
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Pequerruchos...

segunda-feira, 7 de maio de 2007
Sweet Fifhteen
Mais de quinze anos em cima. Tudo diferente. Diferente também a perspectiva de encarar a vida. Crescer? Desenvolvemo-nos, dizem. A idade da adolescência pueril foi-se, esvaída, faz muito.
Hoje o tempo conta-se de outra memória. Quinze anos é uma demasia, mesmo sabendo que aos quinze anos os achava poucos e queria mais para ser gente; gente graúda, gente miúda a querer ser gente graúda.
Hoje, adulto, quero igualmente mais. Muito mais. A diferença porém, subtil mas certamente arremetida pela idade actual. A diferença é que querendo mais quer-se mais ainda que passe devagar num devagar mais devagar. Uma ténue diferença… no fundo é sempre o mais que conta, é o mais que queremos sempre mais num mais pautado por uma exigência vincada na(lguma) experiência de quem sente ou começa já por sentir o peso dos anos e que, a todo o custo, quer ver evitado os patamares que se seguem – as idades que não voltam atrás e que vão marcando de forma expressa as rugas de expressão.
Quinze anos… Permite-me agora o estatuto, algum, de uma idade irremediável e incontornavelmente adulta compactar em parte o tempo vivido, sem carência de justificações que, essas, seriam pueris.
Quinze, então, é o que eu quero – o que nós queremos, se assim é partilhado. Não, não quero que passe tudo depressa demais. Quero ter memórias onde me ancorar sem que a veloz velocidade do tempo interfira em demasia.
São quinze, sim. Serão outros tantos, por mim podiam inclusivamente ser contados em séculos de tempo real. Quero quinze e mais quinze e outros tantos quinze. Todos. Não se trata de fome esganada, antes, convenha-se, tratar-se-á de um desejo fortemente iluminado. Quinze, onde a dança, também ela, conquistou o seu território. Queria e quero, quinze vezes quinzes, dançar nesta partilha de experiências de vidas vividas; vivenciadas. Com a rotina e a novidade de cada batuque do tempo, a cada novo batuque seu. Sim, quinze. Outros quinze. Outros quinze e outros tantos. Tantos enquanto o Sol continuar a acalentar-nos; tantos enquanto o sorriso do luar nos abraçar na mais contínua das ternuras. Dois a quinze. Não quero melhor. Não o há. Até já, o tempo há-de voltar a recordar-nos neste espaço intemporal que vivemos. Quinze muitos. Quinze, pelo dois… Há pozinhos mágicos, feitos de pedaços de estrelas; a esses ninguém lhes desencripta o segredo… o segredo é esse: não desvendável, ainda que apreciado amiúde com vontade e fúria inabaláveis.
“She lives on love street
Lingers long on love street
She has a house and garden
I would like to see what happens
She has robes and she has monkeys
Lazy diamond studded flunkies
She has wisdom and knows what to do
She has me and she has you
She has wisdom and knows what to do
She has me and she has you
I see you live on love street
Theres this store where the creatures meet
I wonder what they do in there
Summer sunday and a year
I guess I like it fine, so far
She lives on love street
Lingers long on love street
She has a house and garden
I would like to see what happens
La, la, la, la, la, la, la, la, la, la, la, la, la, la”
‘Love Street’, The Doors
sábado, 7 de abril de 2007
Sete vezes dois...
É como nas contas, quase nunca acerto - ou se acerto, acerto para o meu lado. Estará a natureza que nós conhecemos perversa? Não creio; e pelo menos nesta conta acertarei: sem dúvida que o resultado é catorze... catorze pequenos infinitos que glamorosamente brilham no tempo. O resto da conta não sei; parece ainda mais infinita, se é que é possível. Parecendo ou não parecendo, é o que quero. E ainda sei bem o que quero.
"Aconteceu...
e por me teres feito cego
recordo o sabor da tua pele
e o calor de uma tela
que pintámos sem pensar.
Ninguém perdeu,
e enquanto o ar foi cego
despidos de passados
talvez de lados errados
conseguiste-me encontrar.
Foi dança
foram corpos de aço
entre trastes de guitarras
que esqueceram amarras
e se amaram sem mostrar.
Foi fogo
que nos encontrou sozinhos
queimou a noite em volta
presos entre chama à solta
presos feitos para soltar..."
'Fogo e Noite', Toranja
... porém prefiro Sol e Lua...
domingo, 1 de abril de 2007
Quando não é peta
Sem a peta, coisa que ressoa com o título. Sem a peta, sim; e sim, porque sim: escuso-me a explicações por, contornos seus, tão escusadas serem. O primeiro de Abril de há alguns anos terá sido certamente um dia radioso, pleno daquele estado solarengo que tão poucas vezes surge a exibir-se: ainda que, sem paradoxo, não houvesse raiado um único raio de Sol; mas certamente que solarengo, de Sol firme e disposto por convicções que só a ele e a mais ninguém, ou quase, respeitam. O primeiro de Abril de há alguns anos foi certamente de Lua cheia, aberta numa áurea inexprimível pelos sentidos; assim se terá iniciado o dia, mesmo pouco antecedendo a que se improvisassem as suas duas primeiras badaladas: ainda que, sem paradoxo, não houvesse Lua visível ao olhar humano – mas havia-a assim e muito mais para a vida.
É raro, e algo desconcertante quem sabe, exaltar desta maneira um dia. Mas, sem paradoxo, porque não: porque não fazê-lo? Exaltar o que é sublime não é crime nem pecado – nem lei nem divindade por ordem alguma se aprouveriam em sancionar tal façanha; se me questionarem porquê, retorquirei breve porque sim… porque sim.
Se nada é perfeito, e menos ainda o mundo que todos nós vivenciamos quotidianamente, inquestionável é que este se torna melhor pela graça das graças que, escassas mas irreprimíveis, se gera; gera… gerando em parto consumado. E daí até que as estrelas, em pozinho cósmico, se decidam a enredar todo o tecido de uma história, de histórias de vida… bem, isso é segredo delas; e com elas permanecerá – sabendo que, apesar desse pudico segredo, também nós vamos sabendo… sabendo vivendo, acrescentaria eu.
Certo é, sabemo-lo, que a memória tende a ser curta. Porém, afirmando em locução de asserção inabalável, cá vou estando; cá vou estando nesta afirmação que diz em peremptória exclamação ‘não esqueci!’.
É a vida… Gosto dela. Sim, se um duque e uma oitava conseguem compor sublime sinfonia…

"In a garden in the house of love, sitting lonely on a plastic chair
The sun is cruel when he hides away, I need a sister - I'll just stay
A little girl, a little guy - in a little church or in a school
Little Jesus are you watching me, I'm so young - just eighteen
She, she, she, she Shine On
Shine On
Shine On
In a garden in a house of love, there's nothing real just a coat of arms
I'm not the pleasure that I used to be - so young - just eighteen
She, she, she, she Shine On
Shine On
Shine On
I don't know why I dream this way
The sky is purple and things are right every day
I don't know, it's just this world's so far away
But I won't fight, and I won't hate
Well not today
In a garden in the house of love
Sitting lonely on a plastic chair
The sun is cruel when he hides away
Shine On...
Shine On
Shine On
....and on...and on...
Shine
Shine On
Shine
Shine
Shine"
'Shine On', Apoptygma Berzerk (or. House of Love)
sexta-feira, 16 de março de 2007
Certo é que...
©
"O tempo não sabe nada, o tempo não tem razãoO tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção
Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós
Meu amor, o tempo somos nós"
'Eternamente Tu', Jorge Palma
quarta-feira, 7 de março de 2007
Ao décimo terceiro...
Enfim, um número importante. Tão e não menos que os restantes. Portanto, cá fica relembrado que o 13 não é esquecido; e talvez seja mesmo isso o que importa...
"Bad luck wind been blowing at my back
I was born to bring trouble to wherever
I'm at Got the number thirteen tattooed on my neck
When the ink starts to itch, then the black will turn to red
I was born in the soul of misery
Never had me a name
They just gave me the number when I was young
Got a long line of heartache
I carry it well The list of lives
I've broken reach from here to hell
Back luck been blowing at my back
I pray you don't look at me, I pray I don't look back
(...)"
'Thirteen', Johnny Cash
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Esterótipos?!
'Sexo e Amor', Francesco Alberoni
sábado, 10 de fevereiro de 2007
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Simplicidade: 01
Um ano passa. Um ano se ganha.
©
"Over the sea and far away
She's waiting like an iceberg
Waiting to change
But she's cold inside
She wants to be like the water
All the muscles tighten in her face
Buries her soul in one embrace
They're one and the same
Just like water
Then the fire fades away
But most of everyday
Is full of tired excuses
But it's to hard to say
I wish it were simple
But we give up easily
You're close enough to see that
You're the other side of the world to me
On comes the panic light
Holding on with fingers and feelings alike
But the time has come
To move along
Then the fire fades away
But most of everyday
Is full of tired excuses
But it's to hard to say
I wish it were simple
But we give up easily
You're close enough to see that
You're the other side of the world
Can you help me?
Can you let me go?
And can you still love me
When you can't see me anymore?
The fire fades away
Most of everyday
Is full of tired excuses
But it's too hard to say
I wish it were simple
But we give up easily
You're close enough to see that
You're the other side of the world
The other side of the world
You're the other side of the world
To me"
'Other Side of the World', KT Tunstall
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Estádios...
François de Singly, 'Livres Juntos'
sábado, 13 de janeiro de 2007
Além Tejo I
Folheto informativo, 'Klacid OD 500 mg'
domingo, 7 de janeiro de 2007
Tique décimo primeiro
Os minutos correm; às horas não mais se atenta às parcas badaladas que as anunciam; os dias sobrepõem-se sem demora substituindo-se pela semana, semanas e, quando retomarmos à consciência, pelos meses.
A velocidade é alucinante, se estacarmos para admirar o envolvente. Se há uns segundos vivíamos a hora zero, reabrimos os olhos com onze meses de história. Poder-se-á falar de história? Ou esta não é mais do que um mecanismo iniciado – inventado? – bem antes dos nossos egos terem verificado a sua existência num pretenso porvir para sempre? A história continua, prossegue após se terem esgotado os nossos tempos naturais. É-nos exógena e intocável, pelo que, para precaver, devamos agarrarmo-nos aos exíguos momentos que dela podemos desfrutar numa tentativa de apropriação que os torne nossos.
Um ano, coisa redundante, conta doze meses. Estaca-se a fim de observar a velocidade das existências nestes mundos que construímos tanto quanto nos constroem: se onze meses foram então supra mencionados, então também o significado e o significante que outro ano se afirma prestes a iniciar. A velocidade é de facto alucinante; mas a memória não escorre para o vazio do esquecimento, antes encaixilha a velocidade sub-cruzeiro os momentos vividos na experiência passada, que augura futuro, do quotidiano que se realiza a cada novo instante.
Se a emoção não está desprendida da razão, então a razão cristaliza per si, no âmago do ser, as emoções que se viram descobertas, realizadas, incubadas num fenómeno de continuidade cúmplice.
Afinal, sempre posso terminar a escrita asseverando, convicção das convicções, que não esqueci.
oceanie: le ciel, 1946, henri matisse
"Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar
Pensa em mim, protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar
Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei
Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve para longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só
Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar"
'Cada Lugar Teu', Mafalda Veiga
sábado, 6 de janeiro de 2007
Comunicante...
sexta-feira, 5 de janeiro de 2007
Sim, claro que sim
- Dúvidas não relampejam sequer em instantes de um segundo.
"Who can say where the road goes,
Where the day flows, only time?
And who can say if your love grows,
As your hearth chose, only time?
Who can say why your heart sights,
As your live flies, only time?
And who can say why your heart
cries when your love lies, only time?
Who can say when the roads meet,
That love might be, in your heart?
and who can say when the day sleeps,
and the night keeps all your heart?
Night keeps all your heart...
Who can say if your love groves,
As your heart chose, only time?
And who can say where the road goes
Where the day flows, only time?
Who knows? Only time
Who knows? Only time"
'Only Time', Enya
quarta-feira, 27 de dezembro de 2006
Divagando...
O ano de 2006… Olhando para Janeiro compreendo que desde logo se apresentou prometedor. Não em todos os aspectos, aliás nalguns ficou bem aquém, ainda que no essencial tenha cumprido e mais que cumprido. Se Janeiro ficou pautado por algumas desilusões como por momentos vincadamente desagradáveis, por outro foi gerando o que em Fevereiro se formataria, logo breve, em vínculo. Iniciou-se, o ano, numa tez acinzentada mas assente em esperanças de aurora radiosa; de tal maneira se cumpriu, ainda que para tal alguns troços do percurso hajam sido percorridos na sinuosidade de piso que escorrega por debaixo dos pés que outra coisa não querem que assento firme.
O segundo trimestre manteve-se percorrido com alguns desencontros, mas depressa encontrou recta sem geada possibilitando a aderência ao essencial. Já o terceiro cristalizou esse essencial, contudo augurando uma perda que seria significativa e que, por fim, se consumou no derradeiro período de três meses; mas igualmente o essencial… igualmente o essencial, que é o que mais importa.
Voltei a encontrar-me com o Algarve, visto por outros olhos que antes cansados dele o reencontraram brilhante. Trouxe-me ao conhecimento a ilha da Madeira, e na ilha da Madeira o (re)conhecimento de certezas que se fermentavam. Trouxe-me aos sentidos a metrópole de Milão experienciada sem dar azo a tais certezas, já que essas se haviam há muito consolidadas no implícito do quotidiano vivido.
A academia reentra nos projectos de vida e decorre mais esplendorosa que nunca, encontrando e encontrado por fim um dos dois curricula de maior interesse pessoal que vinha, demasiado plácido, perseguindo. Por aqui desabrocha de novo a ilusão em detrimento da desilusão.
Constitui-se ainda a Trajectos, que certamente despontará florida em 2007 se bem que já de alicerces indubitavelmente enraizados. Há ‘sociedades’, que pela sua formatação, roçam a perfeição de um futuro que, dia-a-dia, se constrói.
Foi decerto um ano de emoções e ilusões, capacitando com o concreto algumas das direcções do porvir. Ao pragmatismo céptico substitui-se-lhe a emoção-razão pragmática, bem mais leve, livre e gratificante que o seu antecessor excessivamente ‘frio’. Óbvio, soçobra-se nalgumas frentes sendo que porém se conquista noutras. E não sendo quantitativamente mensuráveis, são-no qualitativamente. E a aferição, sem necessidade de esmiuçar, veste o manto da convicta convicção do ganho obtido. Até o Natal, esse monstro papão desprovido de sentido desde os tempos mais tardios da infância, reganha não só signicante como significado; e terminou por se dobrar à vontade de quem quer. E, quase pelo Natal, não só a Trajectos como a perspectiva da permanência activa em Lisboa; por ora, convenha-se… – escuso-me a falar (de)mais do porvir.
Se 2006 tem sido essencialmente um ano de construção firme, 2007 descobre o rosto com a afirmação estável do acontecido; o melhor do acontecível… Resta aguardar serenamente que pontas ainda soltas se arrematem. E o sonho vive-se. Em conluio com Sol e Lua, géneros opostos que se atraem e complementam na unicidade de trejeitos cósmicos. O sonho vive-se, de olhos bem abertos, desmontado então o véu que cortinava uma visão turva daquilo que tradicionalmente denominamos realidade.
De manhãzinha,
Um bonito poema
Cantado por um melro
Madrugador.
Um poema de amor
Singelo e desprendido,
Que me deixa no ouvido
Envergonhado
A lição virginal
Do natural,
Que é sempre o mesmo, e sempre variado"
'Lição', Miguel Torga
domingo, 24 de dezembro de 2006
quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
Passo a Passo
“Prologue – Un vieux problème dans un monde nouveau”
in Loïc Wacquant, ‘Parias Urbains’
quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
Dois Dígitos
"Enfim, é um laço forte o amor consolidado de uma vida vivida em comum, em que cada um se tornou indispensável para o outro […]"
‘Sexo e Amor’, Francesco Alberoni
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Milano
- Logo se vê...
"Ninguém sabe melhor do que tu, sábio Kublai, que nunca se deve confundir a cidade com o discurso que a descreve."
'As Cidades Invisíveis', Italo Calvino
sábado, 18 de novembro de 2006
Refutando...
- O amor chora alegria.
“I try to laugh about it
Cover it all up with lies
I try and Laugh about it
Hiding the tears in my eyes
'cause boys don't cry
Boys don't cry”
‘Boys don’t cry’, The Cure
quarta-feira, 15 de novembro de 2006
Dá-me música
Nada de muito espectacular, mas que baste para agradar rompendo com algumas rotinas quotidianas entediantes algumas vezes acompanhadas por pensamentos, em demasia presentes, incipientes e algo mórbidos; vicissitudes provenientes de matérias que aqui não cabem nem pertencem. A companhia, como habitual, rompia igualmente com tais pensares e acometia-se calorosa; diria mesmo indispensável, inimpensável sua ausência. Também como habitual, soma mais ‘pontos’ que o próprio concerto ou qualquer outra prática.
Legitimada, então, a ida foquemo-nos no espectáculo ofertado em si. Simpático e caloroso, repita-se; nada de espectacular, como mencionado. Todavia, bem interessante para uma segunda-feira à noite em que fomos prendados com quase duas horas de músicas e um vasto leque de piadas sem piada. Mas na verdade os senhores esforçaram-se, culminando numa sessão francamente positiva. Pena foi o convidado especial surpresa, que por uma questão ética me recuso nomear, que ia corrompendo o entretém expectado; felizmente não se demorou, cingindo-se a acompanhá-los em apenas dois temas – presença, porém, escusada…
Como o segundo, Segundo, me parece bem mais fraco que o primeiro, torna-se normal que os momentos mais elevados fossem aqueles consagrados às músicas do primeiro de originais. A deficiente dicção de quem cantava e a medíocre acústica (do espaço ou móbil do hardware de sonorização? ou as duas em simultâneo?) foi secundarizada pela dinâmica com que, mais no final, percorria o interior da arena.
Surpreendeu, contudo, o vasto leque de presenças na assistência que cobria quer o piso do Arena Lounge como os dois pisos superiores que o rodeiam em espécie de anel. E como o casino apresenta um bonzito sistema de escoamento de gentes, foi breve e sem confusões de maior o abandono do espaço com destino ao ninho que, ávido, aguardava por alguns.
Haverá mais uma série de concertos no decorrer das próximas, ainda consideráveis, semanas. Tendo sido uma experiência por si interessante, lá regressarei nalgumas segundas feiras em que decorrerão outros eventos do género. Quem já gostava deste tipo de concertos no Casino do Estoril, certamente terá apreciado – quanto ainda irá apreciar – o que aqui ocorreu, dado que o espaço é ainda mais acolhedor que o seu homónimo da Linha.
Quanto ao resto da noite, guardo os pormenores para mim. Pouco importariam aos que os lessem, supremos para quem os vivenciou. Digo eu…
e por me teres feito cego
recordo o sabor da tua pele
e o calor de uma tela
que pintámos sem pensar.
Ninguém perdeu,
e enquanto o ar foi cego
despidos de passados
talvez de lados errados
conseguiste-me encontrar.
Foi dança
foram corpos de aço
entre trastes de guitarras
que esqueceram amarras
e se amaram sem mostrar.
Foi fogo
que nos encontrou sozinhos
queimou a noite em volta
presos entre chama à solta
presos feitos para soltar...
Estava escrito
E o mundo só quis virar
a página que um dia se fez pesada
E o suorque escorria no ar
no calor dos teus lábios
inocentes mas sábios...
no segredo do luar.
Não vai acabar
Vamos ser sempre paixão
Vamos ter sempre o olhar
Onde não há ninguém
Dei-te mais...! Valeu a pena voar...
Estava escrito
E a noite veio acordar
a guerra de sentidos travada num céu
Nem por um segundo largo a mão
da perfeição do teu desenho
e do teu gesto no meu...
foi como um sopro estranho...
...e aconteceu...
És noite em mim,
És fogo em mim.
És noite em mim.”
‘Fogo e Noite’, Toranja
sexta-feira, 10 de novembro de 2006
Sono
- Só em sonhos. Zzz… Até amanhã.
You find your own way
I forget that I can't stay
And so I say that
All roads lead to where you are
All roads lead to where you are
The seed is spilled, the bed defiled
For you, a virgin bride
Hide yourself in someone else
Don't find yourself in me
I can't lift you up again
Love comes tumbling down again
Love don't need to find a way
You find your own way
I forget that you can stay
And so I say that
All roads lead to where you are
All roads lead to where you are”
‘Love Comes Tumbling’, U2
Alvitre
nude study, 1908, henri matisseInfrared to see me move through the night
Aim gonna fire shoot me right
Aim gonna like the way you fight
And I love the way you fight...”
‘Sex Bomb’, Tom Jones
terça-feira, 7 de novembro de 2006
estado nascente
Me dão nas pernas, e as loucuras
Fazem esquecer-me dos prantos
Pensar em juras
Ai se eu disser que foi feitiço
Que fez na saia dar ventania
Mostrar-me coisas tão belas
Ter fantasia
E sonhar com aquele encontro
Sonhar que não diz que não
Tem um jeito de senhora
E um olhar desmascarado
De céu negro ou céu estrelado, ou Sol
Daquele que a gente sabe.
O seu balanço gingado
Tem os mistérios do mar
E a certeza do caminho certo que tem a estrela polar.
Não sei se faça convite
E se quebre a tradição
Ou se lhe mande uma carta
Como ouvi numa canção
Só sei que o calor aperta
E ainda não estamos no verão.
Quanto mais o tempo passa
Mais me afasto da razão
E ela insiste nopasseio à tarde
Em tom de provocação
Até que num dia feriado
P´ra curtir a solidão
Fui consumir astristezas
P´ró baile do Sr. João
Não sei sefoi por magia
Ou seria maldição
Dei por mim rodopiando
Bem no meio do salão
Acabei no tal convite
Em jeito de confissão
E a resposta foi tão doce
Que a beijei com emoção
Só que a malta não gritou
Como ouvi numa canção"
'Namoro II', Trovante
quarta-feira, 18 de outubro de 2006
Paste me!
Todavia, a este não o encaro com bons olhos. Não por qualquer censura moral idiossincrática, antes por estrangular a originalidade e virtuoso individualismo/ multipluralismo que em regra é o constitutivo, que lhes determinava essa tal singularidade, do post publicado/ a publicar. Deve-se, esse estrangulamento da iniciativa individual, a qualquer coisa que denomino por fenómeno assente na predominância do copy/ paste.
O que me leva a questionar, sem qualquer ingenuidade de permeio, mas será que já (quase) ninguém escreve na blogosfera? Identifique-se, então, o fenómeno copy/ paste: You Tube; fácil para todos, para o menino e para a menina – auspicioso, o reclame.
Claro, cada um faz o que entende. E por entende leia-se o que quer. Realmente eu cá também só publico (devendo ler-se escrevo) o que me dá na ‘real’ gana.
Não deixa porém de se sentir um certo vazio, uma apurada insipidez difícil de ser apreciada, ao contemplar o rol de acumuladas publicações apresentando o início de um vídeo dotado de um símbolo e instrumento de visualização centrado em ‘play’ na (ainda) estática imagem. O vinco pessoal que matiza as publicações, nas suas mais diversas e variadas temáticas, é substituído por uma construção a prioristica que pouco – nada! – deve à estética das criações que diluem a sua especificidade na massificação; a blogosfera renega a sua identidade, logo as suas raízes de princípio (e causa?), numa serialização que me faz recordar e remeter para o século passado em que o standard parecia ser a lógica a seguir e, mais, a imperar. Percebo, e disso faço igualmente uso, que a imagem e uma doseada porção de ‘plágio’ consagrem, esclareçam e ajudem na compreensão e complemento de um post que expõe uma ideia, seja essa ideia qual for. Agora este fenómeno que mais é de substituição que de complemento ao post ‘personalizado’ levanta-me algum agravo. Um dos mais livres e abertos espaços de criação é castrado. E é-o pelos seus próprios autores/ editores. Pessoalmente lamento-o…
Longe de ser um juízo de facto, este post que redijo é mais enquadrável no juízo de valor. Termino-o portanto, uma vez que a minha opinião é mais uma entre largos milhares que doutro molde se podem permitir opinar. Menos ainda me cabe a tarefa do juízo como julgamento, insistindo que esta publicação, ao menos originalmente redigida, não ultrapassa o parco limite do juízo de valor; ou de opinião, como preferem determinados comunicadores para fazer valer como conceito e que, por motivos que extrapolam a presente publicação, não subscrevo – já que o considero assim erroneamente aplicado, tanto quanto desenquadrado do seu sentido específico; pois que conceito ultrapassa em bastante a mera qualidade substantiva ou adjectiva com que tem vindo a ser corriqueiramente, e mal, empregue e imposta.
Eu cá, teimoso. Escusar-me-ei a aderir. Mas se querem (quase) todos ser iguais na indiferença… que o sejam. Ultrapassa-me. You Tube copiado e colado, aqui não. Admitindo o complemento, em toda a humildade que me é devida, não admitirei a substituição pura do conteúdo singular, ou com maior exactidão, mais ou menos singular. Dixit. Porque não gosto de ver uma blogosfera ‘calada’. Um ‘Brave New World’, à Aldous Huxley, não fará aqui cruzada. Para estar ‘calado’, delete blog? yes – click.
Silvina Rodrigues Lopes, in prefácio a 'O Crime Perfeito', Jean Baudrillard
domingo, 15 de outubro de 2006
Ele
Há tanto tempo, amor errante
Sinto o teu vento, sempre distante
Sem um lamento
Sem parar nem pensar
Ao partir e voltar
Para sempre hás-de errar
Onde o vento soprar
Amor distante, por quem eu espero
Contando o tempo de cada instante
Para sempre hás-de errar
Onde o vento soprar
Amor errante, por quem demoras
Há tanto tempo, amor distante
Eu conto as horas, amor errante
Ainda há tempo para voltar
Meu amor tão distante
Onde te leva o vento
Meu amor tão distante
Volto e volto ao tempo"
'Amor Errante', Diva
sábado, 7 de outubro de 2006
Assinalado
- Achas mesmo que sim?
She'd always say that she was mine
She'd turn and lend a smile,
To say that she's gone.
But in a whisper she'd arrive
And dance into my life.
Like a music melody,
Like a lovers song.
Oh tonight, you killed me with your smile.
So beautiful and wild, so beautiful.
Oh tonight, you killed me with your smile.
So beautiful and wild, so beautiful and wild."
'Tonight', Reamonn














