarenta e cinco minutos após ter entrado, juntamente com o senhor
emérito, naquela sala fui ao rubro ao ouvir os primeiros aplausos. O basco
agradecia, como obrigam os bons modos. Deu-se início ao debate, ou, por outra,
o senhor emérito deu início ao debate – ao abrir das hostilidades, como eu
prefiro denominar este momento preciso. Um ou dois quartos de hora e estaria
livre daquela cela, voltaria a ser um indivíduo livre a fazer o quer que seja
que os indivíduos livres façam; o que amiúde, convenha-se, não é muito. Todos
erguidos e prestes a abandonar o local, eu entre os mais desejosos, lá nos
fomos paulatinamente movimentando. O emérito e o basco conversavam
entusiasticamente, bati levemente no blazer do emérito e à saída da sala
saudei-o em despedida com uma espécie de movimento de mão em continência. Em
retorno, recebi a palma de uma mão levantada e um olho piscado; ainda não satisfeito,
apontou-me o dedo e, alto, depois falamos, hã? Claro, retorqui. Teimosa, podes
voltar? Desço pelas escadas para compensar a cobardia de, antes, não as ter
subido. Tento sair pelas traseiras, o senhor segurança diz que não, que a porta
está já trancada e que não tem chave, que terei de sair primeiro para o passeio
da avenida e só depois de umas dezenas de metros poderei reentrar, agora pelo
portão principal, de encontro ao edifício onde inicialmente estivera, o tal do
sétimo piso, descer alguns lances de escadas ao encontro do automóvel. Podes
regressar, teimosa? Sorrio. Por dentro e por fora.
Apreciava com antecipação o
regresso ao teu amplexo, ao teu beijo morno. Era tarde e anoitecia a olhos
vistos. Pensei que quando chegasse a ti já o lusco fusco teria abandonado o céu
e o manto de estrelas reinaria por cima das nossas existências. Coloquei a
chave na ignição, esfreguei a testa cansada daquela tareia de intermináveis
horas passadas naquele lugar. O motor indicou-me que estava pronto, liguei os
médios como sempre faço quando entro ou saio da garagem do edifício. Fiz fé de
que o carro, a par de mim, conhecia o trajecto a percorrer. Marcha-atrás,
primeira, quero-te; tanto…
Adormeceste no sofá, agarrada ao
meu braço e com a cabeça a ele encostada, praticamente logo após termos
jantado. Senti que estavas exausta, por mais que me tentasses distribuir
sorrisos e piscadelas de olho marotas, por entre o manuseamento dos talheres, dos
copos e de outros que afins. Não contrariei a tua vontade, permiti julgares que
me iludias – embora, no âmago, soubéssemos os dois que apenas teatralizávamos,
como dois fantoches encantados a representar os seus papéis numa caixa e no
seio de um mundo de fantasia, respeitando-nos mutuamente, a nós e ao que somos;
temos muito para crescer, não o ignoramos porque não somos tolos nem ingénuos,
mas tal faz parte e aceitamo-lo serena e placidamente, ouso até asserir que o desejamos
com o tamanho das nossas forças que individuais se unem para a concretização de
objectivos comuns e partilhados. Confesso-te, já sinto a dormência do meu braço
a alastrar e a tornar-se inconveniente para além do aceitável. Pelas minhas
contas, grosso modo, mais de três horas se foram desde que ligaste a minha
televisão, que agora também é tua, e poisaste a cabeça no meu ombro, encolhendo
o mais do resto do teu adorável corpo para que coubesses, comigo, semideitada
nas almofadas do sofá. Não lhe ligaste peva, à televisão. Era indiferente o
canal sintonizado, pois era-te indiferente qualquer conteúdo que o ecrã lcd pudesse
projectar nos teus olhos de castanho-mel. O cansaço dominou-te e venceu –
embora só por hoje, digo-te eu que te chamo minha. Pesa-me o coração por ter de
te despertar, mas quero-te mais confortável, desejo que o teu sono aconteça
onde deva ser para que de facto repouses a fim de que, mais tarde, te reergas com
energias plenamente recuperadas ou, pelo menos, lá perto. Tens um sono bem
pesado, sabes criatura teimosa? Ignora o ruído da televisão, cujo volume,
apesar de tudo, já diminuí após uma prolongada batalha para me apoderar do
comando sem te perturbar, ignora o disparo violento e sonoro da ventoinha do
meu portátil, ignora a minha tosse teimosa por causa de uma garganta irritada,
questiono-me se não ignorará inclusivamente todo o mundo excepto aquele feito
de sonhos para onde te levou. Quase não sinto o braço e só devido a um esforço
mais do que considerável é que continuo a conseguir teclar com a mão esquerda;
com a direita aproveito para afagar o teu cabelo, para tocar levemente o teu
rosto. É imperativo acordar-te, desculpa-me. Quem me dera que houvesse outra
forma, mas não há. Tenho mesmo que o fazer, por mais que deteste, que abomine a
ideia. Antes, porém, sussurro-te um desculpa do qual nunca terás conhecimento.
Provavelmente dirigi-o a mim, não estou certo. Já não estou certo de nada; ou
antes, estou mas de pouca coisa. Começo igualmente a ficar baralhado e sinto
areia nos olhos.
É com agrado que estou de
regresso aos textos mais longos. Devo-o a ti. Estou-te grato, sim. Talvez um
dia, quem sabe, te fale deste blogue. Não hoje, isso é garantido. Já dormes
novamente e no mobiliário apropriado, pelo que fico satisfeito. Não te zangaste por ter
interrompido o teu sono. Esfregaste teimosamente um olho até à sua coloração
avermelhada se tornar mais acentuada e sorriste para mim. Tentaste regressar à
posição em que estavas, o que entendi mal agarraste com as duas mãos o meu
braço. Não permiti, no entanto, que poisasses a cabeça. Cama, imperativo mas
delicado, transmiti-te. Zombie lá caminhaste, trôpega, deliciosamente ensonada
e sem jeito nenhum a andar. Senti ainda mais ternura por ti. Num fôlego
ergui-me e servi-te de amparo até ao quarto, onde te deixei sentada na cama
para vir terminar estas linhas e desligar todos os aparelhos que, teimosos como
tu, pareciam ter vontade em ficar ligados. Falta só encostar a tampa deste
portátil. Fui observar-te, já dormes, tão sossegada como canta o Palma, e um
novo assomo de ternura percorreu todo o meu corpo. Falta encostar a tampa
deste. Não demora. Já me junto a ti.
domingo, 1 de julho de 2012
património intangível
Havemos de compreender que erigir templos, seja ao que for, de pouco ou nada serve. Todavia, destruir uma abstracção é virtualmente impossível.
Zzz...
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Crescer dói (?)
Odeio a sensação imbecil de quando, em síntese, chegamos à conclusão de que aquilo que perseguíamos não é em nada de facto aquilo que realmente pretendíamos (e pretendemos, bem entendido). Este é indubitavelmente um dos sentimentos mais frustrantes, e até acrescentaria incapacitantes, face aos quais, aqui e ali, nos deparamos. Todavia, há que vivê-los e experenciá-los, a esses sentimentos frustrantes, fazendo fé de que se trata de apenas mais um passo inerente ao inevitável e muito apreciado crescimento pessoal.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Voaste para outras paragens
Como já apontei noutros cantos, uma viagem não é uma viagem se não perder alguma coisa. Desta vez foi 'No País das Últimas Coisas', livro escrito pelo Paul Auster, que teve vontade própria em querer ficar no avião. E assim foi. Curiosamente, encontrei no cartão de memória da máquina fotográfica uma foto captada já no assento do aparelho. Todavia, e com a minha natural teimosia, tratei de encomendar novo volume, irmão daquele cujas páginas tinha começado a ler e que não foram assim tão poucas.
Enfim, o grande valor desta possibilidade de mobilidade passa exactamente pelo facto de que perdendo-se algo, invariavelmente, por outro lado, conquistam-se muitas outras mais-valias. Não trocava esta dinâmica por nada, seria um estilo de vida a manter.
©
terça-feira, 26 de junho de 2012
Fábula. Para graúdos.
Cheguei ofegante e atrasado. A rampa
de betuminoso que conduz ao edifício que tanto queria alcançar parecia não ter
fim, como nos filmes. Dentro do edifício, outro obstáculo. Dois lanços de
escadas para trepar. Passei o computador para a mão esquerda e ajudei o trote
com a mão direita a puxar contra mim o corrimão. Os restantes metros eram
fáceis. Com todos repentinamente a voltar os seus olhares para mim, entrei na
sala.
O músculo cardíaco bombeava
sangue a uma velocidade vertiginosa. Porém, sentia que as gotas de adrenalina
tinham deixado de pingar e iam, suavemente, deixando de fazer efeito. Começara
o processo de recuperação do esforço a que me obrigara. Limitei-me a olhar de
frente, fazendo-me por esquecer os rostos que em mim se fixavam com espanto e
talvez também com uma atitude de quem pretende repreender. Depressa, contudo,
se tornaram mais afáveis para comigo, talvez o meu cansaço tenha despoletado
sentimentos opostos àqueles que gostariam de imprimir naquele instante. Seja lá
como for.
Vi os teus olhos meigos, ainda
que chispados devido a um atraso que vias injustificado e injustificável,
cruzarem-se com os meus. Nem soergueste o queixo mais do que os milímetros estritamente
necessários para me confrontar. Mantiveste-te profissional, fazendo regressar a
tua atenção para com a jovem à tua frente. Profissional. Profissionalíssima.
Jamais alguém entendeu que por breves instantes havias quebrado a conexão com a
minha colega. Só quando os demais te interromperam é que te dignaste a
prestar-me atenção. E não tinhas outra hipótese, eu agora estava ali e tinha
todos os outros como testemunhas. Ah, afinal sempre conseguiu vir, colega –
brindaste tu com mágoa e desalento, talvez mesmo com umas acendalhas de rancor,
evitando sempre, e com um brilhante sucesso, que os demais desconfiassem do
laço que nos vai unindo.
Observei a plateia de luxo à qual
ia servindo um sorriso mesclado de saudação e de sincero pedido de desculpa
pela chegada tão em cima da hora. Percebi, desde logo, que havia perdido a pole
position para outros colegas, mas estava longe do meu pensamento resmungar.
Aliás, como poderia? Ainda que tivesse manifestado qualquer desagrado sabia que
me desintegrarias, primeiro com o teu olhar e de seguida com um discurso ameno,
como é teu hábito, mas prenhe de considerações que me embaraçariam até às
entranhas – e como tu, melhor do que ninguém, o sabes fazer. Colega, as minhas
desculpas por este atraso indesculpável, lamento imenso, um imprevisto… e
fiquei por aí, com as palavras a voarem perdidas e inacabadas no ar, até porque
nem eu mesmo saberia inventar mais o que acrescentar. Nem valia a pena. Sorriste,
sempre impecável com a postura correcta e dada à situação, e nesse sorriso
ordenaste-me que me calasse e que tomasse um lugar sem delonga e tentando
incomodar o menos possível todas as pessoas que estavam já sentadas nos seus
lugares – e tudo isto sem precisares de proferir uma única palavra, imagine-se.
Entre os desculpe e obrigado, lá abanquei num lugar miraculosamente vago junto
à janela. Expirei o mais fundo que consegui, coisa que não fiz de forma ciente,
e pedi ao meu coração que me desse tréguas, cavalgando um pouco menos depressa,
e à minha garganta que não fosse tão ríspida comigo, seria o mais célere
possível em atribuir-lhe a água por que tanto, e justamente, reclamava.
Agora com o netbook colocado em
cima do tampo da mesa recordei-me que na noite pretérita te havia trocado pelo
computador. Tentei evitar entrar em conflito comigo mesmo por causa desse
acontecimento e por isso girei a cabeça em direcção ao vidro da janela que me
apresentava uma paisagem bem distinta daquela que eu percorrera até estar finalmente
no interior do edifício. Ia começando a inquietar-me com o sucedido na noite
que passara quando a tua voz interrompeu, decidida, o meu raciocínio. Agradeci-te
por essa façanha mais tarde, se bem que na realidade nunca to tenha dito.
Sobranceira e cândida eras a única pessoa erguida na sala. Todos te olhavam,
todos te escutavam, todos bebiam a tua fonética e os teus gestos, delicados
como se ensaiados ao pormenor. Estavas bela. És. Finalmente sossegado, com o
ritmo cardíaco novamente a funcionar como a mais bem cadenciada das máquinas, a
garganta afinada ao detalhe e desprovido de qualquer vestígio de suor que o
esforço impusera à minha testa, ao meu pescoço, às minhas mãos e onde mais ele
se tivesse instalado. Apurava a audição, já não comprometida pela respiração
ofegante e assíncrona de minutos atrás, e ordenava aos miolos que se
concentrassem no motivo que me havia trazido ali; obtive cem por cento de
sucesso. Todavia, permanecia com o maior dos cuidados, continuava a temer-te.
Se tinhas boas razões para não estares de bem comigo, hoje havia-te dado ainda
mais, as suficientes para que estivesses honestamente zangada comigo. Cerrei os
olhos por uns instantes. Firmei os maxilares um no outro, foquei-me: não havia
mundo para além daquela sala.
Apresentaste os intervenientes de
maneira tão sóbria e simultaneamente tão dócil que isso te valeu uma valente ovação
no final. Confesso, inclusive, que fiquei com uma pitada de ciúme, já sabes
como sou. De seguida sentavas-te e escutavas como se te tivessem transportado
para um recital de piano e cordas, imperturbável, serena e sempre com o teu sorriso
jovial desenhado na face. Quase me distraías, mas também eu nestas circunstâncias
sou imperturbável, se bem que nada airoso como tu consegues ser, antes o
inverso: nota-se a tensão nas minhas têmporas, os olhos tremendamente sérios
coadjuvados por um arqueamento forçado das sobrancelhas, o semblante
empedernido como o de uma estátua talhada mais de um milhar de anos antes do
nosso tempo. Somos tão diferentes. E tu és sempre mais bela. E eu, eu sou o
pragmático, implacável com os erros, próprios ou alheios, o tipo sisudo que
serve para aquilo sem que no entanto cative quem quer que seja no que remete
para fora desse cenário. Como te cativei? Essa pergunta já rodou o meu cérebro
milhões de vezes e nunca encontrei qualquer tipo de resposta satisfatória,
nenhuma hipótese inabalável, nenhuma síntese digna de verdadeiramente o ser.
Como? Considerado ao contrário, a resposta é tão óbvia que quase roça a
suspeita; mas não, é inapelavelmente verdadeira. Ganhaste a minha confiança em
segundos, obtiveste a minha simpatia sem que eu me questionasse: bastou-te
seres tu. Contudo… e eu? Como agradei o teu olhar, olhar esse que se ancora a uma
aguda inteligência e astúcia? Quando to pergunto, enleando ou em proposição
directa, sorris e piscas os olhos um pouco mais depressa durante uns escassos
segundos. Alguma vez me irás permitir saber? Isto é, saber dizendo-mo tu
frontalmente e em palavras que eu consiga interpretar.
O tempo correu depressa, ou
pareceu-me que sim. O nível de argumentação era muito bom, superior à média do
que já experenciei em vivências lá fora, nalgumas das capitais do conhecimento
da Europa. Dignificava a nossa condição, a nossa arte. Tinha ficado, por força
das circunstâncias que eu próprio construí através do meu atraso
despropositado, com a última posição. Nem por isso verguei ao peso da
responsabilidade. Ergui-me e sentei-me com convicção, não cedendo nem
exagerando no meu acto encenado. Tracei o meu sorriso profissional – gosto de o
chamar assim, pois deposito toda a fé no facto de que mais nenhum dos sorrisos
no meu lote de sorrisos é tão sui generis como este – e encarei todos de
frente, destemido como um soldado que oferece o peito ao chumbo pela sua
pátria, pelos seus valores, pelos seus ideais; e não tombei. Entretanto a tua
voz preenchia graciosa o ar daquele espaço. Escutava-te atentamente, falavas de
mim, de quem eu era – e sou – numas míseras quatro ou cinco frases não muito
alongadas. Estou a ser injusto, sei que procedeste de igual para com os que me
antecederam. Estávamos todos condicionados pelo tempo e não eras, nem podias
ser, excepção. Evitei ao máximo olhar-te, e fui bem sucedido, enquanto me
enquadravas no seio daquele cenário, não fosse a minha máscara dissipar-se e
trair sentimentos mútuos, esforcei-me portanto por transparecer uma
concentração real e credível face a todos os que assistiam. Iniciei e terminei
com total ausência de sobressaltos. Talvez até com uma certa ausência de mim.
Talvez, não. Indubitavelmente. O comportamento na presença daquele público em
particular obrigava a que eu, escondendo, renunciasse a uma parte de mim; fi-lo
sem pejo nem pudor.
Seguiu-se uma discussão que
guiaste e que pecou tão somente pela razão de ter sido excessivamente célere
quando se pedia por mais. Contudo, tínhamos um horário a cumprir. Se não fosse
cumprido, com o mínimo de rigor, seria o bastante para instalar a entropia na
ordem de trabalhos. Zelaste imaculadamente por esse cumprimento. No final, quando
proferiste o discurso conclusivo, ofereceste-me um mimo absolutamente
inesperado: citaste um trecho do meu trabalho, preterindo assim das palavras de
outros que pelo estatuto em que estão envoltos deveriam ter sido a tua escolha.
O meu sorriso profissional manteve-se fiel e as restantes expressões possíveis
do meu rosto ou do meu corpo alinharam, também elas, no mesmíssimo sentido. Só
bem mais tarde te soprei ao ouvido a minha gratidão. No corredor, já fora da
sala quadriculada, fui assomado por pessoas que queriam o meu e-mail, que não
tinham conseguido apanhar na íntegra durante a exposição, algumas falando num
português estrangeiro a Portugal. Não tive oportunidade para ficar surpreso,
logo me vi enfiado em conversas que se desenrolavam em pequenos grupos, onde
uns falavam e a maioria se limitava a escutar numa posição de espectador
manifestamente assumida. Enquanto também eu dava ao verbo, passaste por mim de
rasante e apertaste-me a mão esquerda que logo abandonaste com uma festa
delicada dos teus dedos. Tão rápida e tu tão senhora de ti que ninguém reparou:
só nós o sabíamos. Porém, e por mais que muita que fosse a vontade, não me
podia permitir a abandonar o local. Sabia igualmente que tinha outro encontro
marcado para logo, logo, cujo assunto era e é demasiado sério para se deixar ao
incerto abraço do acaso. Deixei de pensar até em ti, aquela ambiência absorvia-me
por completo e em absoluto. O cérebro trabalhava com um objectivo excluso, o
meu pensamento era redutor, imerso naquela realidade.
Abandonei o edifício cerca de
cinco horas mais tarde. Não te voltara a ver, o que até então não me
perturbava. Estava embriagado na minha própria euforia. Creio mesmo que terás
reparado e que se não nos encontrámos mais vezes durante essas cinco horas terá
sido inclusivamente por obra tua, evitando-me propositadamente. Transpus o
portão de saída saudando o segurança e só olhei, e de soslaio, uma única vez
para trás. Alguém chegava de táxi, deixando-o vago. Logo desisti de ir até à rotunda
da Boavista a pé como prometera fazer para compensar o meu desleixo com o
exercício físico, o que ocorre demasiadas vezes mesmo que de tal esteja
perfeitamente ciente. Fiz sinal ao condutor. Anuiu, podia entrar. Para o
aeroporto, se faz favor. O acelerador foi pisado e o veículo depressa se pôs a
galgar primeiro metros e depois quilómetros. Para o aeroporto, pensei para
comigo. Carregava a sensação de um vazio, à qual decidi não atribuir
importância. Desejava desesperadamente o avião do meu voo, regressar a Lisboa. Tudo
o mais era mero ruído residual em torno de mim. No check in perguntaram-me se
não viajava com bagagem que quisesse despachar para o porão do aparelho. Asseri
que não, agradecendo. Caminhei, todavia, inseguro para as portas de embarque.
Exactamente como aquando do percurso inverso, coisa extremamente rara, o aparelho
de detecção de metais optou por me dar tréguas e não buzinou à minha passagem.
Parei no número trinta e três e recostei-me nas desconfortáveis cadeiras de
aeroporto. Qualquer coisa mexia comigo, mas o pensamento teimava em manter-se
redutor, tal qual seis ou sete horas antes. A sensação de desconforto
transmutou-se de assomo para presença inquestionável, era demasiado premente.
Revi parte do trajecto. Detive-me nas memórias do check in. Qualquer coisa
sobre bagagem. Porra! Nem me despedi dela! Enfiei a cara nas mãos formatadas em
concha, esfreguei os cabelos com força e pertinácia. Merda, merda, merda.
Miolos de merda. Provi, contudo, de me acalmar: nada podia fazer agora que
alterasse o rumo dos acontecimentos. Mais uma vez, o que precisava era da
cabeça fria. Ergui-me de imediato num impulso, estaquei e reli os painéis de
embarque. O voo dela seria só no dia de amanhã e não estava ainda contemplado
na listagem. Quanto ao meu pouco restava, deixando-me com uma escassíssima
margem de manobra. Pela primeira vez desde que saíra daquela sala, não fazia a
menor ideia do que fazer, de como agir. Então agi da maneira em que,
literalmente, sou perito: não agindo.
Prestes a embarcar, sobravam três
ou quatro pessoas na linha, decidi-me a enviar uma sms. Três letras, um hífen,
mais duas letras, um ponto final. Mal o relatório de mensagem entregue surgiu
no visor, desliguei o telemóvel. Entrei no aparelho, dirigi-me ao meu assento,
confirmei se o i-pod estava desligado, coloquei o cinto de segurança, tudo com
um automatismo que noutras circunstâncias certamente despoletaria em mim
sentimentos de náusea e de horror. Meia-hora de viagem, após a qual um inferno
até ao dia seguinte ou, quiçá, até ao outro e ao outro e ao outro. Enterrei a
cabeça no encosto. Fechei os olhos e implorei ao meu cérebro que se desligasse
por uns minutos. Nem tinha dado conta do quanto estava exausto, intelectual e
fisicamente. Voltei a olhar o Porto, agora pela janela e noutra perspectiva.
Estava escuro, noite feita, e as luzes da metrópole da Invicta pouco mais
permitiam do que alguns vislumbres do seu tecido. Volvidos vinte minutos e
estaria a aterrar na Portela. Sem ti. Sem um beijo teu. No Porto ficara o que mais
importa, a bagagem que verdadeiramente merece consideração. Até amanhã,
sussurro bem baixinho e, desta feita, com o mais honesto e doce dos meus
sorrisos. Até amanhã…
©
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Foi você que pediu...?
O Porto vai correndo de vento em popa, por ora. Falta o mais
difícil, claro está. Esse está sempre, lá se ajeita paulatinamente, presente.
Difícil. Ora, não é necessário recrutar uma centena de milhar de neurónios para
o discernir do impossível. Se é difícil, faz-se. Pena que tanto chova neste fim
de tarde. Contudo, o cinza até acaba por cair bem numa cidade de paleta de
inapeláveis cinzentos, como me acostumei a observá-la com os meus olhos. É que
há coisas que não são fáceis de entender. Nada fáceis. Ainda assim, concedo uma
ternurinha à Invicta. Nada mesmo. Fáceis.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Enfático
Como é bela, a Airosa Academia. Música da minha vida...
"Aquela era uma experiência há muito esquecida, do seu tempo de estudante: não só estar atrasado, mas sentir-se ignorante, incompetente e infeliz, com todas as outras pessoas misteriosamente sabedoras, como que coligadas contra ele."
'Solar', Ian McEwan
segunda-feira, 11 de junho de 2012
the tale, part III
Rebentar com um pneu do carro após ter comprado pela terceira vez o mesmíssimo livro tem o seu toque lírico, que roça a ironia. Tem igualmente o condão de deixar em descontrolo os meus neurónios; a porcaria dos nós dos dedos raspados no alcatrão é o menos, passa num instante e não ficarão cicatrizes para evocar dias pretéritos. It's a beautiful world, meu caro. It's a beautiful world... (inspira... expira... inspira... expira... ...)
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Stitches
Acabados de chegar da oficina. Não estão como novos, embora praticamente o aparentem. Ainda não foi desta que lhes declararam o óbito. Têm mais vidas que os gatos.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
E depois veio a chuva
E o raio da chuva estragou-me os planos para uma excelente noite de trabalho numa esplanada de Cascais. O único trabalho foi o de chegar ao carro não encharcado como um pintainho. Oh well, fica para outro dia, outras núpcias mais em conveniência.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Captações a cores
E, num instante, o sol volta a brilhar. Nem tudo pode ser mau, como em sapiência assere a rapaziada que chamamos povo.
Agora com a pena aplicada ao acontecimento no Porto e com os miolos a pensar já em Barcelona. Cool 'n' no stressing.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Proposições
Não acredito no incondicional. Paciência.
'Something Stupid', Robbie Williams & Nicole Kidman (Frank Sinatra cover)
domingo, 22 de abril de 2012
Come again?!
"Sei que há pessoas interessadas de forma desinteressada".
Até posso - e sei - perceber o que pretendes informar. Mas deixa-me complicar um bocadinho, sff.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
Os olhos do 'outro'
- De ondes és?
- Não de cá.
"A central feature in making an interpretation of tourism as encounter is the importance of mediation." (p. 207)
David Crouch in 'Tourism. Between Place and Performance', Simon Coleman & Mike Crang (ed.)
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Da Invicta
A planear viagem ao Porto. No mês de Junho mais um Congresso e mais uma comunicação plus paper. Tinha ponderado ir de carro, todavia é ridiculamente mais barato acomodação e transporte se estiver disposto a trocar o veículo terrestre pelo avião, no já famoso registo de 'pacote'; isto para não mencionar o tempo gasto, que também apresenta supremacia em relação a outro medium ponderado: o comboio, num alfa pendular.
Fica assim decidida, num esfregar de olhos, a ida - e o retorno - via avião. Strange new world... Melhor para mim. O Ambiente é que se quilha, o eterno danado pela modernidade... (suspiro...)
PS: Espero fazer boa figura. Aliás, conto com isso.
PS: Espero fazer boa figura. Aliás, conto com isso.
A oeste, na metrópole
Começo mesmo a ficar farto desta merda. Todavia não se interprete precipitadamente: só desisto quando reiteradamente me atropelarem o cadáver.
©
"I walk a lonely road
The only one that I have ever known
Don't know where it goes
But it's home to me and I walk alone
I walk this empty street
On the Boulevard of Broken Dreams
When the city sleeps
And I'm the only one and I walk alone
I walk alone
I walk alone
I walk alone
I walk a...
My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'til then I walk alone
Ah-ah, ah-ah, ah-ah, aaah-ah,
Ah-ah, ah-ah, ah-ah
I'm walking down the line
That divides me somewhere in my mind
On the border line
Of the edge and where I walk alone
Read between the lines
What's fucked up when everything's alright
Check my vital signs
To know I'm still alive and I walk alone
I walk alone
I walk alone
I walk alone
I walk a...
My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'til then I walk alone
Ah-ah, ah-ah, ah-ah, aaah-ah
Ah-ah, ah-ah
I walk alone
I walk a...
I walk this empty street
On the Boulevard of Broken Dreams
When the city sleeps
And I'm the only one and I walk a...
My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'til then I walk alone..."
'Boulevard of Broken Dreams', Green Day
sábado, 7 de abril de 2012
Falta uma noite bem dormida
Posso não ter muitas ideias mas consigo muitas vezes ser idiota.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Hate this weather
Afinal o coelhinho da páscoa não é a versão gay da playboy. Tantos anos iludido...
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Terminaram as mentiras?
Não.
Evidentemente que não. E, reiterando frase de post anterior, não minto.
domingo, 1 de abril de 2012
Pela pele de (minha) Lisboa
Haja chuva.
Assim, passeei-me placidamente pelos três lugares que albergaram ou ainda albergam as duas instituições de ensino superior nas quais desenvolvi - e desenvolvo... - estudos. Lisboa encontrava-se quase deserta, ou assim aparecia aos meus olhos. De Campo de Ourique ao Cais do Sodré até à Avenida de Berna, optando sempre que possível por vias alternativas. Há muito que já não realizava este trajecto. Se bem que não fosse o que primeiro me viera à mente, acabou por afirmar-se coerente e congruente em função das expectativas originais. Evidentemente que não tem, este trajecto, nada que à primeira vista pareça extraordinário. Porém, o extraordinário sucede por se inscrever numa história de vida em particular, numa história de vida comum mas plenamente singular.
Haja chuva. Ainda assim, não prescindo da companhia dos óculos de sol que retêm em suspense o que as janelas da alma querem contar de alto. Com chuva ou sem ela, mas ainda bem que a havia, a mais recente aquisição destes silenciadores dos ditos que as janelas da alma exaltam cumpriram bem e determinados a sua função.
E não, não é mentira. É tão somente mais um 1.º de Abril.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Just as usual
Teimoso. Ainda aqui andas.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Despertar-se-á? Sim.
Nada é fácil. Temos que lutar pelo que temos e pelo que não temos e que queremos. O que acontece quando se perde a vontade de lutar é o absurdo e o inominável. Quando se perde essa vontade de luta desistimos não só das externalidades mas principalmente de nós próprios. Não se trata de nenhuma pérola de sabedoria, antes do manual básico da vivência humana.
Amanhã é, só!, dia de mais um(!) pequeno-almoço.
Até sempre. Salvé, Caesar. ;)
Ter-lhe-ei dito o quanto ficou mal e mais aquilo que por fazer restou? De certo. Até já.
"Take a look at my girlfriend
She's the only one I got
Not much of a girlfriend
Never seem to get a lot
She's the only one I got
Not much of a girlfriend
Never seem to get a lot
Take a jumbo cross the water
Like to see America
See the girls in California
I´m hoping it´s going to come true
But there´s not a lot I can do
Like to see America
See the girls in California
I´m hoping it´s going to come true
But there´s not a lot I can do
Could we have kippers for breakfast
Mummy dear, Mummy dear
They got to have ´em in Texas
Cos everyone's a millionaire
Mummy dear, Mummy dear
They got to have ´em in Texas
Cos everyone's a millionaire
I´m a winner, I´m a sinner
Do you want my autograph
I´m a loser what a joker
I´m playing my jokes upon you
While there´s nothing better to do
Do you want my autograph
I´m a loser what a joker
I´m playing my jokes upon you
While there´s nothing better to do
Don´t you look at my girlfriend
She´s the only one I got
Not much of a girlfriend
Never seem to get a lot
She´s the only one I got
Not much of a girlfriend
Never seem to get a lot
Take a jumbo cross the water
Like to see America
See the girls in California
I´m hoping it´s going to come true
But there´s not a lot I can do."
Like to see America
See the girls in California
I´m hoping it´s going to come true
But there´s not a lot I can do."
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